mulheres-no-futebol_torcedoras-brasilHá alguns meses subimos, neste mesmo espaço, uma reportagem sobre mulheres que gostam e entendem de futebol. Enquanto montava a pauta, conversei com algumas seguidoras no Twitter (como faço sempre) e foram aparecendo histórias malucas/engraçadas/tristes envolvendo futebol. Pedi que fossem me mandando seus relatos por e-mail e aqui estão, para lembrar que, sim, tem mais mulher fazendo maluquice por futebol do que vocês imaginavam.

Não acho que eu tenha alguma boa história pra contar, mas guardo algumas comigo. Menti algumas vezes pros meus pais para ir ao Pacaembu ver o Corinthians (vi a despedida do Tite, a aposentadoria do Alessandro e uma derrota vergonhosa para o São Bernardo em 2014) porque eles acham perigoso demais uma mulher ir ao estádio, aquela coisa. E há pouco tempo fui ao último jogo no Pacaembu ver Palmeiras e Atlético Mineiro, na torcida organizada do Palmeiras. E eu tinha caído de moto no dia anterior, meu pé estava inchado, mas fiquei lá fingindo que sabia contar aquelas músicas horríveis e batia palma fingindo um sorriso, com medo de apanhar se me descobrissem. Ah, e teve a vez que viajei a Brasília e fiz um drama digno de novela mexicana, chorar, pra um guarda me deixar entrar no Mané Garrincha só pra dar uma olhadinha.

Aqui, temos história de quem quase perdeu (ou perdeu) o namorado por causa de futebol; de quem realizou sonho de conhecer estádio; de quem ficou tão ansiosa pra realizar um que perdeu a voz; de quem apostou o salário na vitória do time e perdeu! A mulherada não está pra brincadeira. E, como bem já disse a sábia pensadora Ângela Bismarchi: “Mulher e futebol são uma calcinha de surpresas”.

Luciana Ferreira, analista de T.I.

“Era uma tarde de domingo, eu estava prestes a tentar um ingresso para ver Vasco x Flamengo no Maracanã. O lugar estava cheio de cambistas e eu estava sozinha com uma camisa do Vasco, andando de um lado para outro na esperança de achar alguém conhecido ou uma boa alma que não me vendesse o ticket por um rim em troca! Esbarrei com um fofo Vascaíno chamado Felipe. E, para a minha sorte, o gato estava querendo vender uma entrada pois a garota que saia com ele desistiu em cima da hora. Resumo: ganhei o ingresso, assisti ao jogo e ainda passei a noite com o cara! Infelizmente, ele nunca mais apareceu e perdemos contato. Acontece, mas valeu pela diversão do jogo. Meu time perdeu com um gol roubado e choramos de raiva juntos!”

Camila Teixeira, bióloga

“Desde que consigo lembrar sou apaixonada por futebol e pelo Cruzeiro Esporte Clube. Comecei a namorar e o rapaz sempre soube que eu era apaixonada por futebol e que, em dia de jogo, eu não fazia mais nada a não ser ficar na frente da TV. Dizia ele que tinha um time, mas que não gostava muito do esporte e também não acompanhava os jogos. Num domingo, depois de almoçar e prosear na casa dele, estava louca para voltar pra minha casa e ver o jogo com meu pai (lembro que em 2006 não foi um ano muito bom para o Cruzeiro). Não sei o que passou na cabeça do rapaz que, perto das 16h, ao invés de me levar para casa, queria dar uma namoradinha na praça. Eu disse que precisava ir para casa porque o jogo já ia começar e já tínhamos passado a manhã toda e parte da tarde juntos – ele não entendeu. Foi quase 1h de discussão e eu estava um pouco longe de casa. O argumento dele era que eu parecia gostar mais de jogo do que dele e eu o lembrei de que sabia muito bem como eu era antes mesmo de começar a namorar. Resumindo, perdi o primeiro tempo, tive que ir para casa a pé (emburrada) e ficamos quase dois dias sem nos falar. No final acabamos fazendo um acordo de que eu veria os jogos do meu time e, quando ele pudesse, assistira comigo. Passou um tempo, terminamos e hoje estou namorando com um rapaz que gosta tanto de futebol quanto eu. Apesar de não torcermos pro mesmo time, nos divertimos assistindo jogos juntos. Bem melhor assim!”

