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Eu nem tinha pensado em escrever nada pro blog a respeito da nova série da HBO, mas como fã de música, de séries e de Martin Scorsese, quando soube que o cineasta se juntaria a ninguém menos do que Mick Jagger, e o Terence Winter (roteirista de séries como Sopranos e Boardwalk Empire) pra fazer uma série sobre a cena musical dos anos 70, eu já sabia que não tinha como dar errado.

Vinyl é uma deliciosa viagem ao passado para qualquer fã música, já que ela se propõe a retratar a indústria musical nos anos 70, a ascensão do rock, o nascimento do punk, da música disco e até do hip-hop, com os excessos da época, ou seja: muita droga – muita mesmo – e muito sexo. Não foi deixado pra trás o figurino extravagante da época, e inúmeras referências a bandas e músicos que transitam em alguns episódios de Vinyl, como Robert Plant, Elvis Presley em final de carreira, John Lennon, Bob Marley, David Bowie, Alice Cooper, Joey Ramone, The New York Dolls, até o astro da cultura pop Andy Warhol foi lembrado. A criação do lendário bar CBGB foi retratada no final da temporada e deve ser uma das frentes da série na segunda temporada.

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A trama é sobre Richie Finestra (Bobby Cannavale), dono da fictícia gravadora American Century Records, que passa por problemas financeiros, enquanto tenta reerguer sua empresa, você verá Ritchie e seu companheiro Zak Yankovich (Ray Romano) tentando conseguir novos artistas pra American Century, e é aí que nós passamos a ver como era este submundo de festas movidas a drogas, negociatas e curtição desenfreada da época. É claro que existem algumas caricaturas que reforçam alguns esteriótipos, o empresário arrogante, o músico mimado, a grupie, o punk drogado, mas no geral o que se tem é um panorama de como a industria musical funcional nos anos 70. (o que não é tão diferente assim dos dias de hoje).

Tudo gira em volta de Ritchie, as histórias de seus funcionários na gravadora, seus problemas de relacionamento com sua esposa Devon (Olivia Wilde), – dica: ela aparece nua – os músicos que são procurados pra entrar na gravadora ou dispensados por ela, e vale ressaltar que Bobby Cannavale está ótimo no papel, segurando a série nas costas com ótimas atuações.

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Os criadores usaram a fictícia banda Nasty Bits pra abordar o nascimento do punk, a banda é grande aposta da gravadora pra se reerguer, e podemos acompanhar todo o processo de “formação”, composição, gravação, e shows do Nasty Bits, que é capitaneado por Kip Stevens (James Jagger, filho de Mick Jagger). O temperamento difícil do rapaz, sua relação com as drogas e seu comportamento punk é uma das coisas mais legal da série, e em um dos episódios você verá ninguém menos que Joy Ramone assistindo entusiasmadamente um show do Nasty Bits.

O tema pode ser explorado de infinitas formas, e o andamento lento da série (que é quase um padrão da HBO) pode ter desapontado alguns fãs que queriam mais informações, mais bastidores, mais música e menos Ritchie Finestra louco de drogas e brigando com todo mundo em quase todos os episódios, e apesar de ter alguns pontos falhos e exageros, Vinyl consegue prender os fãs de música tranquilamente por toda a primeira temporada. Se você ainda não assistiu, assista e tire as suas próprias conclusões!