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Se hoje você comemora os lançamentos quase diários da Netflix, e se empolga com uma infinidade de excelentes séries e personagens que surgem a cada ano na televisão, tem que agradecer um homem chamado David Chase, que lá em 1999 colocou no ar Sopranos. Foi a revolução que a HBO precisou pra se tornar a principal casa das grandes produções.

De lá pra cá vieram várias obras primas, porém, o canal que se diz “não ser televisão” viu a concorrência chegando cada vez mais perto, e nos últimos anos, não conseguia colocar no ar nada que chamasse a atenção do público. True Detective fez uma primeira temporada histórica, mas não passou dai. Vinyl foi cancelada já na primeira temporada. Eis que um sujeito que ajudou seu irmão criar vários dos mais idolatrados filmes da última década, resolveu por as mãos da massa e dar vida a uma excelente série.

Esse cara é Jonathan Nolan, e a série é Westworld.

Apesar de ficar óbvio pelo sobrenome, é isso mesmo, Jonathan Nolan é irmão de Christopher Nolan, e juntos escreveram filmes como O Cavaleiro das Trevas e Interstellar. Em WestworldJonathan se junta a sua esposa Lisa Joy, e parte para uma adaptação do filme de mesmo nome lá de 1978. Porém nas mãos da HBO a série ganha um peso filosófico que o filme original não ousava ter.

A grande história sendo contada nesse parque é a nossa

A ficção científica (a boa, pelo menos) sempre usou de máquinas para falar sobre seres humanos. O que acontece quando nós nos tornamos vítimas de rotinas e da apatia? A ideia de máquina obcecadas para sentir algo, enquanto os seres humanos se tornam cada vez mais mecânicos, é um prato cheio para ser explorado.

Westworld faz isso com maestria. 10 episódios que se amarram de uma maneira magnífica em uma brincadeira de ilusionismo: você olha pra um lado, enquanto alguma coisa acontece do outro. Só no fim você realmente consegue entender cada situação mostrada.

Essa maneira de Westworld conduzir sua narrativa, criou uma fanbase enorme na internet, disposta a desvendar cada um dos mistérios. Foi isso que transformou a série em um sucesso, já que o formato tradicional de um episódio por semana, levava o espectador a viver 7 dias de pura angústia e ansiedade, e ninguém queria levar um spoiler na cara na manhã de segunda feira.

Audiência boa, reconhecimento que já começou a surgir em premiações, Westworld é uma série com cara de HBO do começo ao fim. Ótimo elenco, ótimo roteiro e ótima produção, que assim como Game Of Thrones, faz questão de jogar em nossa cara cada centavo gasto com cenários e locações. É inacreditável.

Além disso tudo, Westoworld fornece um passeio filosófico. Repleta de camadas de entendimento, a busca das máquinas pela consciência se confunde com a nossa. É um verdadeiro espetáculo.

Westworld salvou a HBO, a gloriosa HBO, de se tornar a emissora de uma série só. Já apontada como substituta de Game Of Thrones, a série infelizmente só volta em 2018. Até lá, você tem tempo de sobra pra ver e rever, ver e rever…