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Muitas pessoas se perguntam como o Nazismo pode ter prosperado tanto a luz do mundo sem que ninguém percebesse quais eram os reais objetivos de Hitler. Onde estava a indignação com seu discurso? Onde estava a população quando ele pregava o extermínio de raças? Onde estavam todos? Não foi de repente, não foi um momento de loucura. Foi planejado durante anos. Mas será possível que algo assim volte a acontecer? Será que nós, hoje, estamos diante de sinais idênticos aos que ocorreram não apenas na Alemanha nazista, mas em todas as atrocidades cometidas pela humanidade?

E ao invés de fazermos algo, estamos nos fingindo de cegos ou pior, concordando com tais sinais?

The Handmaid’s Tale

Tente imaginar um futuro distópico onde os Estados Unidos não existem mais, mas sim um país dividido por uma Guerra Civil. No vácuo de poder, um regime totalitário chamado República de Gilead prospera. Ali a religião é quem domina e dita as regras. Mulheres são propriedades do Estado, e separadas em castas, servem para funções específicas, como gerar filhos para homens poderosos, já que uma epidemia de infertilidade varreu o mundo.

Em estupros diários, essas mulheres são submetidas ao que chamam de “cerimônia”. Elas não passam de escravas, se vestem como se estivessem em uma era puritana do século XVII, são proibidas de ler, e suas atividades são restritas a servirem como propriedade de seus senhores e frequentar uma espécie de culto religioso. Mas esse mundo absurdo que deixaria qualquer “pessoa de bem” aterrorizada, aconteceu de repente? Algum meteoro caiu, destruiu tudo, e foi assim que a raça humana se reergueu?

Nada disso. The Handmaid’s Tale, série original do serviço de straming Hulu, e já candidada a uma das melhores e mais provocadoras de 2017, nos apresenta essa distopia que foi acontecendo aos poucos, aos olhos do mundo, e portanto, ninguém apareceu do nada tirando todos os direitos das mulheres. É uma terrível analogia ao nossos tempos. Será que os sinais estão claros ou, novamente, estamos cegos ou concordando com eles?

Baseado no livro de mesmo nome (no Brasil, O Conto da Aia) publicado em 1984 por Margaret Atwood, The Handmaid’s Tale foi adaptada para a “tv” por Bruce Miller, também showrunner da série The 100. Coube a Elisabeth Moss, a eterna Peggy Olson de Mad Men, assumir a pele de Offred, uma aia reprodutora, cujo nome já expõe sua condição: “Offred = Of Fred = De Fred”, o nome do homem a que ela pertence, tal qual uma televisão ou carro. Sua atuação é magistral e carregada de um peso dramático que nós já esperávamos de um talento assim.

Luta das Mulheres

É impossível, portanto, não traçar um paralelo entre ambas as séries. Em Mad Men, Peggy surgia como um vírus da revolução feminista: dona de si mesmo, segura, independente e batendo de frente com a mentalidade patriarcal. Na América dos anos 60, a mulher não conquistava cargos importantes com a mesma frequência que os homens, bons salários eram exceção incômoda para os patrões, ou era admirada por suas qualidades além da estética. Espera… anos 60? Pois é.

Olhar para a “distopia” de The Handmaid’s Tale ficou mais fácil agora. E se as coisas seguissem “evoluindo”? E se os sinais não forem notados? A série não deixa de questionar essas possibilidades ao mesclar a narrativa principal com flashbacks mostrando como tudo começou. Como um simples resfriado evoluiu até se tornar um câncer. A série não é uma ode contra a religião ou a figura do homem, longe disso, mas seu tom de denúncia pode soar incômodo para alguns.

E isso é bom, afinal, é preciso algum tapa na cara de vez em quando.