Há alguns dias, recebi a grande notícia de que serei pai. Pois bem, logo após o tempo de acalmar as emoções, fiz o que todo homem deveria fazer numa situação como esta: fui na loja do Paysandu e comprei tudo que havia para criança recém-nascida. Body, sapatinho, camisa, bermuda, boné, chupeta e uma camisa pra mim, pra combinar, afinal, sou o pai e não sou de ferro.

Não estou falando do Paysandu especificamente, esse foi o meu caso. Falo da paixão através das gerações. Entendam, os clubes dos nossos corações existem até hoje, com dezenas e centenas de anos, por um único motivo: a hereditariedade. Além de apoiá-los incondicionalmente, torcendo em qualquer lugar do mundo, em qualquer amistoso ou final, temos a missão de perpetuar esse amor. E existe forma melhor do que passar o bom exemplo aos nossos filhos?

Contar as maiores vitórias e de como superamos nossas derrotas. Explicar porque o juiz sempre rouba contra o nosso time – a não ser que você seja Corintiano, então, pule esta parte – e provar por A mais B que, sim, somos muito maiores que o nosso rival.

Precisamos repetir, também, os grandes feitos, as consagrações. Vou narrar sempre que puder, no intervalo dos episódios da Galinha Pintadinha, quando o Iarley entrou na grande área, fintou o zagueiro do Boca e ouvimos o narrador cravar na história: “Faz o gol Iarleeeeeeeey!”. Gol do pequeno Paysandu em cima do gigante Boca Juniors. Calando por completo o La Bombonera. Perdemos na volta, mas, meu/minha filho/filha tem que aprender desde cedo que umas vezes se ganha e outras se perde. E que aquela vitória significou muito pro nosso Papão e sempre ficará registrado em nossos corações.

Assim, tornamos nosso time um pouco mais imortal. O mesmo clube que teve uma história com meu bisavô, teve com meu avô, meu pai, comigo e agora, se Deus quiser, com o(a) herdeiro(a) de toda essa paixão. E a lógica é a mesma para cada grito apaixonado da torcida que ecoa pela gerações e mantém acesa, para sempre, a chama da nossa paixão pelo futebol.

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A equipe Testosterona com seus pais e a herança: paixão pelo futebol (André, Edu, Victor, Fran, Diego e Marcelo)