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Algo comum a todo fã de futebol americano. Você sentou pra ver o Super Bowl com amigos que não acompanham o esporte e ficou dando explicações diversas porque, é claro, eles ficaram impacientes com tanto tempo de jogo a mais do que devem estar acostumados. Namorada, amigo ou parente, a reclamação é sempre a mesma: “Por que para tanto?”, “Nossa, quanto intervalo!”. E tem mesmo.

Há várias razões para um jogo de futebol americano, e mais especificamente, da NFL, parar muito. Abaixo vou fazer a vez de advogado do diabo. Não vai te deixar mais tranquilo na hora que os anúncios começarem pela décima vez em dez minutos. Mas pelo menos pode te fazer esperar pela ação em campo depois disso.

Futebol americano é um jogo hiperestratégico

A razão para ter muito tempo entre jogadas e uma partida de 60 minutos no relógio durar, na verdade, algo próximo de três horas é a estratégia envolvida. Um jogo de xadrez entre dois profissionais não dura 2 minutos. A menos que seja uma edição do 7 a 1 em um tabuleiro. Tem toda uma reflexão sobre o próximo movimento.

Uma equipe da NFL tem um time do ataque, um time da defesa e um time de especialistas, que entra depois das pontuações para o kickoff ou em situações de chute. Só o fato de cada time, composto de 11, ter que entrar e sair de campo, já gasta tempo. Ainda mais quando alguns espécimes ali pesam quase um carro.

Além disso, podemos discutir aqui por horas porque o futebol americano é mais tático que handebol, basquete e rúgbi, três esportes que também usam as mãos. Mas o fato é que ele é, com cada time tendo um livro de jogadas que faz a Bíblia parecer um resumo de Dom Casmurro. Cada jogada é “chamada” por um dos treinadores, que passa por comunicação eletrônica para seu quarterback e este passa para os jogadores em campo. No futebol, o jogador está com a bola e o treinador está gritando no ouvido. E tudo rolando. Não dá para, no esporte da bola oval, o recebedor ouvir o treinador, correr a rota, olhar para o quarterback e ainda se preocupar com o armário de 120 quilos de músculo vindo na direção dele e com permissão para dar porrada.

Então, amigo, pega a cerveja, fala com alguém, vai no banheiro e deixa o intervalo rolar. Isso faz o jogo ser melhor e mais complexo.

A influência da televisão

A questão de ter tanta pausa no jogo está coberta então: é por causa da estratégia. Mas então por que não ver essa estratégia sendo desenvolvida e concebida? Porque a televisão precisa ganhar dinheiro. As emissoras que transmitem a NFL pagam em média, US$ 3 BILHÕES POR ANO desde 2013 até 2022. Ou seja, tem que ter muito anúncio para compensar tudo isso. Tanto que no fim do segundo e do quarto quartos têm até um tempo no jogo, programado pelas regras, para a televisão veicular seus anúncios antes dos momentos de emoção.

Todo esse dinheiro significa contratos maiores para os jogadores, mais jogos transmitidos na televisão e mais desenvolvimento para a liga e suas franquias. E se a franquia for inteligente, cobrar menos em outras coisas. O Atlanta Falcons, por exemplo, vai colocar preços bastante populares nas comidas e bebidas do novo estádio. Você assiste um jogo sensacional e come pagando preço de salgadinho da rodoviária do Tietê. Quem sabe isso inicie uma concorrência com outros times da liga.

E o espetáculo

Isso é uma reação ao primeiro item desse texto. Com tem muitas paradas, você continua tendo um público para entreter. Aqui vale para os estádios: a bola parou, o show continuou. Cheerleaders, entrega de brinde, malabarismo, homenagens, um cavalo, câmera do beijo, sempre tem alguma coisa.

Conclusão

Claro que não é fácil ter que explicar isso quando a Daniela Cicarelli entrar na sua televisão para falar como ela é legal no anúncio do celular com rádio. Mas passa esse texto aqui que vai dar para entender a razão.

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