Todos nós já passamos por poucas e boas em viagens, principalmente, no exterior. Certa vez, eu e minha mulher passamos por vários causos na Argentina. Ressalto que sou extremamente contra o bullying que é feito com os hermanos, mas, não posso negar que, certas vezes, alguns fazem por merecer.

Primeiro susto que tomei, foram com as contas dos restaurantes. E vocês bem sabem o trauma que eu tenho de contas. Eu calculava certinho, pra não dar nenhum centavo a mais no final. Porém, sempre esquecia que tinha a porra do “cubierto”. Na primeira reclamação, um olhar de soslaio e uma cara de impaciência do garçom. Explicaram-me que aquele valor era cobrado pelos talheres que utilizávamos. Se minha mulher tivesse deixado eu comprar nossos talheres e sair andando pra cima e pra baixo com eles, sabe-se lá quanto não teríamos economizado. Pensei até em comer com a mão, comer só com o garfo, tomar sopa botando a boca na beira do prato, mas, nenhuma das minhas ideias foram aprovadas. Fiquei com trauma de “cubierto“.

Mas, nem só com “cubierto” tivemos prejuízo. Esta outra, inclusive, foi ingenuidade nossa. Estávamos em um ponto turístico famoso de Buenos Aires, o El Caminito, e queríamos tirar foto com os “dançarinos de tango”. Não esperaram nem a gente pedir, a mulher me puxou, o homem puxou minha mulher. Não disseram nada. Batemos as fotos. A “dançarina” vira-se para mim e fala: “São 100 pesos cada foto. Você bateu duas e ela duas, 400 pesos”. Jurei que apagaria as fotos na frente dela! Depois disso, não podíamos ver mais nenhum “dançarino” por perto. Um deles chegou a puxar minha mulher e se arrependeu amargamente: “EU NÃO VOU SER MAIS ROUBADA AQUI NESSE CARALHO, ENTENDEU?”, lhe falou sutilmente. Se não entendeu o português, com certeza entendeu o caralhês.

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Perto do final da viagem, fomos dar um último passeio em uma rua cheia de lojas e pontos comerciais, a Florida. É preciso contar um detalhe: eu adoro mágica. Adoro a sensação de conseguirem enganar meus olhos sem muito esforço. E aquela rua é cheia de mágicos com os mais diferentes truques. Quis o destino que eu me aproximasse de um deles. Foi o primeiro, inclusive, a interagir conosco. Pediu para tirarmos duas cartas do baralho e eu já com olhar infantil, feliz da vida por estar brincando de mágica. Enquanto distraía a plateia, afastou-se um pouco e perguntou: “da onde são?”. “Do Brasil!”, respondemos. “Já foram roubados na Argentina?”. Pensei em dissertar sobre os causos anteriores, mas, achei melhor não, podia pegar mal e foram coisas pontuais. “Não, não”, respondemos e rimos. “Ahh cuidado! Olhem logo a bolsa. Pois, se não foram, serão!”. Rimos bastante. Ele acertou as duas cartas e fomos embora.

Chegamos no hotel e a minha mulher foi postar as fotos do dia em seu Instagram. Não o fez por um único detalhe: não conseguia encontrar seu celular. Buscamos no quarto inteiro, refizemos nossos passos, mexemos na mala, mas o celular havia sumido. Sumiu? Lembrei do mágico. Que filho da puta. Ainda avisou. Nem pensamos em voltar lá, era capaz dele conseguir levar até coisa que estava aqui no Brasil.

É inerente ao turista passar por essas coisas, não tem jeito. Aqui no Brasil, por exemplo, os coitados acabam comprando coisas em aeroporto, que custam vinte vezes mais do que na banquinha na esquina. Mas, por via das dúvidas, pergunto tudo antes, não aceito mais nada que parece ser de graça. Mágica? Não, obrigado. Agora só em vídeo do Youtube, com o saudoso Mister M, que contava tudo pra gente não ficar com cara de leso no final.

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