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Há quem diga que a Playboy morreu faz tempo. E nós mesmos já matamos a coitada algumas vezes. Por uma capa não tão boa, por uma besteira publicada, por um posicionamento – principalmente pelas capas, digamos, “não tão boas”.

Foi uma longa e bela história de 40 anos da maior revista masculina do país e, um dia, a editora Abril, então responsável pelo título, anunciou que não mais publicaria a Playboy a partir de dezembro. Fizemos até um velório simbólico, relembramos bons momentos, ficamos nostálgicos e saudosistas. Até que fomos surpreendidos com a notícia de que não era um fim definitivo – aliás, não era sequer um “tempo”, aquele que às vezes precisam alguns relacionamentos. Viria uma revista começada do zero, ou melhor dizendo, começada da edição “1”.

Isso porque, há seis meses, André Sanseverino, um velho conhecido da editora Abril, soube do fechamento da revista e ficou interessado em comprar os direitos de publicação. André é jornalista e fotógrafo com mais de 20 anos de carreira, foi dono da Mega Model Paraná e já viajou para mais de 30 países fotografando mulheres como Gisele Bündchen, Isabeli Fontana e outros grandes nomes. Seus cliques estamparam publicações renomadas como Elle, Vogue, Capricho, Cláudia. Em dezembro de 2006 participou do concurso de Novos Talentos da Editora Abril sendo escolhido, entre três mil candidatos, como um dos cinco mais promissores fotógrafos da Playboy.

De fã e fotógrafo-revelação a vice-presidente e publisher, André assumiu a responsabilidade de comandar a revista que é quase um patrimônio público. Juntamente com seus sócios, os empresários Marcos de Abreu e Edson Oliveira, fecharam em dezembro o contrato de licenciamento com a Playboy Enterprises, detentora da marca, e colocam em circulação a primeira capa da nova Playboy em março deste ano.

A convite de André, fui conhecer a nova sede, perto da Avenida Paulista, em São Paulo, e saber quais são os planos deles para a nova versão da revista. Fui muito bem recebida e apresentada à pequena equipe que compunha a redação e, em uma conversa muito descontraída, André contou como tudo aconteceu, orgulhoso e animado.

Como foi que tudo isso começou? 

Há 6 meses atrás, eu estava na Abril, aí o Gabe [Rogério Gabriel Comprido, diretor-superintendente da unidade Notícias e Negócios da editora], que é um dos diretores de lá, me falou que a Playboy ia fechar. Eu quase não acreditei. Ele me respondeu: “Os valores são muito altos e a gente não vai continuar”. Foi quando eu disse que tinha interesse em comprar e ele me perguntou se eu estava falando sério. Eu disse: “Tô”. Ele falou: “Então tá bom, a gente tem uma reunião com a diretoria semana que vem e, qualquer coisa, eu te falo”.

Para minha surpresa, depois de uma semana ele ligou para mim e falou: “Olha, André, você tem uma história bonita dentro da Abril e vão fazer a ponte para você com os americanos. O negócio com a Abril foi muito aberto, eles fizeram uma carta formal me apresentando aos americanos. E a minha realização começou daí, do reconhecimento por parte da editora, de quem eu era.

Na fotografia eu sempre fui muito realizado. Em 2005 eu ganhei o Prêmio Playboy de Fotografia, dei palestra no Curso Abril, em todas as revistas. Então sempre foi uma relação muito bacana. E aí, depois que começou a negociação, entraram meus dois sócios. O Edson, que é um cara do mercado financeiro, super agitado e antenado, que é muito meu amigo, e o Marco Aurélio, que é o dono da Employer, que é a maior empresa de recursos humanos do Brasil, neste prédio aqui onde a gente está.

E seus sócios toparam de cara? Porque a situação das revistas e do impresso, em geral, não anda nada fácil…

Eu sou apaixonado pelo impresso, pela revista, em si. Tanto é que a nossa proposta é fazer uma revista premium, uma revista muito bonita. O papel vai ficar mais bacana, e uma série de coisas. E a marca Playboy está entre as 10 marcas mais conhecidas no mundo. Então a gente fala a “nova Playboy” porque vamos ter pontos muito fortes como o portal, a parte de mobile e ecommerce. Também a parte de eventos, toda festa de lançamento da revista vai ser uma superfesta. Não vai ser festinha, aquela coisa de abrir a balada antes, não. A gente vai realmente fazer um evento. E a gente também quer fazer um time muito forte de Coelhinhas que sejam celebridades. Queremos valorizar o papel da Coelhinha na marca. Então, se fosse pelos meus sócios, pensando só na revista impressa, eles não entrariam. Eles entraram porque eles vislumbraram a posição da marca, investimento e uma série de coisas, e é nisso que eles acreditam.

Então vai ser uma revista com mais presença digital?

Se você for ver, a maioria das revistas quando falam que “são digitais” ou “estão na internet”, é um PDF da revista. E não é essa a nossa proposta. A nossa proposta é ter um portal forte, com uma interatividade grande com os leitores. Tanto é que vai ter um monte de surpresinha de diferenças entre a revista impressa e o portal, conteúdo exclusivo, parte de assinantes do portal. Então por isso que é a “nova Playboy”.

