– João Roberto, há quanto tempo!
– Maria Cláudia! Nossa, nem lembro quanto tempo faz!
– Caramba, faz o quê, uns 8 anos que nos separamos?
– Por aí, uns 7 ou 8, não me lembro bem. Nossa, como você está?
– Estou ótima, depois que nos separamos minha vida melhorou muito!
– Nem me fale, Claudinha! Comigo foi a mesma coisa, nem sei por onde começar.
– Eu estava indo almoçar, você não quer ir comigo para colocarmos o papo em dia?
– Ótima idéia, vamos sim!
– Então, João. Depois que nos separamos eu emagreci 30kg, ganhei na loteria e acabei me casando de novo!
– Nossa, que maravilha! Nunca imaginei que isso aconteceria, fico tão feliz em saber!
– E você, como andam as coisas?
– Ah, comigo também está tudo perfeito. Lembra da minha chefe, a Rosângela?
– Ah, aquela que você transava enquanto eu estava em casa com Pneumonia? Gente, lembro sim, pessoa ótima!
– Então, eu acabei me casando com ela e hoje sou dono de metade das empresas. E também acabei ganhando um Nobel de
Física pela minha descoberta sobre reflexão inter-dimensional da luz em buracos negros em anos bissextos.
– Puxa vida, que sensacional! Eu sabia que você não ia ser um perdedor a vida inteira. Isso é maravilhoso!
– Pois é! A vida tem sido bem generosa comigo depois que larguei você.
– Engraçado como as coisas são, não é? Você lembra da época que estávamos juntos?
– Claro, claro que lembro, lembro de tudo. Como esquecer aqueles ataques de ciúmes bem fofos que você tinha
sempre que eu ia correr no parque?
– Hahahaha, é verdade! Nem lembrava disso! EU também amava coisas que só você tinha, como aquele ronco absurdamente
alto e a flatulência debaixo do edredon. Nossa, que saudade…
– Você lembra quando eu dormi com a sua irmã bem na véspera do nosso casamento? Hahaha, maior comédia!
– Hahaha, você era um brincalhão mesmo, sempre me fazendo rir…
– É mesmo, Claudinha! Eu sempre tentei te fazer rir, acho que isso é importante num relacionamento.
– Nossa, verdade. Fundamental! Eu ria o tempo todo das suas cuecas sujas pelo chão, da toalha molhada em cima da cama…
– E quando você batia nosso carro todo mês? Nossa, era hilário! Sem contar quando você descobriu que eu tinha traçado a empregada e..
– E dormi com o porteiro? Choreeeei de rir nesse dia! Nossa, nunca ri tanto!
– Menina, eles acabaram casando! Só achei estranho o filho deles ser tão clarinho, mas acontece, né? Deve ser gene recessivo.
– Pois é, uma bênção!
– Sabe do que me deu saudade agora? Da tua TPM!
– Ai, João, era o que você mais gostava em mim, admite, vai!
– Nossa, essa sua TPM era coisa de louco… Lembra daquela cicatriz na testa que eu tinha do prato que você jogou em mim?
– Gente, ela ainda existe?
– Só um resquício, fiz plástica, mas ela tá aqui ó, me fazendo lembrar de você todos os dias!
– Nossa, é mesmo! O amor marca mesmo as pessoas…
– Marca, com certeza. Nossa, que saudade daqueles tempos…
– Acho que nunca saberemos porque não deu certo, não é mesmo?
– Pois é. O amor é mesmo uma coisa estranha.

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