Syanne Neno, jornalista e autora do blog Neno de Salto

“Em 2002, o Paysandu disputou a final da Copa dos Campeões contra o Cruzeiro, em Fortaleza. Faltando uma semana pra o jogo, meu chefe avisou: “Pode fazer as malas. Serás a repórter que vai cobrir a decisão, inclusive com matéria nacional”. Não seria apenas minha primeira viagem a trabalho para fora do estado depois de 10 anos, seria o jogo mais importante da história do futebol paraense, com o meu time de infância disputando um título inédito e uma vaga pra Libertadores. Alem de tudo, o jogo ainda seria em Fortaleza, cidade onde moram tios e primos os quais eu não via há quase 10 anos. A ansiedade pela viagem foi tanta que eu fiquei completamente afônica. Fui ao otorrino, ele fez todos os exames possíveis e diagnosticou a rouquidão psicológica! Teria sido melhor ele não ter dito isso pra mim. Passei dois dias fazendo gargarejos, experimentando todas as receitas caseiras e nada da voz voltar. Era tarde demais. Uma repórter que tinha entrado na TV há poucos meses viajou no meu lugar. Foi só o avião partir rumo a Fortaleza para minha voz voltar.”

fran-spfcAline Santos, estudante de Engenharia

“Eu trabalhava com um colorado num escritório de contabilidade e apostei o salário do mês na final da libertadores de 2006, que São Paulo ganharia o bi campeonato. Resultado: o tricolor perdeu e eu paguei a aposta. Sem o título pro meu soberano e sem dinheiro.”

“Teve outra história. Eu dava uns pegas num cara, era um rolinho de faculdade que foi ficando mais sério com o tempo, comecei no final do ano e quando as aulas voltaram estávamos engatando um namoro, enquanto isso rolava o campeonato Paulista, existia as trolagens por ele ser corinthiano e eu são paulina, mas na semi final, quando o São Paulo perdeu pro Corithians nos pênaltis, ele veio zoar. Eu pedi a ele pra parar, ele continuou e pior: falou mal do Rogério Ceni. Pra mim, a relação acabou ali. Eu aceito até traição, mas São Paulo pra mim é sagrado.”

fran-AnfieldBrunna Paese, empresária e poetisa

“Fui para Liverpool assistir ao jogo do Liverpool x Manchester City, visitei o museu do futebol em Manchester e assisti ao jogo no Wembley do Brasil x México em Londres nas Olimpíadas. Minha história com o futebol é longa, da época que eu ia jogar bola com os meninos no colégio. Sempre fui amante do esporte, de acompanhar time, saber nome de jogadores e tudo. Tenho coleção de camisa de futebol e sempre que viajo incluo conhecer estádios no roteiro. Com o tempo isso foi mudando um pouco e passei a acompanhar menos os jogos, principalmente por ser Palmeirense e há tempos não ver o time tão bem. Sou fã do Liverpool faz uns 10 anos, mais ou menos, e comecei a acompanhar o campeonato inglês e a Champions League por conta de um namorado que era bem fã. O Anfield é bem diferente, ele não é tão grande como os outros estádios da Inglaterra, mas ele tem uma acústica impressionante, o que faz tremer quando cantam ‘You’ll never walk alone’, momento que nunca esquecerei. O jogo acabou empatado, mas valeu muito a pena, não só para estar no estádio vendo o Liverpool jogar, principalmente por sentir aquele momento que sempre quis viver.”

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