Vikings é uma série que tem seu tempo e seus momentos. Às vezes você está no meio de uma batalha épica com sangue, machados voando e cabeças rolando. Depois, no meio de uma verdadeira lição sobre a cultura dos escandinavos. Porém, a série ainda tem lá seus espectadores que não conseguem entender o rolê e acabam taxando como “parada”. Se você realmente acha isso, posso afirmar que está vendo a série errada

A questão é que Vikings trata-se de uma série de objetivos, e tudo segue a estratégia de seu protagonista. O líder, o rei e visionário Ragnar, que pouco pode desfrutar de seu reinado, já que sua obsessão o leva em busca daquilo que, segundo ele, seu povo mais precisa: expansão. Expansão que não é feita somente de sangue derramado, mas também de estratégia.

Essa ideia fixa na cabeça faz de Ragnar um protagonista único, afinal, são poucos aqueles que estão interessados mais nos benefícios a longo prazo de suas ações do que no próprio ego. É mais ou menos como o pensamento de Tywin Lannister na quarta temporada de Game Of Thrones, onde ao lado do corpo do neto mais velho, já explica pro neto mais novo como funciona um reinado. O que está em jogo é algo muito maior que eu ou você.

Reis caem, legados permanecem.

A coroa nunca caiu bem em Ragnar. Seu encantamento com outras culturas e povos é nítido desde sempre. É por isso que ele encontra em Athelstan uma ponte para um novo mundo. Pra ele, a sobrevivência depende da capacidade de se expandir e adaptar. É uma visão que em nada lhe traz benefícios próprios.

Em um momento da terceira temporada, ao ser indagado pelo seu irmão Rollo a respeito de felicidade, ele responde “isso nunca foi sobre minha felicidade“. Simples e perfeito, um belo resumo do que é esse tal Rei Ragnar. Os caminhos que ele escolheu foram os mais difíceis, já que sempre buscou por algo maior. Muito maior.

Tão maior que talvez nem mesmo seus filhos possam usufruir, afinal, estamos falando de um visionário. É a visão além do agora.

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