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Imagina que você tem uma banda com os amigos, estão batalhando pelo sucesso e, de repente, descobrem que vão abrir o show de uma das maiores bandas de rock do mundo? Foi o que aconteceu com os caras da Sioux 66, que estão lançando o segundo CD – cantado em alto e bom português – e vão tocar na passagem de Aerosmith por São Paulo no próximo dia 15.

Formada por Igor Godoi (vocal), Mika Jaxx e Bento Mello (guitarras), Fabio Bonnies (baixo) e Gabriel Haddad (bateria), a Sioux 66 busca resgatar a pegada hard rock e pôr em prática a atitude de suas referências. Ainda esta semana, eles lançam nas plataformas digitais o novo álbum, intitulado “Caos”, em parceria com a Sony Music.

Recentemente, a banda lançou sua a nova música de trabalho “O Calibre”, uma versão do hit da banda Paralamas do Sucesso e que fará parte do novo álbum do grupo, sucessor de “Diante do Inferno” (Wikimetal Music, 2013).

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Gigantes brasileiros

Mas não pense que eles começaram agora. Desde o lançamento do primeiro EP, em agosto de 2012, a banda vem se apresentando nas principais casas do cenário rock paulistano e foi convidada a fazer a abertura do show das suecas do Crucified Barbara no Inferno Club (SP) e Gilby Clarke (ex-Guns N’Roses) no lendário Circo Voador (RJ) e no Carioca Club (SP). Além disso, tocaram para O Rappa, Ultraje a Rigor e Ira!.

No início de 2013, o Sioux 66 foi o único representante do Brasil em todo o continente americano na fase final da batalha de bandas do tradicional festival “Sweden Rock Festival” (SUE), feito repetido no “Desafio Monsters Of Rock”.

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A turnê Rock n’ Roll Rumble – Aerosmith Style 2016 passará por Porto Alegre, no Anfiteatro Beira-Rio, no dia 11 de outubro, em São Paulo, no Allianz Parque, no dia 15 de outubro, e em Recife, no Classic Hall, dia 21 de outubro. Na estrada há mais de 40 anos, a banda vendeu 150 milhões de álbuns, colecionou prêmios, fez shows com ingressos esgotados nas principais cidades do mundo e entrou para o Hall da Fama em 2000.

Será que já caiu a ficha? Conversamos com Bento Mello e Fabio Bonnies sobre a notícia e a responsabilidade que está nas mãos deles agora. Confira:

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Como foi receber essa notícia de que abririam a sexta (e talvez última) passagem do Aerosmith pelo Brasil?

 

Fabio: Foi como tomar um choque (risos). Quando me falaram que existia a possibilidade, eu fiquei maluco de alegria, mas tive que me conter pra manter os pés no chão. Aí então nos disseram que faltava a aprovação do Aerosmith. Foram os dois dias mais ansiosos da minha vida (risos).

Bento: Acho que foi uma mistura de espanto, euforia e muita alegria. Além de sermos fãs da banda, estamos passando por um momento muito especial de lançamento do nosso segundo disco, ‘Caos’, em parceria com a Sony Music. Penso que essa oportunidade é um prêmio por todo o trabalho da banda, em especial, no último ano e meio quando mergulhamos de cabeça nesse projeto.

Li que o maior show de vocês foi abrindo o show do Rappa com 8 mil pessoas. Já caiu a ficha do tamanho do show que vem por aí? Cabem até 48 mil pessoas no Allianz Park!

 

Fabio: Ontem o Bento brincou comigo dizendo que isso vai ser o mais próximo que vamos chegar de jogar no Palmeiras, que é nosso time do coração (risos). Acho que a ficha só vai cair mesmo quando estivermos no palco de frente para a platéia.

Qual a relação de vocês com a banda Aerosmith?

 

Fabio: O Aero é uma das nossas principais influências, particularmente é uma das minhas bandas preferidas junto com Guns N’ Roses e Ramones.

Bento: Todos somos muito fãs. É uma das nossas principais referências. Não só pelo som mas também pela postura que eles tem no palco. Acho que é uma das maiores ‘químicas’ do rock ‘n’ roll em todos os tempos. Pessoalmente, foi a primeira banda de hard rock que eu me interessei. Lembro quando tinha 10 anos vi pela primeira vez eles no ‘Wayne’s World 2’ e pirei. Pouco tempo depois, quando eu mergulhei de cabeça no rock, lembro da emoção de estar mexendo nos discos do meu pai e encontrar o vinil do ‘Permanent Vacation’. Nesse disco tem ‘Dude Looks Like A Lady’ que é a primeira música deles que rola no filme e até por isso eu tenho um carinho especial por esse disco e por essa canção.

Isso estava nos planos ou mesmo no imaginário de vocês pra 2016?

 

Fabio: Tínhamos planejado trabalhar pra conseguir abrir shows, mas não tínhamos muita esperança de conseguir algo desse porte, ainda mais com o Aero.

O que acham que vai mudar pra banda com esse show?

Fabio: Além da experiência que vamos adquirir, vamos poder mostrar o nosso show para muita gente que não nos conhece. Esperamos conseguir novos fãs, mas a essência do trabalho vai continuar o mesmo, talvez num patamar maior.

Não é fácil uma banda de hard rock fazer o sucesso que vocês vêm fazendo, ainda mais cantando em português. A que mais vocês atribuem essa dificuldade?

 

Fabio: A dificuldade é justamente por ser Hard Rock em português. A grande maioria das pessoas não sabem que existem bandas assim. A galera no underground tá ligada, mas a massa não, então fica difícil que cheguem até as bandas desse estilo simplesmente porque as pessoas não procuram por não ter conhecimento desse tipo de som sendo feito aqui. Temos trabalhado há 5 anos pra mudar isso e creio que estamos conseguindo aos poucos furar esse bloqueio e fazer nosso som chegar cada vez mais nos fãs de Rock.

Bento: É uma questão complicada e acho que não tenha uma resposta precisa. Posso dar o palpite de que é uma questão de costume dos ouvidos das pessoas. Penso que nenhuma banda do estilo está realmente em evidência nos meios de comunicação de massa, então se o público que consome o rock pesado, que é enorme, não for atrás das bandas e tiver a cabeça aberta para ouvir algo que soe diferente das bandas de fora, a aceitação se torna mais complicada. Digo isso porque já não tive essa abertura dentro de mim, mas fui me acostumando e hoje não tenho problemas com isso. Hoje penso que a música boa não tem idioma, e bandas de qualidade por aqui não faltam.

E, por outro lado, a que vocês atribuem essa alavancada?

 

Fabio: Muito trabalho em conjunto com a nossa equipe, outras bandas e coletivos de bandas como a Gang da 13, Base Rock e etc e principalmente o apoio dos nossos fãs.

Além da divulgação do novo disco, quais os próximos planos?

 

Fabio: Gravamos um clipe recentemente que vai ser lançado um pouco antes do disco. Estamos montando um show legal e estamos preparando uma tour. Esperamos conseguir tocar no Brasil inteiro.

Bento: Acredito que vamos focar no trabalho desse disco até o início de 2018, quem sabe nesse tempo não possa surgir algum projeto ao vivo, por exemplo. Mas nada que tenha sido discutido por nós. Esperamos poder rodar o Brasil com essa turnê ‘Caos’, e que esse possa ser o começo de uma bela história dentro do rock brasileiro.