A Europa não é mais o destino predileto da boleirada. Desde 2014, a China entrou com os dois pés na porta desse mercado tão competitivo.

 Antes obscuro, o futebol chinês ganhou as páginas dos jornais mundo afora por suas compras vultosas, resultado do aquecimento econômico do país nos últimos anos. Pelo menos por enquanto, o dinheiro fala mandarim.

 Tudo começou efetivamente em 2011, quando o Guangzhou Evergrande tirou Conca do Fluminense e o fez o terceiro jogador mais bem pago do planeta àquela altura, com vencimentos mensais de quase R$ 2 milhões. O precedente estava aberto.

 Depois de um breve hiato, a China mostrou ao mundo que não estava para brincadeira. Em 2016, levou meio time do então campeão brasileiro Corinthians e ainda “cutucou” os gigantes europeus, tirando de lá nomes como Gervinho, Lavezzi e Jackson Martínez.

 É cedo pra dizer se a China continuará nadando no dinheiro e atraindo cada vez mais astros da bola, mas o fato consumado é que eles ainda não conseguiram montar uma seleção decente.

Uma seleção que não engrena

Apesar de todo o investimento no mercado interno, o selecionado chinês capenga e não é de hoje. Não ganha Copa da Ásia e amarga uma fila de mais de uma década sem classificação à Copa do Mundo. Para a Rússia-2018 o cenário segue inalterado.

 Ao final de mais uma rodada das Eliminatórias asiáticas, a China é apenas a quinta colocada no Grupo 1, com cinco pontos e três rodadas restantes. Lembrando que, nesse estágio do qualificatório, só os dois primeiros colocados avançam direto ao Mundial e o terceiro disputa uma repescagem regional. Os chineses estão a oito pontos da Coreia do Sul, vice-líder da chave, o que quer dizer que não, não teremos os vermelhos em solo russo.

 Para piorar, as categorias de base não dão frutos. A China tem apenas um título continental sub-19 (na Ásia é a categoria que precede o profissional), conquistado no longínquo ano de 1985. De lá pra cá, foi vice em duas oportunidades, a última delas em 2004.

 Com tudo isso, a posição da China no ranking da Fifa não podia ser mais pífia: 86ª, atrás de times como Curaçao (75º), São Cristóvão e Nevis (73º) e Haiti (69º).

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