Ao lado de uma mulher você tem que ser uma verdadeira memória ambulante. Esqueça a matéria da faculdade, esqueça a sua agenda de amanhã, esqueça o recado importante do seu chefe. Guarde espaço para não esquecer, jamais, qualquer momento, coisa, acontecimento ao lado dela. Escreva em um papel, cem ou duzentas vezes, os números dela e nunca se atreva, depois de dois anos, perguntar quanto ela calça.

Era dia dos namorados e um amigo meu correu até o shopping para comprar um presente para a esposa. Já estava errado. Mas, como o tempo estava corrido, resolveu que de última hora conseguiria resolver sua pendência e chegaria em casa como se o presente já estivesse com ele há uma semana. Decidiu comprar um sapato, lembrou-se que era o tipo de presente que sua mulher mais gostava. Lembrou do nome! Scarpin. Escolheu um preto, para não ter erro e a pergunta fatídica: “quanto ela calça?”. Pensou: “fudeu-se”.

Conseguiu lembrar do nome do sapato, a cor preferida, mas faltava-lhe o número. Sem tempo e com bateria descarregada, não tinha a quem recorrer. O desespero começou a dar sinais e ele não tinha nem noção de como resolver aquilo. Comprar roupa era muito pior, pois não se lembrava dos modelos que ela gostava, só conseguia se lembrar das lojas. Era tanta coisa pra lembrar que Pedro já não tinha espaço em seu HD cerebral. Lembrou da vez em que Juliana ficou uma semana sem falar com ele, pois se esqueceu o filme que viram pela primeira vez juntos no cinema. E até hoje não sabe, toda vez que pergunta, a mesma resposta: “se fosse importante, você lembraria”. Achou melhor não tocar mais no assunto.

Esse problema é causado pela disparidade entre a memória feminina e a masculina. O homem não tem a mesma capacidade de armazenar memórias que as mulheres. Se seu namorado, esposo, ficante, amigo ou qualquer coisa que seja, não lembrar qual foi a primeira vez que vocês foram ao cinema, ele não é um filho da puta. A culpa não é nossa se vocês lembram até a cor da calcinha que estavam no terceiro encontro que vocês tiveram naquele restaurante italiano, que você pediu lasanha e ele spaghetti a putanesca. Eu não lembro o que eu almocei ainda agora, porra! E o pobre do Pedro lá, entre o casamento feliz e o amargor do divórcio por não saber quanto a mulher calçava.

Pediu para que a vendedora experimentasse o sapato. Isso também era um perigo. Mas, correu o risco para salvar-se. A mulher calçava 36, mas seu pé parecia menor que o de sua esposa. Fez uma regra de três, analisou e levou o 37. Rezando para que o acaso o abençoasse.

Na hora da troca dos presentes, pediu para que a mulher experimentasse o sapato e ficou perfeito. Graças a Deus! Abriu a camisa que ganhou e parecia ser grande, experimentou e ficou enorme. Era G e ele vestia M. Juliana, sem pestanejar, “ah, amor. Vai lá amanhã e troca.” Simples assim.