//Pensamentos Machos

  • A indecifrável mulher

    Por: Edu ⎯ Em: Pensamentos Machos ⎯ 19 de março de 2013

    loconadasdorgas

    A mulher é o paradoxo mais impossível já possível na face da terra. Diria até que ela é a prova irrefutável da existência de um Deus, Deus este perfeito que tão perfeitamente juntou tudo de mais odiável e tudo de mais amável e formou sua mais bela criação.

    A mulher é uma caixa de pandora mais ampla, além dos males, também contém os bens do mundo. E nela fazemos nosso castelo que por vezes é confundido com um calabouço. Não somente eu, como também qualquer homem existente no planeta, desistiu de encontrar explicação para aquele ser que muda de opinião e de sapato tantas vezes quanto muda de humor, vestido e saia. Deus existe e fez a mulher para nos testar. Para ver como lidamos com situações indecifráveis, e até hoje vamos pelo tato, vendo onde podemos pisar, com toda calma do mundo. De um sorriso para a fúria são somente algumas palavras, e como não sabemos quais são, melhor tomar cuidado com todas.

    Então eu entendo meu pai, quando eu era criança e pedia um quebra-cabeça mais difícil, ele olhava de soslaio para minha mãe e dizia “tudo ao seu tempo, meu filho. Um dia você terá um indecifrável”. E eu duvidava. Até entrar em contato com a primeira mulher que participou da minha vida, mesmo que tenha sido com um beijo no rosto. Lá pelas tantas, recitei-lhe um poema e ela terminou comigo. Assim, na mesma hora. Não estava preparada para aquilo e eu fiquei sem entender nada. Como fico até hoje. Como ficarei até morrer.

    Mas essa indecifrabilidade é tão apaixonante, tão provocante que mergulhamos nesse labirinto de cabeça e quando pensamos que há uma solução, percebemos a miragem e assim continuamos a vida, andando na direção do fluxo e vendo como nos saímos pelas andanças da vida. Se o sentido da vida dependesse da descoberta dos pensamentos e sentimentos de uma mulher, viveríamos na eterna ignorância do porque de estarmos aqui. Dizem que quando o primeiro homem decifrar a primeira mulher, Deus acaba o mundo e o refaz novamente. Eu também acharia um passatempo interessante.

    E quando nos acompanha aquela que nos entende e nos acalma. Nos dá carinho e nos ama, parece que perdemos a noção de tudo, principalmente do ridículo. Mas nem isso evita uma boa briga na época da TPM, que não tem cabeça, nem corpo e o seu fim é instantâneo. Enquanto você fica atônito, tentando entender o que aconteceu. Não se preocupe, meu amigo. Você não a entende não é por falta de sabedoria ou tato com as mulheres. É muito amor. O nosso amor pelo desafio, pelo enigma, pelo mistério, é tão grande, que a confusão da mulher se torna um adendo na paixão, como se fosse um perfume. Há aquelas que se dizem descomplicadas, mas isso não existe, essas conseguiram até confundir a si próprias. Seja mãe, irmã, vó, ficante, namorada ou mulher, está ali, bem apagadinho, na rocha de Moisés, uma observação: “Aos homens, não entenderás mulher alguma, mas isso não é um mandamento, é que tivemos um probleminha aqui.” Foi depois dessa descoberta que Deus inventou o ditado “Quem avisa amigo é”. Mas isto não é uma reclamação.

    Venho aqui como um chamado, uma mão que se levanta para que haja um agrupamento. Por muito tempo permaneci calado, inerte, achando que o problema era comigo, mas não, o engraçado é que não há problema. “Há sim! As mulheres são problemáticas!” Dirão alguns desentendedores. Não, não são! Elas são apenas seres que têm pensamento próprio e que este não se assemelha ao nosso. Não podemos, nem nunca conseguiremos, entender uma mulher com pensamentos masculinos. Não estamos nem aí se a tampa do vaso está levantada, porque não somos nós que sentamos lá. Assim como elas não entendem nossa paixão por times de futebol, porque não são elas que são sacaneadas quando nosso time perde. Cabe a nós somente admirar, amar e cuidar. Observar com muito carinho a perfeição do caos personificado, um caos tão perfeitamente caótico que chega a ser sincronizado. Até porque o amor em si não precisa de explicação. Para facilitar, é só pensarmos da seguinte forma. Se ficarmos tentando descobrir incessantemente o porquê da vida, vamos morrer sem ter vivido. Se ficarmos tentando entender a mulher, vamos morrer sem ter amado.

