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Nos idos de 1994, o Oasis experimentou um fenômeno parecido com o que aconteceu com outros rapazes ingleses no começo dos anos 60, sim, eu vou mesmo começar este texto comparando Oasis a Beatles, mas que fique claro que não estamos falando da importância e originalidade das bandas, mas sim de sucesso meteórico. Pra situar você, leitor, eu considero os Beatles a maior banda de todos os tempos, já o Oasis, é uma ótima banda, e nada mais do que isso. O que eles tiveram em comum além de serem do mesmo país? Um começo de carreira arrasador.

O Oasis fez parte da minha adolescência, e sem sobra de dúvidas foi uma das bandas que me fez gostar de rock, mas infelizmente, a primeira coisa que vem à cabeça quando pensamos na banda de Manchester, nem sempre são ótimas músicas que o quinteto compôs enquanto esteve ativa, mas sim as brigas entre os irmãos Gallagher, o vocalista Liam deixando o palco no meio dos shows, e o guitarrista Noel dando declarações polêmicas sobre tudo. O Documentário Supersonic, que agora está disponível no Netflix, nos ajuda a entender um pouco como foi que a banda num espaço de apenas 2 anos, deixou de fazer shows em minúsculas casas de show, para concertos com 250 mil pessoas.

Com muitas cenas de bastidores, cenas raras, e depoimentos dos próprios integrantes, o filme mostra em pouco menos de 2 horas, como foram aqueles primeiros anos. A impressão que fica é que além de jovens deslumbrados com a fama, dinheiro, fãs e fácil acesso a todo tipo de drogas, os caras apesar de talentosos eram mesmo um bando de babacas fazendo boa música. Liam e Noel viviam numa constante guerra de egos, cada um se achando mais importante que o outro e que a própria banda, e literalmente ignorando os outros integrantes do grupo, como se eles fossem totalmente descartáveis e irrelevantes. O guitarrista ao menos era profissional e se preocupava com a banda, e tinha compromisso com os fãs, já o vocalista é era um verdadeiro alucinado e mimado.

Talentosos, porém cretinos

Eles mergulharam de cabeça na fama e nas drogas pesadas, adotaram uma postura bem “Rock N’ Roll Star“, quebrando quartos de hotéis, brigando com a imprensa, fazendo festas e “vivendo o sonho”. Dentre as histórias e mágoas de todos os lados, os irmãos que não se falam desde o fim da banda em 2009, contam como a relação entre eles sempre foi difícil, e citam exemplos como a noite em que Liam chegou em casa bêbado e urinou no aparelho de som de Noel.

Pra quem não gosta da banda, ver o documentário só reforça que os caras eram realmente pessoas de atitudes questionáveis, mas para os fãs, e eu me incluo nesta lista, existem ótimos momentos, como Noel contando que escreveu “Talk Tonight” depois de uma briga no meio do palco com o irmão, num dos inúmeros episódios que quase terminaram com a banda ainda nos primeiros anos de carreira. Além disso é possível ver os caras tocando “All Around the World” ainda nos tempos de banda de garagem, muitos anos antes do lançamento da música, apenas no terceiro álbum do Oasis.

Assistir Supersonic é praticamente um manual de como construir e destruir uma banda em passos simples. Chega a dar uma tristeza ver que os egos dos irmãos Gallagher superaram o talento, ficando claro que eles não estavam nem aí pros fãs e só pensam em si mesmos.