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Eu tinha 15 anos quando fui no meu primeiro festival, o Hollywood Rock, e vi entre outros Robert Plant & Jimmi Page, The Black Crowes, e White Zombie, desde então eu sabia que dali em diante, eu ia tentar ir em todos os festivais que tivesse bandas que eu gosto. Pouco tempo depois, já em 1998 eu fui no meu primeiro festival de metal, o Phillips Monsters of Rock, e vi nada menos do que SlayerMegadeth e Saxon, foi mais ou menos nessa época que eu expandi o meu horizonte musical, e passei a ouvir música pesada com mais frequência. O tempo passou e eu continuei frequentando shows e vendo bandas que eu gosto ao vivo sejam elas pesadas ou não, e graças ao Maximus Festival, a tradição continua se mantendo.

A ideia de juntar “diferentes tribos” num único festival com bandas de rock, metal, punk e suas vertentes e variações é muito legal e saudável, muita gente gosta de todos os estilos, e ter a oportunidade de a um preço relativamente justo, ver muitos shows de uma única vez é excelente.

A produção montou 3 palcos, um mais afastado, e concentrou as bandas de punk por lá, e dois palcos principais lado a lado pras outras bandas, enquanto uma banda tocava num palco, ao no palco ao lado tudo era organizado pro próximo show, os horários foram cumpridos à risca e organização acertou em quase tudo, menos em colocar duas bandas grandes tocando exatamente no mesmo horário, e tive que escolher entre o Rise Against e o Slayer. Acabei optando pelo primeiro, já que era uma banda que eu gosto muito e nunca tinha visto ao vivo.

RED FANG

Red Fang foi a primeira banda do dia que eu vi, com um set curtinho e enxuto, a banda americana que faz um mix de heavy metal e stoner rock animou que chegou cedo no Autódromo de Interlagos com uma coleção de riffs cativantes de músicas dos seus 4 álbuns, como as ótimas Malverde, Wires e Flies. Foram apenas 30 minutos com de um show bem intenso, que foi um ótimo cartão de visitas pro que viria a seguir nas horas seguintes.

 

HATEBREED

Assim que o Red Fang terminou o seu show, já estava tudo pronto no palco ao lado, e o Hatebreed desfilou seu metalcore e animou que já estava por lá aguardando o show do Slayer, com músicas pesadas como as ótimas Destroy Everything, e I Will Be Heard, que fechou a apresentação da banda. A essa altura a pista já estava começando a ficar cheia. Particularmente não sou muito fã do Hatebreed, mas não tem como negar que o show deles foi bem agitado, e o simpático vocalista Jamey Jasta animou a platéia.

 

BOHSE ONKELZ

A próxima banda a se apresentar, foram os alemães do Böhse Onkelz, que eu nunca tinha ouvido falar na vida, embora os caras estejam na ativa desde os anos 80, aparentemente muita gente também não conhecia a banda, que não fez um show ruim, mas também não chegou a empolgar o público. Teria sido mais interessante colocá-los pra tocar mais cedo e deixar o Red Fang fazer um show maior, ou ter trazido uma outra banda um pouco mais conhecida.

 

GHOST

O Ghost era uma das duas bandas que eu realmente queria ver no festival, sempre gostei muito da banda, e queria ver como os mascarados liderados pelo vocalista Papa Emeritus se sairiam ao vivo. Foi um show curto, mas pela primeira vez no dia era possível ver a animação da plateia que gritava o nome da banda mesmo antes deles subirem no palco. Foram apenas 7 músicas em pouco mais de 40 minutos, mas todas elas foram cantadas e celebradas pela galera. A ótima apresentação da banda certamente deixou todo mundo com um gosto de quero mais. Os pontos altos foram: Square Hammer, Ritual e Absolution. Deve ter sido bem complicado pros caras tocaram no sol, com toda aquela roupa pesada, máscara e aparatos que eles sempre usam nas suas apresentações ao vivo.

 

PENNYWISE

A partir do show do Pennywise conciliar os horários ficou complicado pra quem queria ver todas as bandas, e acabei perdendo o Five Finger Death Punch,  e o Rob Zombie, mas eu tinha que ver essa verdadeira lenda do Punk Rock ao vivo, e não me decepcionei.  No palco mais afastado, uma boa quantidade de pessoas formavam rodas imensas pra agitar ao som dos californianos. A banda está na ativa desde 1988, e mandou um repertório que cobriu toda sua carreira, e ainda teve tempo de homenagear outras bandas do estilo, tocando uma música do Bad Religion, uma do Ramones e o famoso cover de Stand By Me, de John Lennon. Foi certamente um dos shows mais agitados de todo o evento, graças aos clássicos Fuck Authority e Bro Hymn. Quem gosta de punk rock, precisa ver um show desses caras ao vivo, a energia é inigualável.

 

RISE AGAINST

Eu sempre quis ver a mistura entre hardcore e punk rock do Rise Against ao vivo, mas ainda não tinha tido a oportunidade, por isso perdi ao show do Slayer que acontecia ao mesmo tempo no palco principal. Ainda assim, milhares de pessoas estavam ali pra ver a banda de Chicago, que tem tantas composições boas, que mesmo tocando 15 músicas, certamente deixou outras 15 boas canções de fora. Já nos primeiros segundos de Ready To Fall, o público foi à loucura, e assim permaneceu a cada música, até os acordes finais da fantástica Savior, parando pra descansar apenas nas duas baladas Hero of War e Swing Life Away. Num dos momentos mais legais da noite, o vocalista Tim McIlrath pulou no meio da galera e foi levantado pelo público. Se este não for o verdadeiro espírito do rock, eu não sei mais o que é!

 

PROPHETS OF RAGE

Depois da overdose de bate cabeça no show do Rise Against, eu não tinha muitas forças pra muita coisa, por isso fui caminhando lentamente pro palco principal pra ver pelo menos um pedaço do show do Prophets of Rage, que tinha no seu repertório muitas músicas do Rage Against the Machine, mas sem o vocalista Zack de la Rocha. São todos os músicos da banda, os vocais ficaram por conta de DJ Lord e o MC Chuck D do Public Enemy, e o rapper Boreal, do Cypress Hill. As duas canções novas passaram desapercebidas no setlist, e apesar do show ter agitado a galera, eu não vi muita graça.

LINKIN PARK

A grande atração, e headliner do festival foi o Linkin Park, que parecia um tanto quanto deslocado no meio das outras bandas, mas que obviamente levou sozinho boa parte do público presente em Interlagos. Acho os dois primeiros álbuns da banda bem legais, mas tudo o que veio depois deles foi ficando tão chato e com cara daquele “som adolescente pra tocar na FM” que achei que não compensava aturar as músicas que não gosto pra ver uma ou outra boa e fui pra casa, já estava mais do que satisfeito com os ótimos shows do Red Fang, Ghost, Pennywise e Rise Against, e Linkin Park nenhum ia estragar isso.

 

SLAYER