O Black Sabbath provavelmente seja a banda mais importante do Heavy Metal, sem eles dificilmente existiriam bandas como Metallica, Slayer, Iron Maiden e tantas outras que foram buscar inspiração nos riffs de Tony Iommi. O guitarrista Andreas Kisser do Sepultura conseguiu numa simples frase, traduzir toda a importância do quarteto inglês pra mundo do rock, “O Black Sabbath é o gênesis do heavy metal, de temática, da sonoridade, trouxe uma outra opção pro cenário musical”.

Tony Iommi, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward (que na turnê foi substituído por Tommy Clufetos), estão na ativa há quase cinco décadas, e decidiram fazer uma turnê de despedida, oportunamente chamada de The End, e felizmente o público brasileiro pode acompanhar a despedida do grupo em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. A banda tem até o dia 04 de fevereiro, quando realiza seu derradeiro show em Birmingham, sua cidade natal, apenas mais 9 apresentações, por isso, foi mais do que uma honra acompanhar o último show do Sabbath em terras brasileiras ao lado de 65 mil pessoas no estádio do Morumbi em São Paulo.

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Uma noite inesquecível

Ozzy tem 68 anos e um longo histórico de abuso de drogas, Tony Iommi também tem 68 e luta contra um câncer desde 2012, isso justifica a apresentação curta, com apenas 13 músicas, não deve ser fácil sair em turnê nesta idade e enfrentar meses com apresentações em diversos países a cada 3 ou 4 dias. E até por isso o repertório deixou boas músicas de fora, eu particularmente senti a falta de Sabbath Bloody Sabbath, Symptom of the Universe, The Wizard, Sweet Leaf e Sabbra Cadabra, só pra citar algumas.

O show começou com apenas 5 minutos de atraso, e teve pouco mais do que uma hora e meia de duração, mesmo com o repertório enxuto. Quem não ficou enxuto foi o público, já que uma forte chuva não deu a menor trégua para a platéia, que pareceu não se incomodar nem um pouco com isso.

No palco, Ozzy manteve o carisma de sempre, e em diversos momentos interagiu com o público com suas frases já manjadas: “I love you” e ” I can’t hear you”. Eles às vezes não atinge as notas mais altas, às vezes parece que está lendo a letra, mas ele pode fazer o que ele quiser que ninguém está minimamente preocupado com isso.

Eu já tinha visto o vocalista com sua banda solo três vezes, então ver como ele se diverte no palco não foi novidade alguma pra mim, mesmo correndo menos do que antigamente, ele ainda sabe como manter o público animado o tempo todo. O que foi uma novidade pra mim foi ver a classe com que Tony Iommi toca, solos precisos, riffs pesados, toda a sonoridade da banda passa pela sua criatividade e pelo som incrível da sua guitarra. Ele é super discreto, mas ao mesmo tempo muito eficaz, todo mundo vai ao delírio com seus seus acordes.

Setlist com muitos clássicos

Eles abriram com a sombria Black Sabbath, e seguiram com Fairies Wear Boots e After Forever, mas o público enlouqueceu mesmo com a sequência de Snowblind, e a magnífica War Pigs, um dos hinos da banda. Em N.I.B. podemos conferir toda a habilidade de Geezer e seu baixo, já na instrumental Rat Salad, o baterista convidado pode mostrar toda a sua habilidade.

Iron Man foi um dos pontos do setlist, mas a grande música da noite pra mim foi Children of Grave e seu riff ameaçador, aquela introdução é uma das coisas mais legais de todos os tempos. Obviamente o encerramento foi com o clássico Paranoid, e todos fomos pra casa mais do que satisfeitos por poder assistir uma grande apresentação, de uma banda que é uma referência pra qualquer fã de rock no planeta.

Que bela noite! Deibaixo de MUITA chuva, acompanhamos hoje o último show no Brasil da turnê de despedida do Black Sabbath.

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