Ted me disse que em grego a palavra Nostalgia significa a dor de uma velha ferida. É um aperto no coração mais poderoso do que a própria memória“. São palavras de Don Draper no episódio The Wheel em Mad Men. Cínico que não acredita em nada do que diz, Don tenta vender seu produto explicando o que significa o sentimento de nostalgia. De fato, a nostalgia é isso, algo que dói ser revivido seja pelos mais variados motivos.

Assim, sempre que olhamos para uma fotografia somos transportados para aquele lugar novamente. Nós sabemos que ali houve o registro de um momento especial. É por isso que uma montanha russa de sentimentos acontece quando revemos fotos de nossos aniversários quando crianças. O mesmo vale para filmes. O apego emocional que temos com certas obras é tão poderoso que fica difícil ter qualquer senso crítico quando falamos sobre ele.

E como Don Draper que transformou esse sentimento em produto, Hollywood também sabe muito bem dessa nossa fraqueza. Um exemplo é a nova onda de rebootsremakes e continuações de clássicos, que de algum modo caminharam junto com uma enorme geração de crianças e adolescentes. É um resgate de uma velha ferida que dói novamente, afinal, qual adulto não se lembra da primeira vez que viu Rocky?

Stallone nos fez sentir saudade de Rocky

Creed: Nascido Para Lutar é um belo filme que sabe trabalhar com cuidado essa nostalgia. Ao dar continuação ao legado de Rocky, o diretor Ryan Coogler presta uma bela homenagem ao melancólico personagem de 1976 e resgata esse desejo nosso de superação, de lutar, da força de vontade, da obstinação.

Mas Creed é mais do que apenas um recomeço ou reboot, é também a consagração da história de um homem que apanhou (e como apanhou) da vida e continua em pé. Firme. Sylvester Stallone emociona ao espectador que cresceu assistindo aos filmes de Rocky Balboa porque consegue dar vida ao personagem. Você sente a dor, a solidão, o recolhimento, a amargura. Sente que o tempo passa e realmente ninguém bate mais forte do que a vida.

Mas lutar não significa bater. Lutar significa ficar em pé, vez a pós vez, mesmo que o mundo queria que você permaneça no chão. A atuação de Sly é mágica, resgata um caminhão de sentimentos e mostra que nem mesmo o campeão dos campões está acima das porradas do tempo. Ele viu sua esposa partir, seus amigos envelhecerem e morrerem e seu filho buscar seu próprio caminho. Mas ele ainda está em pé.

Um personagem que se cruza com o ator. O ator que se cruza com o personagem. SlyRock… e agora Creed. Que bom que a lenda ainda permanece em pé após tantos rounds.

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