Netflix confirmou o que já era óbvio: o brasileiro gosta mesmo é de dublagem. Seja para filmes, séries ou (principalmente) animações. Em alguns casos a preferência chega a 80%. Nós que apreciamos assistir tudo em áudio original somos uma minoria cada vez mais invisível. Mas a verdade é que dublagem bem feita em obras específicas, adiciona ainda mais. One Punch Man é um desses exemplos bem sucedidos.

webcomic que se tornou um sucesso de vendas, ganhou sua adaptação para anime em 2015, mas só agora em 2017 chega ao Brasil com dublagem oficial pela Netflix. One Punch Mantem um sabor especial para mim, que há algum tempo não acompanho mais nada do gênero. É uma belíssima homenagem em forma de deboche: os exageros, clichês e soluções estão todos ali, sendo desconstruídos ou sabotados o tempo todo pelo roteiro. Tudo isso se afunila na figura de Saitama, um herói que da cabeça aos pés não faz o menor sentido.

O Herói invencível

Ele é feio, careca, usa um uniforme completamente sem personalidade e desenvolveu seus poderes da mesma forma que alguém viciado em crossfit desenvolveria. Além disso, derrota qualquer adversário com apenas um soco, e One Punch Man se debruça no tédio do herói que é praticamente invencível. É como se os dramas existenciais do Superman do Zack Snyder fossem tratados de maneira mais honesta e direta. Saitama vive em um mundo habitado por super seres, monstros e cientistas geniais, mas nada disso pode suprir seu vazio interior. É o drama do homem que não encontra mais sentidos no trabalho, vida social e etc.

Os animes que cresci assistindo eram aqueles disponíveis na TV aberta e Naruto foi o último que acompanhei. Mesmo assim, é incrível reconhecer todos os vícios de narrativa sendo expostos em One Punch Man. As motivações do herói são um grande exemplo: Saitama em uma certa vez desistiu de procurar emprego, e percebeu que salvar o mundo era algo importante de ser fazer. Outro grande momento acontece ainda no segundo episódio quando Genos resolve contar sua história de vida, aquela velha ladainha de sempre dos animes. Sofrimento e superação, blá blá blá.

Dublagem na medida certa

Mas quem diria que a dublagem seria um trunfo em One Punch Man. Cheia de piadas adaptadas e com gírias atemporais (ao contrário da Disney, que por exemplo, que usou “tá tranquilo, tá favorável em Guerra Civil, e ninguém mais lembra desse “meme”). One Punch Manlembrou o clássico Yu Yu Hakusho, que conseguia até mesmo fazer meu pai rir, e olha que ele detestava animes com todas as forças.

Humor na sua maioria das vezes é referencial. Um caso recente é o programa Tá No Ar!, que apesar de arrancar risos do pessoal do twitter, fica distante do público mais habitual da Globo. Piadas com Game Of Thrones só serão engraçadas para quem assiste Game Of Thrones. O mesmo vale para One Punch Man, é possível que muitas pessoas não gostem do anime, e muito menos o ache engraçado. Mas essa união de dublagem + tiração com o gênero caiu como uma luva, e revendo os episódios da primeira temporada, agora do dublado, achei indiscutivelmente melhor.

Se você já está velho demais para o Japão, e quer rever algum anime só pela “nostalgia”, sugiro que troca essa revisita por One Punch Man.

Leia também