  • Mulher brasileira x mulher estrangeira

    Por: Edu ⎯ Em: Pensamentos Machos ⎯ 13 de janeiro de 2013

    brasileiras

    Sobre palmeiras e sabiás, eu não sei muito. Sinto falta de alguns cantos, mas eles não são tão essenciais. O que mais me dói a vista é a falta de um bom rebolar. E se eu tivesse escrito a Canção do Exílio, hoje a frase conhecida seria “Minha terra tem umas curvas que são boas em rebolar. As bundas que aqui rebolam, não rebolam como lá.

    E certamente não, o frio nos obriga a agasalhar e a andar rapidamente, não dando chance alguma ao andar passarelístico de mulher alguma. E essa mudança fez as mulheres perderem o dom do andar por aqui. Nenhuma se compara a nossa histriônica brasileira que além de chegar ao seu destino, quer arrematar alguns olhares. Essa malícia se perdeu por aqui e automatização de tudo aconteceu com as mulheres. É tudo muito coreografado, muito cinematográfico. Os passos são corretos, a fala é direta e pronto. Não há espaço para um “quer uma cerveja?” ou qualquer outro convite com mais de vinte intenções.

    Acho que isso é coisa de brasileiro, ou coisa de quem escreve, ou minha mesmo, mas aprecio uma boa visão. Não que eu esteja reclamando de beleza, as mulheres daqui são belíssimas! Mas é que há um que de je ne sais quois na brasileira que estremece a gente, deixa a perna bamba. Uma coisa que nem eu, nem ela, nem ninguém saiba. E talvez nem exista. Mas é algo que nos deixa confortável, nos faz sentir em casa.

    E acima de tudo, sinto falta de uma boa interação sem compromissos, uma boa conversa ao pé do ouvido, sem significar nada. Até as danças, se é que posso dar esse nome, são afastadas. Onde já se viu! Não tem como dançar coladinho, gostosinho, fungadinho, um bom forrózinho. Acho que a falta de curva evita o encaixe e por isso eles preferem ficar pulando. Enfim, enaltecer uma, não significa denegrir outra, a gringa tem seu valor, tal qual todas as mulheres do mundo. O problema foi que eu não soube descobrir. Por isso, para mim, pegando gancho de Benito, mulher brasileira é primeiro, segundo e terceiro lugar.

  • Porque é preciso mentir para as mulheres

    Por: Edu ⎯ Em: Pensamentos Machos ⎯ 07 de janeiro de 2013

    mentindo

    Um dia, em uma cidade qualquer, a muito tempo atrás, em frente a um dos primeiros espelhos inventados. Uma mulher que estava se vestindo, com todos os panos que havia direito e tudo mais, resolveu, por ventura, fazer uma coisa que nunca havia feito, virou-se para o marido, este já de cartola e fraque, pronto a mais de uma hora e perguntou-lhe: “Meu amor, você acha que eu possa estar acima do peso?”. Foi aí, neste singelo momento, que tudo começou.

    Graças a isso, todo homem entende a importância de colocar bem as palavras e tomar cuidado com expressões faciais. Os que não sabem, um dia saberão, ou pelo amor ou pela dor. Graças a este homem, que Deus o tenha, hoje sabemos a complexidade de uma resposta dessas. Porque a mulher não aceita uma resposta simples, um isolado “não” nunca a convencerá de que não está gorda, é necessária uma dissertação, e muitas vezes, vários elogios.

    É do feitio feminino nos cercar com perguntas desses tipos e não somente isso. As vezes, protagonizamos situações que a mulher espera uma certa reação, mas não dá nem pista do que seja, então, com muita calma, você vai tateando o solo, pra ver qual o melhor caminho pra sair, as minas estão espalhadas e só ela tem o mapa, um mapa bastante confuso, que nem ela sabe ler.

    Então, a capacidade de reconhecer uma situação dessas e livrar-se dela nos foi dada. Como por instinto e um presente de Deus pela costela faltante. Pela infelicidade do nosso desavisado amigo de fraque, só ganhamos isso com a evolução e o pobrezinho ficou com fome aquela noite, porque a esposa se recusou a sair pra jantar depois do: “Está sim, eu ia até lhe avisar” e não tinha comida em casa. Devemos ser gratos a homens como este que aprenderam antes de nós e nos repassaram, como uma irmandade. E hoje conseguimos escapar de qualquer: “tô gorda?”; “ela é maior que eu?”; “quem é mais bonita?”; “ficou bom meu cabelo?”. Se você ainda não sabe como sair ileso de algumas dessas perguntas, pergunte ao homem mais próximo, ele irá te ajudar.

