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Minha adolescência começou no início dos anos 90, e  com ajuda do meu pai, que me deu um disco dos Beatles quando eu tinha 7 anos, eu sempre gostei de rock. E se existem duas bandas que fizeram parte de toda a minha juventude, foram Aerosmith e Guns n’ Roses. Eu não tenho nenhuma dúvida, o Guns no começo dos anos 90 era a maior banda do planeta, com shows abarrotados,  dezenas de músicas tocando na rádio, clipes a toda hora na MTV. Cada álbum dos caras tinha no mínimo 5 hits, era algo assustador.

Mas aí entrou aquela equação que complica a vida de muitas bandas por aí: sucesso + drogas + egos inflados = caos. A banda praticamente acabou, os membros se separaram e o Axl Rose depois de anos de enrolação soltou um álbum de qualidade bastante discutível. Enquanto isso, e Slash e Duff conseguiram emplacar outra banda boa, o Velvet Revolver, mas curiosamente, com outro vocalista maluco e que se entupia de drogas (Descanse em paz Scott Weiland).

Slash saiu do Guns em 1996 e uma reunião era improvável. Axl, que levou sozinho o Guns, disse que ele era “um câncer” e que um dos dois iria morrer antes de tocarem juntos. A turnê é batizada ironicamente de “Not in this lifetime” (Não nessa vida).

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O fato é que muitos fãs (inclusive eu) não tiveram a oportunidade ver o Guns n’ Roses ao vivo, estou falando do Guns de verdade, e não aquela “Axl Rose band” que veio pro Rock in Rio. Não existe Guns n’ Roses sem Slash, é simples assim. Ele é alma da banda. Eu estava na lista dos fãs que sempre sonharam com uma possível reunião da banda, mas que ao mesmo tempo estava muito reticente a ver um show do Guns 23 anos depois do seu auge. Mesmo assim, logo que confirmaram a reunião de Axl, Slash, Duff, e Dizzy corri pra garantir o meu ingresso, era algo que eu simplesmente não podia perder. Acompanhei o setlist dos shows, recheado de músicas boas, e até alguns covers bem legais. Nada poderia dar errado.

Mesmo assim eu fui pro Allianz Park pensando que do alto dos seus 54 anos, o sr. Axl Rose não daria conta de cantar como nos velhos tempos, o show estava marcado pra começar as 21:30 e começou pontualmente, outra coisa que eu não esperava, dado o histórico de atrasos do nosso querido vocalista. Minha dúvida com relação aos vocais começaram a se dissipar logo na primeira música, It’s So Easy, Axl estava cantando muito melhor do que vimos no Rock in Rio alguns anos atrás e a mágica estava acontecendo! Eles seguiram com Mr Brownstone e a galera só deu uma esfriada mesmo em Chinese Democracy, aliás foram tocadas três músicas deste álbum e nenhuma chegou de fato a empolgar a platéia, mas a cada clássico parecia que os 45 mil presentes ficavam cada vez mais insanos. Os covers New Rose do The Damned e The Seeker do The Who foram muito bem vindos e também empolgaram.

 

Estranged, Live and Let Die, Civil War, Welcome to the JungleKnockin’ On Heaven’s Door foram alguns do clássicos executados e que não decepcionaram. Bem como November Rain, que foi tocada debaixo de chuva numa noite de novembro, não poderia ser mais poético. O ponto alto do show, sem dúvidas é a habilidade de Slash jogar na sua cara uma quantidade incrível de riffs cativantes e solos lindos. Além dos seus solos já consagrados em algumas músicas, ele tocou o tema de “O Poderoso Chefão” e uma ótima versão instrumental de Wish You Were Here do Pink Floyd.

A banda está redondinha (Axl está redondo literalmente), e muito bem entrosada, como se eles nunca tivessem deixado de tocar juntos. Em resumo, foi uma noite memorável pra cada fã do Guns n’ Roses que ali esteve, e pode ver a banda em ação. Axl não permitiu a entrada de fotógrafos de veículos de imprensa no show. As fotos deste post são de divulgação, autorizadas pela banda

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