Sobre palmeiras e sabiás, eu não sei muito. Sinto falta de alguns cantos, mas eles não são tão essenciais. O que mais me dói a vista é a falta de um bom rebolar. E se eu tivesse escrito a Canção do Exílio, hoje a frase conhecida seria “Minha terra tem umas curvas que são boas em rebolar. As bundas que aqui rebolam, não rebolam como lá.

E certamente não, o frio nos obriga a agasalhar e a andar rapidamente, não dando chance alguma ao andar passarelístico de mulher alguma. E essa mudança fez as mulheres perderem o dom do andar por aqui. Nenhuma se compara a nossa histriônica brasileira que além de chegar ao seu destino, quer arrematar alguns olhares. Essa malícia se perdeu por aqui e automatização de tudo aconteceu com as mulheres. É tudo muito coreografado, muito cinematográfico. Os passos são corretos, a fala é direta e pronto. Não há espaço para um “quer uma cerveja?” ou qualquer outro convite com mais de vinte intenções.

Acho que isso é coisa de brasileiro, ou coisa de quem escreve, ou minha mesmo, mas aprecio uma boa visão. Não que eu esteja reclamando de beleza, as mulheres daqui são belíssimas! Mas é que há um que de je ne sais quois na brasileira que estremece a gente, deixa a perna bamba. Uma coisa que nem eu, nem ela, nem ninguém saiba. E talvez nem exista. Mas é algo que nos deixa confortável, nos faz sentir em casa.

E acima de tudo, sinto falta de uma boa interação sem compromissos, uma boa conversa ao pé do ouvido, sem significar nada. Até as danças, se é que posso dar esse nome, são afastadas. Onde já se viu! Não tem como dançar coladinho, gostosinho, fungadinho, um bom forrózinho. Acho que a falta de curva evita o encaixe e por isso eles preferem ficar pulando. Enfim, enaltecer uma, não significa denegrir outra, a gringa tem seu valor, tal qual todas as mulheres do mundo. O problema foi que eu não soube descobrir. Por isso, para mim, pegando gancho de Benito, mulher brasileira é primeiro, segundo e terceiro lugar.