Todo mundo sonha em ser Cristiano Ronaldo, Messi ou Neymar. Difícil mesmo é ser Ángel Romero.

Contratado pelo Corinthians em 2014 sem qualquer badalação, o atacante paraguaio logo deixou claro que não seria ídolo pela técnica refinada e faro artilheiro. Romero gostava mesmo era do corpo a corpo, do jogo combativo, batalhado.

O início não foi fácil, evidentemente. Nos poucos minutos que tinha em campo produzia pouco. Sem confiança, errava passes simples e quase não levava perigo ao gol rival.

(Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians)

Em 2015 ganhou um pouco mais de espaço com Tite, mesmo num time em que a bola passava de pé em pé, com Renato Augusto e Jadson na batuta do meio-campo. Ficou marcado por marcar duas vezes no inesquecível 6 x 1 ante o São Paulo, já com o Brasileirão ganho.

Tite foi para a seleção e Romero foi alçado definitivamente à titularidade com Cristóvão Borges e, posteriormente, Oswaldo de Oliveira. O Corinthians foi apenas figurante no Brasileiro, Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira não ficaram pra contar a história e os dias de Romero pareciam contados no Parque São Jorge.

Mas aí veio Fabio Carille.

Desde a pré-temporada Carille deixou claro que era fã de Romero. Não abriu mão do paraguaio no inesperado título paulista. Sem grandes contratações para o Brasileiro, a chance mais uma vez caia no colo do paraguaio. Coerente, Carille manteve o seu “talismã”.

E não é que Romero foi além do esperado no principal campeonato do futebol nacional? Em 29 jogos até esta quarta, foram apenas três gols. Número pífio em se tratando de um jogador ofensivo, mas Romero quase não foi atacante nos últimos meses. Ele jogou para Fagner, Balbuena, Gabriel e Jadson. Foi uma espécie de “multi-homem” do Timão.

Graças ao estilo abnegado do camisa 11, muitos atacantes adversários foram desarmados na “hora H”. Suas arrancadas em velocidade também desarmaram muitas defesas e ajudaram a construir jogadas de gol.

Muitos se lembrarão de Jô, Cássio e Rodriguinho, mas o título brasileiro do Corinthians em 2017 tem a cara de Romero. A torcida sabe disso.

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