Recentemente, não sei se vocês souberam, mas o Mr. Catra publicou uma brincadeira no Facebook sobre ter feito vasectomia. O cantor, que já tem 32 filhos, desmentiu em seguida, afirmando que ainda queria ter, pelo menos, mais trinta e dois filhos. E ainda usou a hashtag #MrCatraRumoAos50.

Pegando embalo no assunto (que é bastante sério, por sinal), resolvemos juntar as dúvidas mais frequentes dos leitores sobre a vasectomia.

Se você não quer ter tantos filhos como o Mr. Catra, a vasectomia pode ser uma boa opção contraceptiva para os homens. É uma cirurgia de esterilização feita nos homens e consiste no corte cirúrgico de parte de cada um dos canais chamados deferentes, que levam o espermatozoide do testículo até a próstata, impedindo que espermatozoides façam parte do sêmen.

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Quem produz o espermatozoide é o testículo e quem produz o líquido que faz esse transporte é a próstata. Depois de ligados os dois canais, não tem mais espermatozoide para fecundação – mas tem ejaculação normal!

Quem respondeu à essa e outras perguntas foi o Dr. Carlo Passerotti, urologista, pós-doutorado em cirurgia robótica pela Harvard Medical School (EUA), coordenador do Núcleo de Cirurgia Robótica, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, e professor livre-docente da disciplina de Urologia, no Hospital das Clínicas (SP).

1 – Tem idade mínima para fazer a vasectomia?

No Brasil, a lei do planejamento familiar (lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996) permite realizar a esterilização cirúrgica voluntária somente em algumas situações. No caso da vasectomia, em homens com capacidade civil plena e maiores de 25 anos de idade ou com, pelo menos, dois filhos vivos. E isso acontece, no mínimo, depois de 60 dias da manifestação da vontade da cirurgia.

2 – Em quais casos é indicada? Tem contra-indicações?

É um desejo do paciente de fazer o controle de natalidade. Depois de 30 dias da decisão tomada, o paciente pode fazer o procedimento. Isso é lei. Para ter certeza de que ele quer isso mesmo. Não tem contraindicação. Normalmente tentamos convencer o paciente a não fazer quando ele ainda não tem filho, quando tem um só filho ou o quando é muito jovem.

3 – O procedimento pode ser revertido?

Pode, mas se ele realmente vai fazer o procedimento, precisa ter certeza de que não pensa em ter mais filhos. A reversão nunca é 100%. Se ele fez a vasectomia há mais de 10 anos, esse número cai muito. O sucesso da reversão é, em média, de 70%. Podem ser usadas técnicas de microscópio e até cirurgia robótica para fazer isso, mas é um processo muito mais delicado.

Depois da vasectomia, o homem pode fazer sexo sem camisinha?

Pode, se for parceira fixa. Mas a vasectomia não previne doença sexualmente transmissível. Previne apenas que a esposa ou a parceira engravide.

5 – Como é a recuperação? Dói durante ou depois?

A cirurgia é simples, com anestesia local. A recuperação também é simples, depois de dois a três dias o homem já volta às atividades normais. Só tem que usar uma cueca mais reforçada e, depois de 10 dias, já não incomoda mais. O escroto fica inchado, fica roxo no começo, mas depois já não dói.

6 – A vasectomia interfere na potência/rendimento sexual?

Não. E nem aumenta o risco de câncer, como algumas pessoas comentam.

7 – O homem para de ejacular depois da cirurgia?

Não, continua ejaculando normalmente. Quem produz a ejaculação é a próstata e a vesícula seminal, não o testículo – ele só envia o espermatozoide. O prazer, o êxtase, é igual.

8 – É um método contraceptivo confiável? A parceira pode interromper o uso do anticoncepcional dela?

Sim. Ele tem menos efeito colateral que o anticoncepcional oral. E é mais fácil do que fazer uma laqueadura (processo equivalente feito na mulher).

9 – Quanto custa?

Depende muito do hospital, mas pode custar de mil a três mil reais. Planos de saúde não cobrem a vasectomia, mas ela está prevista no SUS. É só entrar em contato com a Ouvidoria do Ministério da Saúde pelo telefone 136 para ter mais informações.

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