É possível imaginar que não deve ser tão fácil ser atriz pornô. Até porque, nem tudo na vida são flores (ou orgasmos, nesse caso). A profissão que carrega consigo uma série de preconceitos e tabus tem seus lados difíceis, mas também tem ótimos profissionais que planejam voos altos na carreira e, principalmente, reconhecimento pelo que fazem.

O Prêmio Sexy Hot é a premiação da indústria pornô brasileira e, em 2015, faz sua segunda edição para eleger os melhores destaques nacionais em 14 categorias. Entre elas, Melhor Filme Hétero, Melhor Filme/Cena LGBT e Melhor Diretor são reservadas ao júri técnico, composto por grandes nomes do ramo, como o ex-ator e diretor Carlo Mossy e a ex-atriz e apresentadora Nicole Puzzi.

Para concorrer, produtores de todo Brasil inscreveram seus melhores filmes e cenas, que foram avaliados pelo canal Sexy Hot. As três melhores produções de cada categoria vão ao site para votação do público. Até o dia 13 de julho, os amantes de produções pornô podem ajudar a decidir os melhores. A premiação será no dia 18 de agosto.

 Bárbara Costa – Melhor Cena de Fetiche

Bárbara Costa (nome artístico) concorre na categoria de Melhor Cena de Fetiche com o filme “Cornolândia, o Submundo dos Cornos”, da produtora MM Video. No ano passado ela teve duas indicações: Melhor Cena de Sexo Oral e Melhor Título, com o filme “Disk Boquete”, da produtora Xplastic, mas não ganhou.

Bárbara tem 27 anos e é atriz pornô “há 5 anos, entre idas e vindas”. Ela conta que tudo começou por um ato de rebeldia contra um ex-namorado: “Naquela época não fazia ideia de como o pornô era, eu fiquei interessada em fazer porque queria me vingar de um ex-namorado que era amante do pornô. Eu ainda estava machucada e era imatura, não imaginava como isso seria irreversível na minha vida”, desabafa.

E é preciso muito jogo de cintura para lidar com a reação da família e das pessoas na rua. Com os pais, Bárbara diz que não foi tão difícil: “Aos poucos fui divulgando para eles, primeiro as fotos, depois a revista e, enfim, os vídeos. Minha mãe ainda fala: ‘Você tem que arrumar outra coisa para fazer’. Já o meu pai: ‘Você é livre, tem direito de fazer o que quiser com a sua vida e arcar com as consequências’.

Mensagens e propostas desrespeitosas? Bárbara não poupa medidas: “Um monte, toneladas e mais porralhadas delas. A mensagem que mais me incomoda é perguntando sobre programa. Que saco! Se eu quisesse anunciar programa, anunciaria num site, pô! Mas na página [do Facebook], no Twitter e no Instagram, estou divulgando meu trabalho como atriz de filmes adultos, uma coisa não tem nada ver com a outra!”, esbraveja Bárbara.

Bárbara revela que já recusou várias produções por não concordar com o que era proposto no filme, como violência, cenas “hardcore demais”, anal, “engolir” e sexo sem preservativo: “Mas é sempre tudo conversado antes, o produtor oferece o cachê e informa como será a cena, o ator e o local, e eu aprovo ou não”, ela explica.

Perguntada se se arrepende de alguma coisa que fez, Bárbara dá uma resposta que podemos usar de lição: “Sinceramente, o que temos que fazer é se adaptar com as escolhas feitas no passado e pensar bem antes de refazê-las no futuro. O arrependimento é uma excelente forma de aprendizado e lamentar-se não adianta muita coisa. Então, eu não me arrependo, eu me adapto”.

 

Mayanna Rodrigues – Melhor Atriz LGBT 

Também concorrendo ao prêmio pela segunda vez, Mayanna, 29 anos, é performer (burlesca/fetichista), altmodel, bartender e produtora de eventos. Na primeira edição do Prêmio, concorreu a Melhor Filme de Fetiche com o “Diário de Uma Dominadora do FetishBoxxx”, da Xplastic. Este ano, indicada pelo filme “Jujubas”, também pela Xplastic, ela confessa que seria legal ganhar um prêmio depois de dez anos no ramo, mas que, infelizmente, sente que “os premiados não se tornam alvo no mercado aqui no Brasil, como acontece nos Estados Unidos, por exemplo”.

Mayanna entrou para as produções pornô em 2005, quando veio para São Paulo: Conheci uma garota que já tinha gravado e tinha virado booker, ele me viu dançando e me fez a proposta, achei legal e aceitei. Sempre tive interesse e curiosidade pelo pornô e pelo meio erótico no geral, já havia cogitado entrar no meio. Foi fácil”, conta.

Ela diz que não tem grandes problemas com a questão da família e é bem direta: “Tirando minha mãe, e me dou super bem com ela, não tenho proximidade com familiares e pouco me importa as opiniões e reações deles. Mas com o público, mensagens desrespeitosas e propostas, Mayanna dispara a crítica: “Os homens ainda não entenderam que o fato de você tirar a roupa ou transar na frente de uma câmera por opção própria não é sinônimo de você estar disponível para ele. Ou porque você se sujeita a isso, você se sujeitaria a fazer o que eles propõem. Sempre teve e sempre vai ter esse tipo de cara”.

Falando em situação difícil, Mayanna conta que já passou por casos complicados em gravações: “Em uma cena, em 2005, eu estava de TPM e naqueles dias. Tive que optar por fazer uma cena só de anal e de mal humor. Acabei mordendo o ator fortemente num impulso. Hoje dou risada, mas no dia o clima ficou tenso”. Hoje Mayanna diz que só grava com meninas e que as cenas são sempre naturais.

Para o futuro, com ou sem o prêmio, a atriz pretende ingressar no meio de eventos e continuar na pornografia. Atualmente ela faz parte do coletivo The Burlesque Takeover (coletivo de burlesco junto com a Sweetie Bird e o Sete de Ouros). Mayanna faz apresentações frequentes em Brasília, Porto Alegre, Balneário Camburiú e em São Paulo.