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A mulher é o paradoxo mais impossível já possível na face da terra. Diria até que ela é a prova irrefutável da existência de um Deus, Deus este perfeito que tão perfeitamente juntou tudo de mais odiável e tudo de mais amável e formou sua mais bela criação.

A mulher é uma caixa de pandora mais ampla, além dos males, também contém os bens do mundo. E nela fazemos nosso castelo que por vezes é confundido com um calabouço. Não somente eu, como também qualquer homem existente no planeta, desistiu de encontrar explicação para aquele ser que muda de opinião e de sapato tantas vezes quanto muda de humor, vestido e saia. Deus existe e fez a mulher para nos testar. Para ver como lidamos com situações indecifráveis, e até hoje vamos pelo tato, vendo onde podemos pisar, com toda calma do mundo. De um sorriso para a fúria são somente algumas palavras, e como não sabemos quais são, melhor tomar cuidado com todas.

Então eu entendo meu pai, quando eu era criança e pedia um quebra-cabeça mais difícil, ele olhava de soslaio para minha mãe e dizia “tudo ao seu tempo, meu filho. Um dia você terá um indecifrável”. E eu duvidava. Até entrar em contato com a primeira mulher que participou da minha vida, mesmo que tenha sido com um beijo no rosto. Lá pelas tantas, recitei-lhe um poema e ela terminou comigo. Assim, na mesma hora. Não estava preparada para aquilo e eu fiquei sem entender nada. Como fico até hoje. Como ficarei até morrer.

Mas essa indecifrabilidade é tão apaixonante, tão provocante que mergulhamos nesse labirinto de cabeça e quando pensamos que há uma solução, percebemos a miragem e assim continuamos a vida, andando na direção do fluxo e vendo como nos saímos pelas andanças da vida. Se o sentido da vida dependesse da descoberta dos pensamentos e sentimentos de uma mulher, viveríamos na eterna ignorância do porque de estarmos aqui. Dizem que quando o primeiro homem decifrar a primeira mulher, Deus acaba o mundo e o refaz novamente. Eu também acharia um passatempo interessante.

E quando nos acompanha aquela que nos entende e nos acalma. Nos dá carinho e nos ama, parece que perdemos a noção de tudo, principalmente do ridículo. Mas nem isso evita uma boa briga na época da TPM, que não tem cabeça, nem corpo e o seu fim é instantâneo. Enquanto você fica atônito, tentando entender o que aconteceu. Não se preocupe, meu amigo. Você não a entende não é por falta de sabedoria ou tato com as mulheres. É muito amor. O nosso amor pelo desafio, pelo enigma, pelo mistério, é tão grande, que a confusão da mulher se torna um adendo na paixão, como se fosse um perfume. Há aquelas que se dizem descomplicadas, mas isso não existe, essas conseguiram até confundir a si próprias. Seja mãe, irmã, vó, ficante, namorada ou mulher, está ali, bem apagadinho, na rocha de Moisés, uma observação: “Aos homens, não entenderás mulher alguma, mas isso não é um mandamento, é que tivemos um probleminha aqui.” Foi depois dessa descoberta que Deus inventou o ditado “Quem avisa amigo é”. Mas isto não é uma reclamação.

Venho aqui como um chamado, uma mão que se levanta para que haja um agrupamento. Por muito tempo permaneci calado, inerte, achando que o problema era comigo, mas não, o engraçado é que não há problema. “Há sim! As mulheres são problemáticas!” Dirão alguns desentendedores. Não, não são! Elas são apenas seres que têm pensamento próprio e que este não se assemelha ao nosso. Não podemos, nem nunca conseguiremos, entender uma mulher com pensamentos masculinos. Não estamos nem aí se a tampa do vaso está levantada, porque não somos nós que sentamos lá. Assim como elas não entendem nossa paixão por times de futebol, porque não são elas que são sacaneadas quando nosso time perde. Cabe a nós somente admirar, amar e cuidar. Observar com muito carinho a perfeição do caos personificado, um caos tão perfeitamente caótico que chega a ser sincronizado. Até porque o amor em si não precisa de explicação. Para facilitar, é só pensarmos da seguinte forma. Se ficarmos tentando descobrir incessantemente o porquê da vida, vamos morrer sem ter vivido. Se ficarmos tentando entender a mulher, vamos morrer sem ter amado.