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A segunda semana da NFL teve jogos melhores que a primeira, tanto em qualidade como em emoção. Tivemos uma prorrogação no jogo Colts x Cardinals, um show ofensivo do Atlanta Falcons e do New England Patriots e um excelente jogo entre Kansas City Chiefs e Philadelphia Eagles.

Caso você seja como o Jô, atacante do Corinthians, e não sabe de nada, você pode ver os resumos dos jogos das 14h e 17h, do Sunday Night Football e também do Monday Night Football. De nada.

1 – A NFC não tem tantos times bons

A Conferência Nacional parecia ter várias equipes boas antes da temporada começar. Mas como antes da temporada começar até eu posso achar que sou quarterback, a previsão não demorou para se provar incorreta. Hoje, a Conferência Nacional tem exatamente UM time verdadeiramente, inegavelmente bom.

Vou começar eliminando. Lembre-se que estou fazendo o diagnóstico até o momento e temos tempo mais do que suficiente para essas boas equipes corrigirem as imperfeições.

O ataque do Dallas Cowboys não funcionou bem nas duas primeiras semanas, especialmente contra os Broncos. Dá para argumentar que o time enfrentou duas das melhores defesas da NFL, mas Detroit Lions e Los Angeles Chargers conseguiram conquistar terreno muito melhor contra Giants e Broncos, respectivamente, que os vaqueiros. A situação de Ezekiel Elliott e a NFL pode estar pesando psicologicamente.

O New York Giants tem um sério problema no ataque. A linha ofensiva é só uma parte. Os fãs dos Giants podem até não querer ouvir, já que Eli Manning é a razão principal para o time ter vencido dois Super Bowls nos últimos 10 anos. Mas o quarterback tem culpa nessa situação. Muita culpa.

O New Orleans Saints mais uma vez tem uma defesa tenebrosa. E o Carolina Panthers ainda não conseguiu se acertar no ataque e explorar o canivete suíço humano, Christian McCaffrey. O Tampa Bay Buccaneers jogou apenas uma partida, então ainda pode entrar na relação de times verdadeiramente bons da NFL, mas preciso ver mais.

 

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O Green Bay Packers foi estraçalhado na semana 2. A equipe é boa e provou isso na semana 1 contra o Seattle Seahawks, mas o time está com o vírus das lesões: David Bakhtiari e Bryan Bulaga na linha ofensiva, Mike Daniels na linha defensiva, Jordy Nelson teve uma lesão no quadríceps (não parece ser séria)…

Sobre o Detroit Lions e Minnesota Vikings, preciso ver mais. Os Lions porque está para nascer um time que goste de sofrer mais, sempre precisando arrancar vitórias a fórceps. Ah, pera aí, já nasceu e ele chama Los Angeles Chargers, que não sabe perder ou ganhar um jogo por diferença maior que quatro pontos.

E o Seattle Seahawks simplesmente não tem linha ofensiva. Chega a ser cômico o quanto Russell Wilson está sempre correndo risco de levar uma porrada que o fará quebrar no meio. Mesmo no touchdown da vitória em um jogo que não deveria ter sido difícil – contra os 49ers, ele teve que escapar de três e fazer o passe milagroso, parecendo o término de um filme ruim sobre futebol americano que na verdade trata sobre superação e família.

Então quem sobrou? Quem é inegavelmente bom na NFC? O time que perdeu o Super Bowl depois de estar liderando por 28 a 3 no intervalo. Falei mais sobre o Atlanta Falcons na coluna Redzone do Quinto Quarto. O time é versátil no ataque, rápido na defesa e passou por dois testes que checaram se o trauma do Super Bowl existia. Na primeira semana, com a partida contra o Chicago Bears perigando, a defesa segurou a vitória quando os ursos estavam na red zone. E no domingo, contra os Packers, o time abriu larga vantagem mas viu Aaron Rodgers cortar a diferença com dois TDs. Quando a torcida já estava procurando a navalha para cortar os pulsos, só para não ter que sofrer outra virada absurda nas mãos de um quarterback monstruoso, a reação foi dinamitada.

2 – A AFC tem muitos times bons

O New England Patriots é muito bom. E só não mostrou isso na semana 1 porque enfrentou outro time muito bom, o Kansas City Chiefs. Os Pats só tinham três wide receivers para a partida contra os Saints e dois deles se contundiram no meio da partida, entrando e saindo do gramado. Mesmo assim, Tom Brady ensinou como atacar e Josh McDaniels tava cheio de graça, colocando um fullback aberto para correr rotas. Isso é como o Guardiola colocar um zagueiro para ser lateral e mandar ele atacar como o Daniel Alves.

Ainda tem o Denver Broncos, com Trevor Siemian evoluindo a cada snap, os Raiders 2-0 e com Marshawn Lynch dançando freneticamente porque ele está sendo usado da forma devida – menos snaps que em Seattle, apenas quando sua força ridícula é mais do que necessária – e ainda tem o Baltimore Ravens com uma defesa estúpida e o Pittsburgh Steelers com seu ataque maldito, que ainda não botou nem terceira marcha porque não precisou.