  • O homem será homem quando encarar a ressaca

    Por: Edu ⎯ Em: Pensamentos Machos ⎯ 02 de novembro de 2012

    Há aqueles que não bebem por medo da ressaca. E se formos parar para analisar a sua lógica, ela acaba sendo coerente. A ressaca nos presenteia com dores de cabeça, enjoos e outras sensações ruins. Querer evitar isso é algo normal, compreensível. Alguns evitam beber para alcançar esse fim. Isso sim é repreensível.

    É o mesmo cara que não encara batalhas por medo de derrota. Insiste em se apegar a zona de conforto e fica ali, abraçado com a comodidade, dormindo com a mesmice. Um dia ele será obrigado a batalhar e perder pode trazer duas coisas, ou uma sensação de inutilidade ou experiência, ou ambas. Assim como a ressaca, você fica inutilizado no dia seguinte, mas conta algumas histórias, com as poucas memórias que sobraram, da noite anterior. E com o tempo, descobrem-se modos de evitar ou diminuir a ressaca. Preservando os bons momentos vividos no bar, e as boas mentiras de bêbado.

    Beber é uma das batalhas da vida. E o álcool, como maior e verdadeiro inimigo do homem, deve ser enfrentado até que não reste dele nem mesmo a mísera gota no copo. Verás que amigo teu não foge a luta, nem teme a própria ressaca. E então percebemos que já somos derrotados, desde que nascemos, e estamos em busca da vitória. Não batalhar significa não viver. E é com esse pensamento que temos que entrar no bar do seu Zé, pedir uma gelada e uns petiscos de carne.

    Isso se aplica há muitas desistências pela simples possibilidade de derrota. Como desistir de dar em cima da mulher que está no balcão, por achar que seria difícil demais. Você já tem o “não” e até mesmo um tapa na cara lhe renderia uma boa história, uma experiência.

    E o homem será homem quando encarar a ressaca. Entender que ela existe e pronto. Tentar evitar, amenizar, é normal. Porém, não fazer o que gosta por medo de coisas ruins que a vida tanto tem, é covardia. E não falo só de bebidas.

  • Futebol é melhor que terapia

    Por: Edu ⎯ Em: Pensamentos Machos ⎯ 03 de setembro de 2012

    Há certa coisa peculiar no futebol, algo que consegue despertar sentimentos verdadeiros, de fiéis torcedores. Pessoas que perdem a identidade, e só se reconhecem através das cores e das músicas do time. Vão ao estádio, discutem em bar, vibram com gol e xingam em lances ruins. Essa certa peculiaridade, que não se sabe o que é, desperta uma paixão que dá vontade de berrar, em todos os estádios, o amor pelo seu clube. É algo impressionante e belo.

    O que há de impressionante, é observar um cidadão comum, o seu José, que trabalha dia após dia, tem que terminar de pagar a prestação da geladeira, a filha reclama de tudo e tem lá seus outros problemas. No dia de jogo, veste sua camisa e com seu ingresso à mão, vai subindo a rampa do estádio. Nesse trecho, seu José não é mais um cidadão comum, com problemas triviais e vida sofrida. Seu José agora é torcedor, e o grito que ele aguentou a semana inteira, sai em forma de palavrão, xingamento ou felicidade. Torcer nos dá essa chance. De agir como sempre desejamos, gritar quando feliz, xingar quando puto e talvez, uma hipótese, essa peculiaridade do futebol seja agradar a nossa essência, agir por instinto, sem ser demitido, advertido ou agredido. No estádio, nós temos essa liberdade.

    E aquele saudoso sentimento infantil de termos o melhor, não importa qual argumento surja. Se o nosso time está na final da Copa do Brasil ou na série D, acreditamos numa possível disputa acirrada caso ele enfrente o Barcelona. Se o Paysandu disputasse, tiraria de letra, afinal, já calou o Boca em plena La Bombonera. Não importa se ele está na série C, é o melhor time do mundo. Assim como o seu time é o mesmo para você. Isso é normal e reconfortante. O futebol nos traz esperança. Esperança que às vezes perdemos na vida, mas carregamos no grito apaixonado e no canto rouco no estádio.

