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Ter uma carreira como a de Martin Scorsese é um privilégio para poucos. É provável que entre seus filmes favoritos, ao menos um do diretor deva estar presente. Taxi DriverOs Bons CompanheirosCassinoO Lobo de Wall StreetOs Infiltrados… a lista de clássicos é gigante. Ele tem seu nome cravado na história do cinema e na cultura pop.

Aliás, é um dos poucos que ainda conseguem levar ao grande público filmes que fogem do padrão blockbusters. É uma mistura do que chamam de “cinema arte” (algo que considero errado, já que todo filme possuiu algum trabalho de arte) com o puro entretenimento. Isso é furto de um absurdo conhecimento e domínio do cinema, unido a sua experiência de morador dos subúrbios nova yorkinos. O resultado são os clássicos listados no início desse texto, todos explorando a decadência da condição humana e do meio em que ele vive.

Mas Scorsese tem um lado que poucos conhecem, que é seu lado religioso. Católico, desde que filmou Cassino em 1995, ele investiu seu tempo e energia em uma produção que basicamente é o trabalho de sua vida. Silêncio que chegou aos cinemas brasileiros esse ano, é o tipo obra que mostra o amadurecimento total do diretor, onde da pra sentir em cada frame a paixão de Martin Scorsese pelo que ele faz.

Silêncio

O filme é baseado no livro de Shûsaku Endô, e narra a história de dois padres jesuítas em uma missão de resgate no Japão do século 17. Lá o cristianismo encontrou um solo tido como fértil para espalhar sua fé, porém, a Inquisição Japonesa passa a perseguir, condenar e matar aqueles que permanecem fiéis a Cristo. Andrew Garfield vive Rodrigues, e é através dele que iremos acompanhar essa história sobre fé e tentações.

Apesar de claramente se tratar de uma recém obra prima do cinema, Silêncio passou despercebido até mesmo por aqueles tidos como fãs de Martin Scorsese. Enquanto O Lobo de Wall Street tinha Leonardo Di Caprio cheirando cocaína na bunda de uma prostituta, Silêncio nos coloca para refletir sobre espiritualidade. É um filme de contenplação. E talvez tenha sido isso que afugentou boa parte da audiência.

Ao mesmo tempo, Silêncio sofreu com a distribuição e mesmo sendo planejado há anos, foi lançado em cima da hora, ainda em dezembro de 2016, afim de conseguir algumas indicações ao Oscar (o que ajudaria em muito na divulgação). Porém o filme teve apenas uma única indicação a Melhor Fotografia, e sabe-se Deus porque, acabou perdendo para La La Land.

É uma pena que deixem passar uma das melhores obras de Scorsese, que expõe todo seu amor pelo cinema. Mas se você ainda não assistiu, fica aqui o incentivo. Não fique calado perante Silêncio.