Você com certeza já deve ter sentido aquela agonia de ver uma tatuagem mal feita em algum reality show e também pensado como é difícil o trabalho dos caras que estão ali para escolher as melhores. E os grandes Chris Garver e Chris Nunez já estiveram diversas vezes nessas situações.

Eles são dois dos principais nomes do cenário da tatuagem no mundo e estiveram na sexta edição da Tattoo Week SP, maior convenção de tatuagem da América Latina, que aconteceu no Expo Center Norte, em São Paulo.

Tatuagem de primeira

Chris Nunez é especializado no estilo oriental e um dos jurados do programa Ink Master, reality show americano em que tatuadores competem em desafios que avaliam as suas habilidades artísticas. Proprietário da Handcrafted Tattoo And Art Gallery, em Miami Beach (EUA), Nunez também participou do Miami Ink, reality pioneiro sobre o universo da tattoo, que durou até 2008, e revelou grandes nomes.

Chris Garver  também ocupa o ranking dos melhores e mais conhecidos artistas da tatuagem com estilo oriental. Ele ganhou ainda mais notoriedade depois de participar de alguns episódios do Miami Ink, ao lado de Nunez e Ami James.

No sábado do evento conseguimos uma entrevista exclusiva e super descontraída, ali de pé mesmo no stand da MCD, com todo o barulho do som que vinha do palco principal. Apesar de Nunez falar bem o português, a conversa foi em inglês, pra que fizéssemos todos juntos. Felizes por estarem no Brasil, eles contaram que o clima da Tattoo Week SP é maravilhoso e que viram muita gente boa trabalhando por lá.

Os dois também falaram sobre o que é preciso para ser um bom tatuador, o que eles sentem quando vêem uma tatuagem mal feita e o que gostariam de saber fazer melhor do que fazem.

Qual a principal característica que define um bom tatuador?

Chris Garver: A coisa mais importante que um bom artista deve fazer é ter a capacidade de interpretar o que a pessoa quer e encontrar um jeito de fazer com que a arte realmente combine com ela. Tem que ter em mente que aquilo é muito importante para ela, para a personalidade dela e que vai carregar na pele pela vida.

Chris Nunez: Acho que é isso, entender realmente o que foi pedido e o significado daquilo, “fazer a lição de casa”, encontrar e apresentar sempre o melhor para o cliente.

Os participantes do reality geralmente têm essa dificuldade em lidar com o público como cliente, né? Como trabalhar isso?

Garver: Para alguns, sim. O cliente procura o tatuador porque gosta de um estilo específico, acreditam que ele seja muito bom nele e, por isso, descobrir e investir em um estilo é muito bom, se especializar. Tem muita gente tatuando hoje em dia e eu acho isso ótimo! Muito bom que seja uma coisa que chegue a todo mundo. Até as tatuagens ruins.

O que vocês sentem quando vêem uma tatuagem mal feita em alguma prova do reality?

Nunez: Hmm… Acho que não é um bom sentimento quando vejo uma tatuagem que julgo ser horrível. Eu me sinto mal pelo cliente, talvez ele gaste muito dinheiro e sinta muita dor para mudar aquilo, porque se ele odiar aquela tatuagem, é isso, mais um gasto enorme de dinheiro e muita dor pra remover ou cobrir.

Garver: Acho que só quem pode dizer algo sobre ela é a pessoa que está com ela no corpo, o cliente determina a qualidade e o que aquilo significa para ele. É claro que todo mundo pode dizer o que quiser, mas só a pessoa que está com a tatuagem determina a qualidade e como ela se sente com ela.

Tem alguma técnica em que vocês não se consideram tão bons, mas gostariam de ser?

Nunez: Sempre tem alguma coisa em que se especializar, algo a aprender, coisas novas aparecendo. Há vinte anos atrás, por exemplo, quando eu comecei a tatuar, não imaginava que a tatuagem aquarela seria a onda do futuro. Tem muita coisa a aprender sempre, e a arte é uma liberdade de expressão, você pode fazer o que quiser, fazer o que o cliente está feliz em tatuar.

Garver: Eu gostaria de ser bom em desenhar qualquer coisa depois de ouvi-la, sem esboçar! (Risos)

Vocês inspiram muitos profissionais e sabem dessa “responsabilidade”. Qual o recado de vocês para os novos tatuadores?

Garver: Acho que as pessoas se inspiram em muitas coisas e é muito bom saber que os novos artistas reconhecem seu trabalho, acompanham, se inspiram, mesmo que eu já esteja nisso há mais tempo. A tatuagem tem uma longevidade grande, espero que sejam a inspiração de alguém lá na frente.

Nunez: Os tatuadores mais jovens vão ver o que estavam fazendo daqui a vinte anos e eu espero que eles olhem sempre à essência e incorporem o básico, a essência, no futuro.

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