  • A garrafa de whisky é a melhor amiga do homem

    Por: Edu ⎯ Em: Pensamentos Machos ⎯ 15 de agosto de 2012

    Eu prefiro a garrafa de whisky que está pela metade. A lacrada traz o tão esperado sabor que encontrará minha boca, o amargo que me dá prazer e me satisfaz. Mas ela não tem uma coisa, algo que torna o beber tão complexo e importante, falta à garrafa lacrada boas histórias. E não se deve começar uma história, sem terminar outra.

    A metade vazia da garrafa é preenchida por uma gama de acontecimentos, risadas, mentiras, foras, sexo. E é por isso que ela tem mais valor, quanto menos whisky tem em uma garrafa, mais vida ela tem. Dentro da garrafa se misturam memórias e álcool e por isso que às vezes perdemos um pouco, dos dois. Por vezes esquecemos o que aconteceu, se deixamos cair o copo ou não, se nossa cara está doendo por causa de um tapa, mas a garrafa sabe.

    Ah, se as garrafas pudessem falar! Se algum geniozinho inventasse uma forma delas nos relatarem o que aconteceu. Eu acharia tantas carteiras perdidas, descobriria tantas mentiras sobre as “quase modelos da Victoria´s Secret” que meus amigos ficavam. Seria engraçado desmascará-los com os depoimentos da garrafa, porém, ficaria em segredo, somente um motivo para eu sacanear, não entregaria meus amigos por aí. Se esquecêssemos do que aconteceu, bastava perguntar à garrafa e ela iria contar tudo.

    Contar tudo. Isso poderia ser um perigo. E se as mulheres ficassem melhores amigas das garrafas? Quando o seu Antônio acordasse, a dona Luciana já saberia de tudo. Não teve reunião, happy hour com os investidores japoneses é o caralho e quem é Cláudia? Até o pobre Antônio conseguir reunir imaginação para explicar tudo, a garrafa já teria arruinado seu casamento. Pensando bem, as coisas como são estão perfeitas. Um bom whisky, algumas memórias e a garrafa pela metade, calada.

  • O mau do homem é beber sozinho

    Por: Andre Filho ⎯ Em: Pensamentos Machos ⎯ 12 de julho de 2012

    Há aqueles que se sentem independentes da convivência humana. Gente que não precisa de ninguém, que pode fazer qualquer coisa sozinho, que é completo. Eu, sinceramente, prefiro estar numa mesa apertada, com cotovelos se empurrando, dividindo a metade da última garrafa de whisky, do que sentar-me no sofá e beber o que for, sem ninguém. O mau do homem é beber sozinho.

    Na eterna ânsia de multiplicar, eu prefiro dividir. E na nossa mesa dividimos a bebida, a comida e a conta. No dia seguinte, a ressaca é em grupo, vendo TV e comparando os atributos das conquistas da noite anterior. E essa é uma das partes boas, quando não conseguimos lembrar de tudo que aconteceu e acabamos por incrementar a narração, por mentir, sem maldade, para que nossos amigos estejam sempre entretidos. Por mais que todos saibamos que é bem provável que o que o Leonardo falou sobre as gêmeas no banheiro seja mentira, rimos e ficamos espantados, duvidamos, mas só um pouco. E chega a nossa vez de contar a nossa estória. Uns detalhes a mais não fazem mal a ninguém. Isso é beber junto.

    E não somente beber, mas viver. Se fôssemos sozinhos, quem faria coro nas arquibancadas? Pra quem contaríamos nossas “mentirinhas”? Quem sacanearíamos a cada atualização de status? Um homem de verdade entende que não é só. Sabe que um dia pode precisar de qualquer um. Até de um botafoguense.

    E o homem que bebe só, independente e supremo, está sentado, folgado e confortável. Sem ter quem sacanear pelas derrotas do Flamengo, sem ter quem “humilhar” pela “filhote de cruz-credo” que pegou na balada. O homem que bebe só não conta estórias, nem histórias, nem comenta nada. Não por não ter o que falar, mas por não ter quem ouvir. E a ressaca chega, e o que ele fez na noite anterior não interessa a ninguém. Quase tão solitário quanto um torcedor do Fluminense

    Por isso prefiro beber junto. Tomando cuidado pra um cotovelo não derrubar meu copo – Deus me livre que isso aconteça – rindo e atento. Bolando coisas pra contar e fazendo vaquinha pra pagar a conta.

