É muito legal ver como a Netflix mudou a nossa forma de assistir séries e filmes, e como nosso acesso a algumas séries ficou muito mais fácil. Foi essa popularização do serviço de streaming que nos permitiu conhecer produções menores, sem ficarmos dependentes da tv aberta ou fechada. Black Mirror é justamente uma produção que quase ninguém conhecia, até a Netflix colocar suas primeiras duas temporadas disponíveis em seu catálogo, desde então, a pequena produção inglesa ganhou o status de série do momento, virou tema de discussões em mesas de bar e conquistou muitos fãs. A série fez tanto sucesso, que o próprio serviço de streaming encomendou uma nova temporada, já sob suas próprias asas, e que acaba de sair.

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Caso você não saiba como funciona a série, vale aqui uma pequena introdução. As primeira e a segunda temporada de Black Mirror, contam com três episódios cada, mais um especial de natal. A série não tem atores fixos, e cada episódio é independente e conta uma história própria, sem relação com os demais. O tema central é como a tecnologia num futuro não tão distante assim, pode influenciar nossa vida das maneiras mais diversas, e que tipo de consequência isso traria. O criador, Charlie Brooker, tem uma visão bastante crítica da humanidade, a série chega a ser um tanto sombria, mostrando situações extremas e muitas vezes expondo o lado mais feio do ser humano.

Dito isso, em todos os seis episódios dessa terceira temporada, Brooke nos coloca diante de dilemas éticos, torturas psicológicas, muito suspense e cada episódio é como um soco no seu estômago. A primeira história, Nosedive, mostra como a busca incansável por curtidas em redes sociais pode tornar sua vida artificial e sem graça. Já em Shut Up  and Dance, hackers utilizam a tecnologia pra acabar com sua privacidade, o episódio é muito tenso, e mostra uma complexa trama de chantagem virtual, pra mim é o melhor episódio da temporada.

Em San Junipero temos um dos poucos momentos em que a série mostra uma visão positiva da tecnologia, o episódio é uma pouco diferente do normal de Black Mirror, e talvez por isso eu tenha achado ele o mais sem graça de todos, faltando um pouco do suspense ou daquele momento em que você termina o episódio e pensa “Mas que porra é essa que acabou de acontecer?”

Outro momento bacana é Men Against fire, onde vemos as consequências da tecnologia quando usada para fins militares, aqui temos uma clara visão de como a humanidade pode dar muito errado caso a tecnologia caia nas mãos das pessoas erradas.

No geral o que vai acontecer no final de cada episódio, é que você vai parar, pensar e refletir em como a tecnologia, por mais que seja feita e pensada para facilitar as nossas vidas, pode acabar nos fazendo cada vez mais escravos dela, e nos colocando em situações impensáveis e em muitos momentos, extremamente desagradáveis. Black Mirror é a série mais perturbadora que eu já assisti.