Já contei esta história algumas vezes, mas não custa nada repetir. Eu criei o Testosterona totalmente ao acaso. Eu estava com passagem comprada pro Canadá e moraria lá por tempo indeterminado. Resolvi então, fazer um blog pra manter contato com as pessoas no Brasil.

Eu tinha acabado de ler o livro As mentiras que os homens contam, e foi o livro que me inspirou a escrever sobre o universo masculino. Ou seja, se eu tivesse lido algum livro do Stephen King talvez tivesse feito um blog sobre terror, sério. Obrigado pela inspiração Luis Fernando Veríssimo.

Nos primeiros anos, o Testosterona foi a minha diversão, eu tinha um trabalho fixo, e fazia as postagens do blog todas as noites, eu sempre achei muito legal criar conteúdo e ter pessoas “lendo o que você escreve”, então foi algo que fiz por prazer, e eu não tinha a menor ideia de que a minha diversão estava prestes a tomar proporções tão grandes. Talvez por isso que tenha dado certo.

Este era o cabeçalho do blog, em 2008

Eu não tenho dúvidas que eu só estava no lugar certo, e na hora certa

A redes sociais ajudaram o blog a crescer, Facebook, Orkut, Twitter já eram febre entre os brasileiros, e os posts eram compartilhados aos montes. Claro que não era só postar qualquer porcaria, que a internet ia abraçar a ideia de olhos fechados, era preciso ter um mínimo de bom senso pra selecionar os posts. Veja bem, naquela época os posts não eram planejados, a minha ideia era apenas juntar num único lugar tudo o que eu encontrava de legal na internet, e o meu critério era o mesmo de hoje em dia, postar coisas que eu gostaria de ler em algum lugar.

Com mais ou menos 2 anos de blog, o Testosterona tinha inacreditáveis 100 mil visitas por dia, e foi quando eu resolvi voltar pro Brasil e tentar fazer disso o meu trabalho. Foi fácil entender o que o público queria, e quando os posts machistas começaram a viralizar, eu entrei de cabeça. Sem querer entrar no mérito do machismo x feminismo, em 2012, graças aos temas polêmicos, dobramos  média de visitas diárias pra 200 mil, e tínhamos parceria com a MTV, depois com o R7, e muita empresa grande anunciou com a gente, isso tudo foi ótimo pro nosso crescimento, claro.

Nunca achei que o leitor fosse burro

Aos poucos eu consegui tornar o blog rentável, afinal, eu me dedico a ele todos os dias, era justo ter uma contrapartida, mas nunca tratei o leitor como idiota, tentei na medida do possível não jogar 4 banners na cara da pessoa que abre o site, e a verdade é que eu não sabia como funcionava “esse negócio de ganhar dinheiro na internet“, mas também não priorizei publicidade a conteúdo nunca. Não acho que duraríamos 9 anos, se o conteúdo não fosse pelo menos, interessante.

Hoje existe um monte de site de conteúdo voltado pro “lifestyle masculino”, mas lá em 2008, não tinha nada disso. Por muito tempo eu não queria que o conteúdo do Testosterona fosse muito sério, eu achava e ainda acho que não se pode levar a si mesmo a sério demais, então são poucos posts com opinião, acho que o mais importante é deixar o leitor pensar por si mesmo, e não fazer um post subindo num pedestal e dizendo pro leitor o que fazer.

Pois bem, a receita do Testosterona era simples, belas mulheres, humor machista, e curiosidades sobre relacionamentos e sexo. Só que agora os posts eram planejados, e eu tinha uma visão mais comercial da coisa toda, afinal o criador de conteúdo é uma pessoa que também tem contas pra pagar. 100% do tempo eu escrevi sobre o que eu queria, e o que eu julguei interessante pro nosso público. Todos os posts eram baseados principalmente em humor, e eu olho pra trás e teria feito tudo igual outra vez.

O cabeçalho do blog em 2012

Aí chegou o Youtube…

Em algum momento entre 2012 e 2014 os youtubers passaram a ocupar o lugar dos bloggers no coração das pessoas, e eu vi dezenas de blogs de humor, de pessoas que eu conheci ao longo dos anos, simplesmente sumirem, ou migrarem pro Youtube. Muita gente boa foi engolida pela explosão do site de vídeos. Nós até criamos um canal, e hoje em dia criamos conteúdo também pro youtube, mas eu nunca desisti do formato do Testosterona. Eu sempre acreditei que tem público na internet pra tudo, por isso sabia que era possível continuar fazendo o Testosterona do jeito que eu sei fazer. Os vídeos podem ajudar, mas nunca vão ser o foco principal do blog.

Vale lembrar também, que as coisas mudam, as redes sociais mudam, as pessoas mudam, então é super normal que diante de tanta tecnologia, as pessoas mudem a forma de consumir conteúdo, e não estou reclamando, mas eu gosto do formato do blog e nunca vou mudar.

Eu não vou desistir de escrever

E falando sobre a mudança natural das pessoas, eu mudei, você mudou, e por mais que eu tenha saudade dos posts antigos e do tempo do humor sem limites (eu acho mesmo que o humor deva ser sem limites, e que o politicamente correto deixou as pessoas chatas pra cacete!), eu comecei a fazer o blog com 20 e poucos anos, e agora já tenho 30 e poucos, ou seja, minha visão do mundo mudou, então o processo de mudança de linha editorial do blog mudou aos poucos, porque eu não queria mais fazer posts de humor o tempo todo, e porque nossos leitores também queriam algo diferente. É igual aquela banda que você adora, mas que resolve “amadurecer”, nem sempre você está preparado pra mudança, mas as vezes é inevitável.

A questão era ficar eternamente se repetindo, ou tentar expandir pra um blog sobre o universo masculino, mas de forma mais abrangente. Tem mais ou menos 3 anos esse processo de mudança, a gente fica naquele meio termo entre a pegada antiga e os conteúdos novos. Eu acredito que com isso nós perdemos alguns leitores, mas ganhamos outros, a faixa etária dos nossos leitores aumentou e eu encontrei um jeito de não ser engolido pelos novos formatos de comunicação, e continuar fazendo o que eu gosto.

Tem sido um enorme prazer poder ter um trabalho em que eu me divirta, que as pessoas gostam e que hoje, 9 anos depois, a gente ainda tenha 100 mil visitas no Testosterona todo santo dia. Um dia isso tudo vai acabar, mas até lá, eu vou aproveitar.

Obrigado