  • A nova geração de maricas

    Por: Edu ⎯ Em: Pensamentos Machos ⎯ 06 de junho de 2012

    Estudiosos do mundo inteiro se reuniram e começaram a tentar descobrir alguns porquês. Dias e noites, eles batalharam para descobrir a causa da nossa sociedade estar sempre pisando em ovos, sempre com uma cautela ímpar para não ofender ninguém com um passo errado, passando por tempestades em copos de água jamais vistas nos sete mares. Então, descobriu-se o cerne da questão. O merthiolate parou de arder.

    Em uma sociedade na qual o merthiolate ardia tudo fazia sentido. O ardor deste remédio para sarar feridas mostrava às crianças o que, realmente, era dor. Não existiam essas frescurinhas de reclamar de tudo. Existia algo para nivelar tudo, existia o pavor de ter aquele líquido vermelho passado no joelho ralado. A boa e velha tensão e a cara falsa da mãe dizendo que não ia arder. Era a maior das mentiras. Bem, com isso, em nosso subconsciente ficava sempre aquilo como marco referencial, se algo acontecesse, nossa mente, involuntariamente, comparava os sentimentos do que estava acontecendo com a dor do remédio, e verificava se valia a pena à queixa. Por isso as reclamações eram menores, as pessoas se ofendiam menos e não chorávamos por qualquer coisa. Como havia um problema central, maior e relevante, não se desperdiçava preocupação com coisas desimportantes. Era preciso ter cuidado para evitar acontecimentos que teriam como consequência o merthiolate. Uma geração foi criada sob este pilar da valorização de acontecimentos dignos e não a banalização de tudo, de dar relevância a qualquer cisco que caísse em nossos olhos.

    Eis que o destino, este que gosta de dificultar as coisas, quis que aparecesse um bem intencionado, com a seguinte ideia: Fazer o merthiolate parar de arder. Eu espero, sinceramente, que o filho de 15 anos dele chore no fim de Glee e esperneie todas as vezes que o Justin Bieber cancelar um show no Brasil. Perdeu-se um norte. Sem isso, as pessoas que foram criadas sendo saradas pela nova composição do remédio, não sabem do que, nem como reclamar. Percebeu-se um anseio de buscar algo para tal função, e, por vários erros de comunicação, ou a não existência da mesma, cada um escolheu o seu motivo e desembestou a reclamar, a sentir-se ofendido, a sentir-se péssimo, a odiar alguém, a odiar tudo. Como bem disse, e eu – Quem sou eu, né?!- assino embaixo, Clint Eastwood: “Vivemos em uma geração meio mariquinha”. E não estamos falando de opção sexual. A análise se baseia sobre o grau de importância que as pessoas dão às coisas pequenas, fazem de uma dor de barriga, uma úlcera irreversível. Utilizam-se de singelos comentários, inocentes ou não, como provas cabais de ofensas inaceitáveis com a mesma gravidade de ter a mãe chamada de feia. Ofende. Mas, vestir toda e qualquer carapuça, não é saudável, é infantil, coisa de quem não tem com o que se preocupar, não tem ninguém pra comer e se beneficiou com o fato do merthiolate não arder.

    Resta-nos esperar, ou lutar contra tudo isso, contra não poder olhar feio pra ninguém, sem algum ataque de nervos acusando de todos os preconceitos possíveis. Contra quem não bebe cerveja porque é amargo. E quem usa merthiolate que não arde. Ou apenas viver a nossa vida, e torcer pra ninguém pôr o calo debaixo do nosso pé. Como diziam nos áureos tempos que sarar feridas ardia feito fogo: “Engole o choro”.

  • A insegurança feminina começou com Eva

    Por: Andre Filho ⎯ Em: Pensamentos Machos ⎯ 14 de maio de 2012

    Há coisas que, de uma forma bem equilibrada, são essenciais na vida. Tem essencialidade equivalente ao silêncio na hora do jogo, ao petisco, a vitória do seu time e o sofrimento do seu amigo botafoguense. A insegurança é uma delas, dentro de sua naturalidade inerente ao ser humano, ela é normal. Quando ela te inferioriza e te controla, ou você está com problemas, ou você é mulher.

    Note que grandes problemas da humanidade foram causados por essa insegurança. Hoje, ao invés de estarmos aproveitando o paraíso, sem problemas, sem pauta e sem trabalho, estamos aqui, esperando acabar o expediente. A culpa é de quem? Culpa da primeira, e não menos insegura, mulher que existiu. Eva, no auge de sua insegurança, conseguiu imaginar que Adão, aquele canalha, ou estava com outra, ou estava desinteressado nela. Eva lembrou que só haviam os dois no mundo e concluiu que estava gorda. E, ao invés de conversar e tentar esclarecer as coisas, não! Ela ouviu conselhos e resolveu fazer dieta. Foi comer maçã, e cá estamos nós, esperando dar seis horas da tarde, sem paraíso.

