Primeira metade da década dos anos 2000, a febre das Lan House’s só crescia e os jogos de computador ganhavam força. Naquela época, Counter Strike 1.6, Word of Warcraft e Fifa eram os jogos mais populares. Tudo não passava de uma brincadeira. Não passava…

Estamos situados na linha do tempo e podemos entender o progresso dos games, impulsionado pelos campeonatos regionais (lê-se “de várzea”). Com estrutura precária – cadeiras de bar, ventiladores que democratizavam o calor e muito espírito competitivo, os donos das Lan’s viram nos campeonatos, uma forma de obter um lucro e manter o estabelecimento cheio em datas que não haveria o menor lucro (sábados e domingos, sem contar os Corujões, ou seja lá como se chama na sua cidade). Essa foi a centelha e o oxigênio da combustão dos campeonatos.

counter strike 1.6

As desenvolvedoras começaram a organizar, com mais frequência, campeonatos nacionais com qualificatórias para mundial. O Brasil esteve presente em várias e várias competições mundiais desde o início dessa brincadeira (pesquise pelo time “mibr”), mas com atuações tímidas e de poucos resultados.

O passo seguinte foi tirar esse monopólio soberano das Lan House’s e trazer o jogo pro mundo online. Tudo era favorável: A internet banda larga era realidade em muitos países, os computadores evoluíam em uma velocidade exponencial e o mercado de periféricos (mouse, fone e mousepad) ganhava força. Assim, os games passaram a viver em plataformas específicas, como a Steam (no caso de Counter Strike) por exemplo.

Tudo parecia perfeito, porém quem executava e planejava, tanto os jogos como os eventos, sabia que a fórmula tinha dias contados. Em especial, o Counter Strike precisou ser totalmente remodelado, como um game em que a experiência para o espectador fosse máxima, mesmo que o praticante sofresse um pouco, assim como foi a alma do basquete. Nessa lacuna, nasce um dos games mais populares atualmente: DOTA!

O crescimento dos eSports

Pode-se dizer que o DOTA foi o pioneiro, transformando um campeonato de games em esporte eletrônico (o famoso eSports ou e-Sports). A interface e o design eram perfeitos para quem assistia, e mesmo que as partidas fossem demasiadamente demoradas, não eram cansativas de jogar. League of Legends já nasceu sabendo o caminho a traçar e obviamente seria um sucesso. Quem ficou pra trás foi o Counter Strike, mas por pouco tempo. A transformação deste eSport passou por dias sombrios e tenebrosos, chegando ao que temos hoje como Counter Strike: Global Offensive, atendendo pela singela alcunha de CS:GO.

Os campeonatos que tinham uma premiação total de aproximadamente R$1.000,00, lá no início da linha do tempo, hoje chegam a bagatela de quase U$20.000.000,00 (Vinte milhões de D-Ó-L-A-R-E-S!!!), pagando mais do que esportes ditos tradicionais, como tênis ou futebol. A estrutura, em comparação com o que foi dito no início, hoje é baseado em estúdios de televisão, com cadeiras hiper ergonômicas e ar condicionado no talo, sem falar em outras grandes regalias que valem ser ditas e um texto a parte. Me cobrem!

Você pode até ter ignorado seu sobrinho ou irmão mais novo que estejam jogando qualquer jogo de computador por simplesmente ser algo de “nerd”. Mas uma coisa a de convir depois dessa história toda: tudo se encaminha para que o eSports passem nas televisões abertas em horários nobres. Aliás, nos países nórdicos, os jogos passam na televisão e em horário nobre. Os atletas de seus respectivos países fazem propagandas e são celebridades. Por lá, o Neymar é tipo um Patrik “f0rest” Lindberg (pesquise, esse barbudo é uma LENDA VIVA e é um dos poucos que passou por todo esse processo histórico que narrei).

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