Se existe um papo que eu não gosto, que tenho quase raiva, é aquela pergunta: “Mas e no Rio, você torce pra quem? E em Minas?”. Misto, pra mim, é só aquele pão com queijo e presunto. Eu sou inteiro. Torcedor de um único amor.

Eu não consigo torcer para dois times e tenho dúvidas sobre quem consegue. Como a pessoa fica quando os dois se enfrentam? Tanto faz? Escolhe um? Se gosta, se torce, como consegue aceitar a derrota do time, só porque está jogando com o outro?

Se eu tenho um amor, ele é único. Quando eu passo a distribuí-lo, um aqui, outro em outro estado, eu não amo. No máximo, eu gosto. E futebol está acima do gostar. Você não gosta do seu time. Quem vai ao estádio, se esgoela, compra camisa, faz campanha pra ajudar o time, faz sócio torcedor, discute no trabalho, na faculdade, com o sogro, seca o Palmeiras, defende as cores, não pode só gostar do seu clube. Isso é amor. Amor não se divide. Isso mesmo, ou é sua mulher ou sua amante.

Já vi venderem camisas com dois escudos, um em cada metade. É que nem andar com a sua aliança em uma mão, e um anel de compromisso com a amante no outro. Puta que pariu. Isso foi feito pra pegar dinheiro de besta. “Ah, Jack! Mas eu gosto de dois times, meu coração é dividido”. Desista do futebol. Vai torcer pra basquete, ou pra qualquer outro esporte, mas não ouse dizer que você torce pra mais de um time.

Futebol é paixão, é amor incontrolável, é gritar até arranhar a garganta, é coisa que não dá pra dividir. O coração é cravejado com as estrelas do seu time. Menos de quem é botafoguense. Mas isso não vem ao caso. O que importa é que, se você torce, você ama, e não importa se é série A, B, C, D ou sem divisão, você é apaixonado e louco pelo seu time. Do contrário, você não torce de verdade para ninguém.