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Em uma determinada cena da quinta temporada de Sons Of Anarchy, Jax Teller consola uma recém viúva mostrando que apesar da situação dizer o contrário (a morte de seu companheiro), ela nunca mais estaria sozinha. Em um gesto simples, ele aponta para as várias pessoas presentes no velório e diz “essa é sua família a partir de agora”. São momentos assim que mostram que Sons Of Anarchy vai além de simplesmente tentar emular o cotidiano de um moto clube.

O conceito de família é parte do DNA da série, e não é por menos que desenvolvemos uma relação de afeto com esses personagens que, no fim das contas, não passam de criminosos. Esse sentimento de proximidade acontece justamente pelo fato de Kurt Sutter explorar de uma maneira bastante íntima o relacionamento entre eles, ao mesmo tempo que injeta uma dose poderosa de ação e momentos que pura insanidade.

Apesar de uma hierarquia bem definida, o que liga os membros da SAMCRO é algo maior do que simples regras internas. Os laços criados transcendem até mesmo definições como “amizade”, já que ali o que vemos são pessoas compartilhando os mesmos ideais sobre honra, respeito e obviamente família.

Duas vias

O que nos leva a entender uma das razões de Sons Of Anarchy se eternizar no imaginário dos fãs. Enquanto muitas séries recorrem à morte como um simples fator para mover a trama, em SoA ela se torna uma perda real. Isso é fruto de um desenvolvimento cuidadoso de Kurt Sutter, que não apenas cria esse conceito de família, como também te leva a fazer parte dele. Você sente quando um membro é morto, afinal, quando menos se percebe, a SAMCRO já se enraizou em sua vida.

Ao mesmo tempo, SoA desvirtua um pouco o próprio formato de família, com pais, mães e filhos de sangue se tornando parte de uma guerra de ego, dinheiro e poder. A tentativa é mostrar que uma família é resultado de um relacionamento baseado na confiança, empatia e amor. Por isso a SAMCRO se fortalece a cada novo contato com o espectador.

Se o sangue não nos faz irmãos, o ideal, sim.