Tanto se fala em violência no futebol, rivalidade, torcida única em clássicos e punições, que acabamos nos esquecendo do quanto o esporte pode fazer pela paz. A Olimpíada Rio 2016 passou por aqui e renovou nossos votos de esperança pelo desejo de mudar o mundo através do esporte, mas essa renovação precisa acontecer de tempos em tempos.

Costumamos dizer aqui que o futebol “não é só futebol”. E zanzando pela timeline, encontrei esse post do pessoal da Redbull com 5 momentos em que o futebol parou a guerra e achei que merecia ser compartilhado aqui com vocês. O post original é este aqui.

Vamos relembrar:

1 – Uma pelada no campo de batalha

Já no começo do século, o futebol dava uma grande demonstração de sua capacidade de aproximar as pessoas, no episódio ficou conhecido como a Trégua de 1914, durante a Primeira Guerra (1914-1918). Segundo registros históricos, desde a véspera do Natal, soldados alemães e ingleses cantavam juntos músicas natalinas em suas próprias trincheiras, mas no dia 25 resolveram largar as armas e abandonar seus postos para confraternizar.

Trocaram a comida que tinham, beberam vinho e até organizaram um jogo de futebol. Depois do Natal, o conflito prosseguiu, mas naquele momento o futebol interrompeu a guerra e superou as divergências. O episódio serviu até de inspiração para a música Pipes of Peace, de Paul McCartney. No clipe, ele faz dois papéis, um soldado alemão e outro inglês.

2 – Quando a guerra parou para ver Pelé

É normal que um time como o Santos de Pelé tenha em torno de si uma aura mítica. É mais impressionante ainda quando o que parece lenda aconteceu de verdade. Em 1969, o time da Vila Belmiro realizou excursão pela África e, quando chegou ao Congo, se deparou com uma situação tensa, pois o país vivia uma guerra pós-independência. Dirigentes do Santos optaram por cancelar o amistoso, mas a população estava tão maravilhada com a possibilidade de ver Pelé que foi costurado um acordo para que a guerra fosse interrompida enquanto o Santos estivesse no país.

Diante da comoção popular, o amistoso acabou virando uma série de três partidas. Pelé marcou quatro gols. Semanas depois, ainda no continente africano, outro conflito armado, na Nigéria, foi suspenso para que a população pudesse ver o maior jogador do mundo em atividade. Dias em que a paz prevaleceu em algumas das regiões mais bélicas do mundo para que todos pudessem assistir ao Rei do Futebol.

3 – A seleção brasileira e o Jogo da Paz

O Haiti vivia uma crise política extrema em 2004, quando integrantes do exército começaram um levante militar após a eleição de Jean-Bertrand Aristide, o que provocou sangrentos confrontos. O presidente acabou deposto e o Brasil liderou uma missão de paz para atuar no país. Em agosto daquele ano, os conflitos no país foram interrompidos para a chegada da seleção brasileira, então campeã mundial, que teve recepção comovente para disputar uma partida amistosa contra os haitianos, com o objetivo de iniciar uma campanha de desarmamento.

Os jogadores foram ovacionados em percurso a céu aberto até o estádio na capital, Porto Príncipe, e vários afirmaram que foi uma das experiências mais emocionantes que tiveram. Com a presença de Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo, os brasileiros levaram o público ao delírio e venceram por 6 a 0, gols comemorados pelos próprios haitianos, naquele que ficou conhecido como “O Jogo da Paz”.

4 – O time que desafiou o Nazismo

O Dínamo de Kiev era considerado o melhor time de futebol da Europa antes da Segunda Guerra (1939-1945). Durante a ocupação de Kiev, vários jogadores da equipe formaram o F.C. Start, que participou de forma decisiva da resistência à invasão nazista ao vencer uma série de jogos contra a equipe da Luftwaffe, a força aérea alemã. Ameaçados de morte em caso de vitória, os jogadores ucranianos deram uma demonstração de bravura e apoio à liberdade. Não apenas venceram como humilharam o time alemão.

O ato de coragem ajudou a inflamar a resistência ao Nazismo, mas também teve consequências trágicas: muitos jogadores do F.C. Start foram presos, torturados e assassinados. Até hoje, aqueles atletas heroicos são homenageados com um monumento em frente ao estádio, onde se lê a seguinte frase: “Aos jogadores que morreram com a cabeça levantada ante o invasor nazista”.

5 – Drogba, o pacificador da Costa do Marfim

Tudo que Didier Drogba fez pelo futebol parece pequeno diante de sua influência na história da Costa do Marfim. O país se arrastava em uma sanguinária guerra civil há três anos, quando, em 2005, após garantir a primeira participação da seleção em Copa do Mundo, Drogba fez um discurso marcante em que pedia perdão de todos os lados, gerando o primeiro cessar-fogo desde que o conflito havia começado.

Em 2007, o jogador exigiu que uma partida contra Madagascar fosse realizada na cidade de Bouaké, capital da rebelião e sede das tropas rebeldes. Drogba foi recebido como herói na cidade e um tanque rebelde conduziu a seleção até o estádio, onde guerrilheiros e governistas assistiram ao jogo lado a lado. Poucos meses depois, um tratado de paz foi assinado, e até hoje Drogba é celebrado como o personagem que acabou com a guerra civil de seu país.