É sempre difícil achar um assunto só para falar sobre o Super Bowl. No caso da 52ª edição, que aconteceu neste domingo, há várias coisas para falar. A Gisele sendo mostrada mais de uma vez pela transmissão – dava para apostar em Las Vegas que isso aconteceria mais ou menos de duas vezes -, o show do Justin Timberlake que ainda deixou alguns fãs de Prince bravos, o fato de estar -16 graus fora do estádio. Calma, fãs da NFL, eu sei que tivemos coisas acontecendo no jogo.

Assim como no nosso futebol, na NFL há um certo preconceito contra equipes que vão para o mercado com os cofres cheios para comprar os jogadores de outros times. Com certeza é muito mais romântico criar os jogadores na sua base, ou no caso do futebol americano e da National Football League, escolher eles logo após a universidade.

 

THE @philadelphiaeagles ARE SUPER BOWL CHAMPIONS! #SBLII #FlyEaglesFly

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O Philadelphia Eagles teve sua dose de escolhas saídas diretamente da faculdade, mas no Super Bowl LII nós vimos o time da Pensilvânia mostrando como se reforça um elenco na offseason. E o melhor: diferentemente do Manchester City e do Paris Saint-Germain, uma equipe da NFL não pode simplesmente assinar cheques a torto e direito, já que há um teto salarial bastante restritivo. Muito mais que o fair play fiscal da UEFA.

Depois da era Chip Kelly, onde o time se livrou de suas duas maiores estrelas – DeSean Jackson e LeSean McCoy – os Eagles estavam sem muito horizonte e um elenco bastante desfalcado. Na primeira temporada de Doug Pederson foram apenas cinco vitórias. Eis que Howie Roseman, que está na franquia há mais de uma década, mas com Kelly foi colocado para escanteio na organização, foi ao mercado.

O reforço mais importante foi o wide receiver Alshon Jeffery. Escolhido pelo Chicago Bears, ele mostrou logo de cara ser um excelente jogador, físico mas ágil na medida certa. O problema foram as seguidas contusões e a completa bagunça dos Bears. Mesmo assim ele disse “nós vamos ganhar o Super Bowl” ao final de 2016 e todos pensaram que ele estava louco. Ele estava certo, ganhou, mas não em Chicago e som porque foi contratado pelos Eagles em um acordo de apenas um ano, que exigia que ele comprovasse sua qualidade e a manutenção de sua força física. Ele mais do que comprovou isso em 2017 e já ganhou um novo contrato.

Mesma coisa de LeGarrette Blount. Campeão do Super Bowl pelos Patriots na temporada passada, o parrudo running back já tinha saído de New England para outro time da Pensilvânia e se dado mal nos Steelers. Vamos só dizer que uma certa erva estava envolvida.  Mas dessa vez nos Eagles ele só mostrou seu lado bom, atropelando defensores rivais. Ainda ganhou a companhia de Jay Ajayi, outra contratação de Roseman que veio por uma troca com o Miami Dolphins que se mostrou péssima para o time da Flórida e ótima para os atuais campeões. A razão para os Fins terem se livrado de um de seus destaques teria sido um caso de indisciplina.

 

Only one QB has ever thrown for a TD and caught a TD in the same #SuperBowl.

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Ou seja, Roseman deu armas para Carson Wentz, que tinha ido bem em sua temporada de calouro mas em seu segundo ano mostrou uma evolução incrível, sendo candidato a MVP. Até estourar seu joelho como se fosse uma rolha de garrafa de cidra Cereser no Reveillon na praia. Eis que entra o último reforço, um velho conhecido.

Uma das poucas coisas que a era Kelly mostrou de bom foi basicamente a criação de Nick Foles. Draftado em 2012 na terceira rodada pelo Philadelphia Eagles, em 2013 o QB aproveitou uma das 400 lesões de Michael Vick para virar titular e teve uma campanha incrível de 27 touchdowns e duas interceptações, levando o time aos playoffs.

O problema é que depois disso veio um gigantesco nada. Nos Eagles e quando trocado para o St. Louis Rams, indo para o banco e sendo cortado rapidamente. Ele ainda passou pelo banco do Kansas City Chiefs antes de contemplar a aposentadoria e voltar para os Eagles como reserva.

A redenção de Nick Foles

Como as forças sobrenaturais podem ser muitas vezes sacanas, Wentz se machuca, Foles entra e o mundo inteiro acha que os Eagles estão fora da disputa. Nos treinos das equipes da NFL, diferentemente do futebol, os reservas mal treinam, já que os treinamentos são limitados em duração e frequência e os treinadores preferem usar as repetições com quem vai jogar. Por isso quando Foles entrou ele parecia mais verde que o uniforme da equipe.

Mas agora titular, ele aos poucos foi ganhando ritmo, os Eagles folgaram na primeira semana dos playoffs e ele já foi melhor na 1ª partida da pós-temporada. Na 2ª, contra os Vikings, ele destruiu. E na 3ª partida, que teve duas semanas de diferença para o jogo da final de Conferência, Nick Foles acabou com a defesa dos Patriots e foi eleito o MVP do Super Bowl.

Ou seja, seja trazendo um campeão que precisava se provar fora de New England, um jovem jogador com problema de lesões, um atleta que teve um caso de indisciplina ou então um velho conhecido, os Eagles fizeram um excelente trabalho contratando jogadores. O Draft segue sendo muito importante para formar um elenco, mas de vez em quando é bom olhar para o mercado. O Philadelphia Eagles, pela primeira vez campeão do Super Bowl, prova isso.

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