Venho, por meio desta, defender uma classe. Gostaria de me expressar sobre uma casta da sociedade que é menosprezada perante os padrões atuais de beleza. Pessoas com imensas contribuições para o crescimento de diversos setores da sociedade e que, continuamente, estão sendo coagidos a deixarem de lado o que melhor lhes caracteriza. Venho defender, nós, os gordinhos e gordinhas.

Sim! E antes que digam algo: “Ahh! Mais um texto dizendo que homem pode ser gordo, mas mulher tem que ser gostosa”. Não ponha palavras na minha boca que ela já está cheia de chocolate. Defendo, veementemente, todos nós, como já dito anteriormente. Não importando classe, cor e sexo. Nós, os gordinhos e gordinhas, mãos de fada na cozinha, adoradores de bacon, bebedores de cerveja e assadores de carne, temos de ser escutados.

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Cena do filme “Paraíso” (2013)

Há muito tempo, ser gordo significava ter riquezas. Quanto mais avantajado fosse a barriga de alguém, mais posses e bens aquela pessoa tinha. Hoje, perdeu-se tal significado. Nos dias atuais, significa duas coisas: nós vivemos. Apareceu um vídeo-receita na timeline? Vou testar assim que terminar de jantar. Abriu um restaurante novo na cidade? Você irá nos encontrar lá. Choveu? A panela já está alegre e saltitante esperando mais uma sessão de brigadeiro e House of Cards.

Vivemos em um mundo muito obcecado pela magreza. Tudo bem fazer dieta, temos sempre que cuidar da saúde, tomar cuidado para não dar nenhum problema. Mas, há que se pensar no seguinte: ser gordinho ou gordinha não influencia diretamente em ser saudável. Não estamos falando de obesidade. Estamos falando dessa obsessão por barrigas cada vez mais negativas e esse horror que todo mundo sente das comidas gostosas que há por aí.

Nosso abraço é mais gostoso e dormir conosco é como dormir com dois cobertores, daqueles mais macios, egípcio de mil fios, tecido por freiras tibetanas com alimentação baseada em bacon. Só é difícil tirar de cima se sentir calor a noite (minha mulher sofre). E a cada saradão ou saradona fazendo 5 séries de supino, tem um gordinho ou gordinha preparando pipoca doce, com muito amor, para grudar na Netflix a noite inteira.
Se já criaram o “Deboísmo”, saibam que os gordinhos e gordinhas são os pastores. E venho, por meio desta, declarar a paz. Afinal, depois da Páscoa, creio que estamos todos no mesmo nível.

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