Não é preciso refletir muito sobre onde está o grande acerto de Mulher Maravilha, e porque ele só fica mais evidente graças aos erros dos últimos três filmes do Universo DC nos cinemas. Patty Jenkins contou a história de uma super heróina, sem dúvidas do que é, sem medo de fazer o que nasceu para fazer.

Em momento algum vemos uma Mulher Maravilha hesitando em lutar pelo que ela acreditar ser bom e justo. Diante de um problema ela não reage, ela age. Ela pega sua espada e corre diante da bala.

O erros do passado

E por que esse é o grande acerto de Mulher Maravilha? Porque era isso que faltava aos filmes da DC. Voltemos a 2013 quando Zack Snyder resolveu recontar a história do maior super herói de todos. Ao invés de partir pro óbvio e confortável, o diretor tirou do Superman o símbolo, e colocou a dúvida. Ka-El é um homem cheio de conflitos e confuso sobre sua verdadeira vocação. É um Deus em um mundo de barro.

Ao contrário da Mulher Maravilha que sabe muito bem do que é capaz, o Superman do Snyder é atormentado por isso. Ele é capaz, mas será que é seu dever? Diana não tem a menor dúvida quanto a isso.

Depois veio Batman V Superman e a história seguia a mesma, mas agora com o Homem Morcego na conta. O Batman do Snyder é o oposto do Batman do Nolan, que queria ser uma ideia, um vírus que se espalharia por Gotham para inspirar pessoas. Esse está cansado e viu que todo seu idealismo não serviu para salvar aqueles que ama, nem evitar a tragédia de sua cidade. Nesses dois filmes que serviram de ponta pé para o Universo DC, o que se viu foi um estudo do trágico, não o heroico.

Simples e direta!

Na já icônica cena da trincheira, a Mulher Maravilha tem apenas uma motivação para se levantar contra o que vê: a luta pelo bem. Essa objetividade foi o que faltou pra Zack Snyder.

Uma boa parte do público não gostou e a Warner acusou o golpe, tanto que tentou mudar de última hora Esquadrão Suicida e deu no que deu. Mas a verdadeira redenção estava nas mãos de Patty Jenkins e o dia foi salvo pela Mulher Maravilha.

O filme não fornece um intenso debate a respeito das ações de sua protagonista, já que a diretora não está interessada em investir camadas de personalidade e muito menos de rechear os diálogos de filosofia barata (que gosto muito no filmes do Snyder).

É tudo simples, como é um super herói.

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