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O verão americano de 2017 acendeu o debate a respeito da qualidade dos blockbusters. Enquanto alguns naufragam nas bilheterias, a indústria parece não entender o que levou o grande público a evitar sequências, rebootsremakes ou histórias recicladas. Segundo essa excelente matéria do THR, alguns estúdios estão encomendando pesquisas de opinião para saber até que ponto uma nota baixa no Rotten Tomatoes pode influenciar na venda de ingressos. Já esse outro texto mostra como a frase “foi feito para fãs, não para críticos” é cada vez mais usada como desculpa para filmes ruins.

Mas isso não significa que assistir a um bom blockbuster nos cinemas se tornou um prazer extinto. LoganDunkirk e o mais recente Planeta dos Macacos mostram que ainda é possível alguma surpresa. Mas o destaque é para o terceiro filme desse recomeço de um clássico da ficção científica, que em A Guerra chega ao seu auge graças a uma magistral atuação de Andy Serkis, aliada a uma trama poderosa ao focar nas relações entre macacos e humanos. É um filme longe de quaisquer manias idiotas que temos que suportar em todo santo “arrasa quarteirão“, e um raro exemplo de como antes de jogar na cara do espectador excelentes efeitos visuais, se preocupar em contar uma boa história.

Uma história que aliás, começou muito bem lá em 2011, quando Planeta dos Macacos: A Origem estreou. Apesar da ação nos três filmes sempre ser bem estruturada e conduzida, o que pesava era o paralelo entra a ascensão dos macacos em contraste com a queda da humanidade. Fruto da própria ganância e selvageria, o homem decretou seu próprio fim, enquanto isso, o alvorecer da consciência fazia com que César vislumbrasse um futuro onde sua raça não mais seria escravizada e inferiorizada. É importante notar que apesar de colocar em duas oportunidades a figura estereotipada do soldado sem rosto e passado estar presente, a Trilogia nunca colocou o ser humano como um ser sem sentimentos ou motivações. E a presença do Coronel, vivido por Woody Harrelson, exemplifica bem isso.

Três histórias

Os três filmes são assistidos pela perspectiva dos macacos, mas pare pra pensar: se a humanidade estivesse despedaçando em sua frente, você realmente pararia pra pensar nas outras espécies? Os macacos podem não ser culpados pelo que aconteceu, mas vá explicar isso para um pai que perdeu os filhos diante de um vírus que está ligado aos símios. Não é preciso muito para acreditar no ódio que o Coronel sente por César e seus aliados. E o que impressiona em A Guerra é como essa avalanche de temas complexos são trabalhados com cuidado, sem muita pressa para jogar na cara do espectador uma ação desenfreada feita apenas para entreter.

César surge como um líder necessário para uma revolução, mas ao passar dos filmes, se tornou uma figura quase mística. É possível notar a surpresa do soldado ao se deparar com sua figura imponente: “você é César?“. E para que essa imagem fosse criada, o trabalho de Anyder Serkis é mais importante que qualquer maquiagem digital. Ainda em A Origem, quando ele se levanta contra seu agressor e dispara um sonoro “NO!“, nós sabíamos que essa retomada de Planeta dos Macacos não iria apenas dar uma história de origem ao clássico de 1968. Seria algo maior, com César no centro dessa história.

Em O Confronto ele se torna mais de um líder, mas um espelho para todos. E com isso vem todo o fardo do exemplo a ser seguido, do ponderamento sempre infalível, mas se os macacos estão cada vez mais humanos, decisões erradas serão constantes. O cérebro se expande, e com isso, mais emoções surgem. O ciúme, a vingança, o impulso. Para César, se tornar mais inteligente a cada nascer do Sol, também significa se tornar mais complexo enquanto ser existente. E em A Guerra ele irá provar que até mesmo o mais evoluído dos seres, tem seus momentos selvagens onde o extinto fala mais alto.

Planeta dos Macacos: A Guerra fez diferente em seus três filmes, e tanta beleza não pode ser deixada de lado caso a FOX resolva seguir com essa história. Tudo que é belo um dia acaba. A Guerra é um filme tão emocional que ao final, não existe um vencedor. É um declínio, e algo difícil de ser feito sem parecer gratuito ou enganoso. Tudo parece real. E foi.