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2016 chegou ao fim, intenso e cheio de emoções. No futebol, a bola rolou macia para muitos e bem quadrada para tantos outros. Coisas da vida.

Para encerrar o ano em clima de positividade, pinçamos os cinco momentos mais sensacionais que ocorreram dentro dos gramados mundo afora.

Leicester conquista título da Premier League

Não existe mais bobo no futebol. Nem na Premier League, onde os poderosíssimos Manchester United, Manchester City, Chelsea e Arsenal sobram na grana e na bola. Mas algo de especial e raro aconteceu na temporada 2015/2016.

O pequeno Leicester, de orçamento modesto e currículo miserável, resolveu dar as cartas. Com um time baseado na força defensiva e no talento quase solitário de Vardy e Mahrez, os Foxes fizeram uma campanha impecável, sem margem para erros, derrubando os grandões e conquistando com duas rodadas de antecedência o inédito título inglês.

+ 5 jogadores do Leicester que fariam a diferença no seu time

Na último jogo da temporada, o da entrega da taça, show em campo do tenor italiano Andrea Bocelli, de quem o técnico e conterrâneo Claudio Ranieri é fã.

Desde a fundação da Premier League, em 1992, somente o Blackburn, em 1994/1995, havia conseguido este feito na condição de total azarão.

Medalha de ouro brasileira na Olimpíada

A Olimpíada do Rio de Janeiro parecia a oportunidade derradeira do Brasil conquistar o tão cobiçado ouro no futebol masculino.

Designado para a missão olímpica, o técnico Rogério Micale convocou o que tinha de melhor, mais Neymar, que abdicara das férias para jogar o torneio. Nas duas primeiras rodadas, contra África do Sul e Iraque, duas duchas de água gelada: empates sem um gol sequer e futebol bem abaixo do esperado.

Contra a Dinamarca, em jogo que valia a passagem pro mata-mata, um tostão de bom futebol. 4 x 0 e a percepção de um time que podia ir mais longe.

Veio Colômbia nas quartas e a vitória foi autoritária: 2 x 0. Nas semifinais, goleada por 6 x 0 ante Honduras com Neymar no papel de maestro e Gabriel Jesus letal. A final era contra ninguém menos que a Alemanha.

+ O ouro no futebol veio. E, por favor, não falemos mais sobre isso

Ok, os alemães não tinham um único remanescente do 7 x 1, mas lá estava aquela camisa que tanta dor de cabeça nos causara em 2014.

Primeiro tempo satisfatório, golaço de falta de Neymar. Na etapa complementar, empate consumado e a aflição tomava conta de todo o Maracanã.

Decisão nos pênaltis. O placar apontava 4 x 4 até que Weverton defendeu uma cobrança. Coube a Neymar o peso de anos e anos de expectativa frustrada. Com classe, o capitão deslocou o goleiro e chorou. Somos ouro.

Eder (?) fez o gol do título de Portugal na Euro

Portugal chegou a Euro como franco-atirador, dependendo quase que exclusivamente de dias inspirados de Cristiano Ronaldo. Na fase de grupos, três empates e classificação no aperto. Enquanto isso, França, a dona da casa, Itália e Alemanha mostravam futebol bem superior aos lusos e se credenciavam ao caneco.

Nas oitavas, Portugal, pra variar, penou, mas bateu a Croácia, uma das surpresas da primeira fase, nos pênaltis. O resultado encheu de ânimo o time comandado por Fernando Santos. Mas sonhar com uma final àquela altura parecia até piada.

Nas quartas, novo sofrimento, dessa vez contra a Polônia. Certeiro novamente na marca da cal, Portugal cavou seu lugar entre os quatro melhores.

O rival nas semifinais era País de Gales, disparado a grande sensação do torneio. Cristiano Ronaldo jogou o que devia e Portugal ganhou seu primeiro jogo sem sustos. A piada virou coisa séria, seríssima.

+ Euro 2016 teve um time inteiro de desfalques, com goleiro e tudo

Final contra a França, em Paris. Cenário montado para a apoteose dos “Bleus”. Ainda mais depois da saída de Cristiano, contundido, logo no início do duelo. Fim do sonho português? Não.

Numa das poucas chegadas ao gol de Lloris, Eder, jogador obscuro que mal havia entrado em campo, disparou um petardo de perna direita pra estufar as redes, já na prorrogação. Era o desfecho com requintes de crueldade para o sonho francês.

Os portugueses, assim, colocaram uma pedra sob a pecha de “perdedores” que sempre rondou o time, sobretudo depois da derrota em casa para a Grécia na Euro de 2004.

As homenagens e solidariedade do Atlético Nacional

Bola no pé, futebol vertical, destemido, dentro e fora de casa. Assim o Atlético Nacional bateu todo mundo e ganhou merecidamente a Libertadores. Ainda na condição de campeão continental, avançou até a final da Sul-Americana. É aí que a história do time colombiano começa a mudar.

Na antevéspera da decisão contra a Chapecoense, o avião que conduzia o time brasileiro, mais jornalistas, caiu a poucos metros do aeroporto de Medellín, vitimando 71 pessoas. Uma tragédia sem precedentes no esporte.

Horas depois de anunciada a queda do avião, o próprio Atlético formalizou à Conmebol o pedido para entregar o título ao rival. Mas o melhor ainda estava por vir.

Na quarta-feira em que seria disputado o primeiro jogo, dia 30 de novembro, o Atlético foi mais do que um clube de futebol. Numa iniciativa de arrepiar, pediu aos seus torcedores que comparecessem ao Atanasio Girardot trajando branco. No centro do gramado, uma linda solenidade em memória aos que se foram. Nas arquibancadas, o grito de “Chape” ecoou por quase 2 horas.

Ali, naquela noite, o Atlético ganhava espontaneamente o coração do torcedor brasileiro. E sem precisar entrar em campo.

Messi se aposentou da seleção argentina, mas voltou atrás

A Copa América Centenário, em junho, foi traumática para um personagem em especial. Messi, derrotado em mais uma final – a segunda consecutiva contra o Chile -, deixava o campo desolado, em frangalhos.

Aos microfones argentinos, parecia decidido: “É o final. Isso não é pra mim”. Messi tomava o rumo de casa aposentado da seleção argentina. Com apenas 29 anos e muita lenha pra queimar.

Durante o recesso no futebol europeu, Tata Martino pediu demissão e a AFA (federação argentina) contratou Edgardo Bauza, que tinha, antes mesmo de assinar o acordo, uma única missão: convencer Messi a voltar.

+ 5 lendas do esporte que se aposentaram em 2016

Bastou uma conversa franca para o gênio argentino declinar da própria decisão. Ele estava de volta, e Argentina voltava a sorrir, de certa forma.

Em setembro, clássico contra o Uruguai, em casa, pelas Eliminatórias para a Copa. A estreia de Bauza no comando técnico era um detalhe irrelevante.Todos estavam no estádio Malvinas Argentinas para ver o seu camisa 10.

Messi jogou muito, pra variar. Armou, finalizou, fez de tudo. E, como num conto de fadas, salvou a “albiceste”. Sozinho, construiu o gol da vitória por 1 x 0, chutando a bola entre um mundaréu de zagueiros uruguaios.