    Eis que a genética saiu distribuindo essa característica para todas as mulheres que existiriam a partir dali. Hoje, esse sentimento de instabilidade, de não estar bem consigo mesma, está presente em quase todas. E as que são seguras e cheias de si, nunca foram chamadas de gordas. E mesmo quando elogiadas, não acreditam, teimam em enaltecer as piores partes e acreditar que está tudo errado, que elas têm algum problema. Essa insegurança exacerbada te deixa a mercê de qualquer opinião. Conselhos furados, pessoas irrelevantes e conclusões infundadas, existirão aos montes. Tenha bom senso. Ouvir conselhos ou opiniões é a mesma coisa que comprar cerveja, você não vai aceitar qualquer uma que o vendedor lhe oferecer. Você irá avaliar e selecionar, antes de gastar seu precioso dinheiro, para degustar um bom suco de cevada. Se você não faz isso, bem, desejo sorte.

    A vida correrá assim. O desacordo sempre estará presente. Sempre haverá alguém que não entendeu, sempre haverá alguém que não sabe analisar as coisas e critica por criticar, sempre haverá um Sonnen falador pra dizer que vai te encher de porrada. Se essas críticas se juntarem a sua insegurança e tomarem conta de você, meu amigo, a sua vida será regrada pelas outras pessoas. Em sua maioria, é falácia, é negativo e usado só para lhe atingir. Tenha em mente do que você é. Não mude na primeira crítica, não abaixe a cabeça pro primeiro que discordar de você e não vá fazer dieta só porque disseram que você está gordinha.

    Então, se você não for uma mulher que está escolhendo um vestido para um encontro, deixe a insegurança de lado. Se você for, será que esse ficou bom mesmo? Tem certeza que ele não te deixou gorda? Vista qualquer um, tenho certeza que você vai agradar mais sem nada, do que com o seu melhor vestido.

    Para mais opiniões bem embasadas como essa, siga o André Filho no twitter

  • Saiba interpretar as mulheres

    Por: Andre Filho ⎯ Em: Destaques, Pensamentos Machos ⎯ 30 de março de 2012

    O “não” de uma mulher é a coisa mais complexa e cheia de significados que existe. Carrega uma gama de informações, desde o momento que é dito, até o momento que chega aos ouvidos. Um “não” pode significar qualquer coisa: “Sim”, “Talvez”, “Já era pra ter feito”, “Já era pra ter dito”, “Quer que eu desenhe?”. E, até mesmo, “não”. Sim, há casos em que esta raridade ocorre.

    Essa singela expressão, tal qual a própria mulher, é um convite para o aprofundamento em seu significado. Um “não”, por incrível que pareça, é um começo. Não um bom começo. Porém, não é um fim. É a seleção natural aplicada. Lima os fracos, desistentes ao primeiro “não”. Estes que se contentem com coisas fáceis, comida crua e cerveja quente. A falta de interpretação já elimina uma boa parcela, que nada de bom acrescentaria. Engana-se quem acha que a vitória ficou para os fortes. “Forçar a barra”, insistir apenas por insistir, tentando atravessar o muro, ao invés de escalá-lo, elimina tanto quanto a desistência. Não são os fortes que sobrevivem, são os que melhor se adaptam. Agradeçam a Darwin.

    Entender um “não” feminino é uma tarefa muito árdua. Como podemos entender algo que, quem diz, não tem a mínima noção do que quer dizer, não tem certeza do que está pensando e não sabe o que vestir? Por isso, é bom ter foco e não ir tentando a torto e a direito. Não se entendem dois “nãos” de duas mulheres diferentes, ao mesmo tempo. Com muita sabedoria, cantou Vinícius de Moraes, em Regra Três: “…Abusou da regra três: Onde menos, vale mais.” Se tratando desses seres que não obedecem nem o conceito de uma palavra, que falam sem querer falar, pensando em algo completamente diferente. É melhor se contentar e tentar desvendar um “não” por vez.

    E, talvez, seja esse o significado de tudo isso. Há boatos de que Deus, quando criou a mulher, ficou em uma dúvida divina e resolveu criar todo o resto, e toda essa dinâmica que estamos inseridos, pra ver se alguém entende, levanta a mão e grita “bingo!”.