3 – Caso você jogue Madden, esquece times com OL ruins

Eu acho o jogo Madden o melhor simulador de esportes que há, melhor até que FIFA. Não me odeie por essa declaração, dê uma testada porque conheço bastante gente que não gosta do esporte futebol americano, mas se diverte com o jogo e assim coloca o dedinho na água.

Para quem já tem alguma ideia do jogo ou é um gamer assíduo, já digo o seguinte: esquece o Seattle Seahawks. E a razão é muito simples, ficando evidente no jogo do time contra os Niners.

Quando você é um quarterback no jogo e tem 5 cones que não conseguem se movimentar lateralmente ou ficar na frente da defesa, todo plano que você tiver vai para o espaço. Quer mais tempo no pocket para um passe longo? Esquece. Ataque terrestre? Só se tiver muita sorte. E como é ter uma segunda para 10 e ver ela se tornar uma 3ª para 18 imediatamente porque seu left tackle nem viu a blitz vindo?

Nem adianta falar que a defesa é sensacional, porque é mesmo. Caso você precise de um drive da vitória nos últimos minutos, há 90% de chance de você ser interceptado porque teve medo de levar um sack e se apressou no passe. Já passei tanto por isso nos últimos dias que meus vizinhos nem querem me encontrar no elevador tamanho o repertório de palavrões.

4 – Não tem como a experiência Adrian Peterson em New Orleans dar certo

Isso já ficou evidente. O time tem um quarterback que vai para o Hall da Fama, então a ideia de trazer um running back que também será homenageado parece boa. Só que Peterson tem 32 anos e é um running back que sempre teve um jogo agressivo e não é forte recebendo passes. Ou seja, cada snap e porrada será sentida.

Além disso, os Saints são um time que joga pelo ar, sempre envolvendo múltiplos recebedores. E tem mais uma: Alvin Kamara está jogando bem e é uma ameaça dupla que Sean Payton ama. E Mark Ingram, que em 2016 teve sua primeira temporada de mais de mil jardas, foi premiado pela franquia com a contratação de Peterson e o draft de Kamara.

A diretoria dos Saints não sabe o que está fazendo e isso já acontece há alguns anos.

 

 

5 – A situação da NFL em Los Angeles é patética

A NFL ficou fora de Los Angeles por 20 anos, algo absurdo levando em conta que a cidade da Califórnia e seus entornos é o segundo maior mercado dos Estados Unidos. Pois bem, em dois anos, duas equipes resolveram pegar suas trouxas e ir para Hollywood. Só que a cidade não adotou nenhuma das duas equipes e isso se vê nos estádios.

O último capítulo dessa pífia novela aconteceu neste domingo. O Los Angeles Chargers jogou sua primeira partida no StubHub Center, após anos e anos jogando no Qualcomm Stadium, um dos estádios mais antigos da NFL e que penava para ser enchido. Pois bem, por essas e outras o time se mudou.

Só que o StubHub Center é usado, majoritariamente, para jogos de futebol, nosso futebol. E ele tem capacidade para 28 mil pessoas, algo ínfimo para a NFL, cujo menos estádio, tirando este, tem mais de 60 mil lugares. Imaginou-se que com o estádio acanhado, se criaria uma verdadeira atmosfera pró-mandante.

Tem um problema: nos Estados Unidos, é comum você comprar os ingressos para todos os jogos da temporada, mas caso você não possa ou não queira ir, revender seu bilhete. E como não há a estupidez de setor de mandante e visitante, você pode ter muitos torcedores do outro time, como tinha do Miami Dolphins neste domingo. Tanto que quando o kicker coreano Younghoe Koo (se pronuncia como você pensou mesmo) errou o chute que seria da vitória, se ouviu grande comemoração no estádio dos perdedores e até um canhão estourado sem querer pela organização dos Chargers.

E isso não será exceção em Los Angeles, tanto para Chargers e Rams, tanto para os Raiders quando o time for para Las Vegas. Ambas as cidades são lotadas de pessoas dos Estados Unidos inteiro que se mandaram para os grandes centros para ganhar dinheiro e ter trabalho. Quando o Dallas Cowboys, Pittsburgh Steelers, Philadelphia Eagles, New York Giants estiver nessas duas cidades, seus torcedores vão quase dividir a arena.

No caso específico de Rams e Chargers, sim, Los Angeles é um mercado gigante. Mas a cidade tem o Los Angeles Lakers e o Los Angeles Dodgers como queridinhos, o Los Angeles Kings (hóquei), Los Angeles Angels e Los Angeles Clippers como times “alternativos” e ainda cinemas, praias, teatros e todo tipo de espetáculo cultural para brigar pelo ingresso do entretenimento. Mais as universidades e suas equipes ultratradicionais.

Ninguém pediu para Rams e Chargers irem para L.A. E isso ficará claro nos próximos anos.