Os critérios de escolha das capas vão continuar os mesmos?

Não, não. A gente quer mulher que tenha conteúdo. A Playboy é uma revista masculina, mas a gente gosta e respeita muito a mulher, então a proposta é totalmente diferente. A gente quer que o prazer de ser capa da Playboy volte. As nossas festas serão festas glamourosas, em que a nossa capa vai estar extremamente bem vestida e vai receber toda atenção que merece. Então a gente quer uma mulher que tenha uma história para falar. O critério beleza não é o único. Na verdade, a gente quer resgatar o que a Playboy é. Queremos que as mulheres se envaideciam de ter passado pela revista.

“É uma nova Playboy, uma nova linguagem. É até meio pretensioso falar assim, mas eu diria que dentro do que a gente entende e acredita, a gente realmente quer essa visão de valorizar e dar voz à mulher.”

As versões de vários países costumam colocar desconhecidas nas capas. Existe chance de acontecer isso aqui?

Sim. Como eu disse, queremos mulheres que tenham uma história para contar e o critério de beleza não é o único. Os americanos gostam do estilo “a vizinha”, a desconhecida, aquela coisa do voyeur mesmo. E sim, podemos ter isso por aqui também. Vamos ter um espaço para ouvir as sugestões dos leitores, para que ajudem na escolha das próximas capas, depois das primeiras edições. Queremos que comentem e sugiram nas redes sociais, onde quiserem. Tenho recebido já muitos e-mails de gente agradecendo porque vamos continuar a revista, dando sugestões e comentando. Já está sendo muito legal isso.

Visualmente, tem alguma mudança drástica?

É um novo projeto editorial, mas não. Algumas coisas novas, mas a espinha dorsal da revista vai ser mantida. Tem a liberdade editorial, então, na Abril não falava de carro porque tinha a Quatro Rodas; não falava de futebol porque tinha a placar; não falava de saúde porque tinha a Men’s Health. A gente não tem isso, vamos falar de tudo do universo masculino. Para você ter uma ideia, nós criamos uma editora para a Playboy. Somos totalmente independentes.

Pretende fotografar alguma capa?

Não. (Risos) Na verdade eu vou coordenar todos os ensaios, vão ter a minha supervisão, quero participar. Eu acho que ficaria aquela coisa meio “eu sou o dono da bola, eu sou o capitão do time, eu bato o pênalti”. (Risos) Por eu ter sido um dos ganhadores do prêmio Playboy de Fotografia, isso foi um divisor de águas na minha carreira. Uma vez eu até ouvi do [J.R] Duran, ele falou: “Eu faço 7 ou 8 capas da Playboy num ano. Não é isso o que me sustenta, só que é isso que me dá nome para publicidade e para uma série de outros trabalhos”. E comigo foi muito isso. Depois que eu ganhei o Prêmio, e em seguida eu ganhei um prêmio da Kibon também de fotografia, isso me abriu muitas portas. E uma das formas como quero retribuir é, em breve, ter de novo o Prêmio Playboy de Fotografia. E também, como já estamos fazendo na redação, trazer novos talentos em todas as áreas. Tem muita gente boa no mercado, a gente quer dar chance pra novos fotógrafos. É legal ter grandes nomes parceiros, e a receptividade está sendo muito boa nesse sentido, mas a gente tem que abrir espaço pra novos talentos.

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E a nudez será mantida?

Sim, mas vai ser a “nossa” nudez. Acho que uma das surpresas é isso, o nosso estilo, que a gente vai criar.

E se pudesse escolher qualquer mulher para a capa, qualquer uma, sem pensar em dinheiro, quem seria? A não ser que tenha conseguido, porque aí eu sei que não me contaria!

(Risos) Na verdade, eu acho que essa é uma escolha que não é minha. O que eu posso garantir é que a capa é um pedido dos leitores da Playboy.

Acho que a última negociação dificílima, que foi desejo dos leitores, foi a Cleo Pires, né?

É, acho que sim. Acho não, foi mesmo.

E vocês deram tempo de todo mundo fazer um velório para a Playboy antes de lançar a nova. Vão deixar todo mundo curioso até março!

Na verdade, a princípio, essa era uma das nossas maiores preocupações. A gente achava que tinha que fazer a edição de janeiro, mas aí o contrato é gigante, burocrático. Mas agora acho que foi a melhor coisa.

Porque deixou todo mundo na expectativa…

Sim! E outra, a gente foi notícia em todo lugar. Meia página no Estadão, meia página n’O Globo, na Folha, saímos no New York Times, foi uma coisa maluca. E a gente sabe de uma coisa, no dia 8 de março, que vai ser o lançamento da revista, no Dia da Mulher, a gente vai estar em tudo. Ou para ser elogiado ou para ser um grande mico! (Risos)

Ah, que bela homenagem! Então vai mudar a data de aniversário, que era em agosto?

Sim, tanto é que é a edição 1. Fechou um ciclo na Abril, então agora é a número 1. Mudou tudo.

Vamos esperar ansiosos então.

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