Alguns dias atrás eu fui disputar um torneio de poker em Jundiaí, a convite do meu grande amigo Eduardo Mansho. Era um classificatório, cuja final seria em Campinas no domingo seguinte. Fazia um tempo que queria ir até lá bater um papo e aproveitei pra entrar na disputa, já que quase nunca consigo jogar live. Eu só não esperava que iria tão longe, como fui.

Quando você vive nos bastidores do BSOP você respira poker, queira ou não. O fato de eu ser apaixonado por isso ajuda bastante, já que além de ter acesso irrestrito a diversos profissionais e poder falar com eles sobre o jogo, eu também procuro ler e me informar sempre que possível. Inclusive, por coincidência, eu to lendo um livro que está me ajudando na maior dificuldade que eu enfrento no poker – Poker Mindset. Recomendo para quem quer preparar o lado psicológico com a realidade sendo esfregada na sua cara em cada capítulo dele.

Dito isso, eu consegui nesse dia classificatório encaixar muita coisa no meu jogo que eu não tinha antes. Tomar uma bad beat geralmente pode significar o fim de um sonho para aqueles que não estão preparados, por exemplo. Quando eu perdi um AA para um 67s eu fiz o que era esperado: não me abalei, dei risada e esperei a hora certa para voltar para o jogo. Tava concentrado, o baralho estava ajudando na medida do possível e somente coloquei o torneio em risco uma vez, quando dei all in já trincado no flop e o adversário tinha pedida de flush. Que bom que você pagou, amigão!


Passei chip leader do torneio, com mais de 510000 fichas. Fui disputar a final no domingo com 129 jogadores que também e se classificaram e passei o dia inteiro jogando com 20 blinds, seguro e tranquilo. A cada mudança de blinds eu subia meu stack de forma bem conservadora, mas tranquila. Quando tinha 30 jogadores na disputa, fiz algo que recomendo a todos: olhei a premiação ao campeão. E foi focado naquilo que eu consegui me concentrar ainda mais, até chegar a mesa final.

No total, foram 16 horas jogando no domingo. Saí de lá na segunda-feira de manhã, com a sensação de dever cumprido – e comprido. As coisas foram tão incríveis que eu soltei uma falinha na mesa enquanto estávamos em 4 jogadores e todo mundo acabou se abalando ali. Como só tinha 3 troféus, eu ganhei uma mão grande e disse que depois daquilo eles deveriam lutar entre si porque eu iria ficar só esperando. Com isso, acabei entrando em mais 3 ou 4 mãos sem nem olhar as cartas e apostando fiz eles fugirem, já que acharam que eu só jogaria com valor.

Já completamente cansado e depois de um deal justo, preferi deixar a mesa em segundo porque o campeão queria continuar jogando. Eu tava com 20 milhões de fichas e ele com 4, dei 10 allins seguidos e ele dobrou 2 vezes. Eu já não tava mais a fim de jogar, claramente, e saí. E ele foi o campeão de fato, porque foi até o final. Fiquei em 2°, com um troféu que já está enfeitando a minha estante, um prêmio de mais de 8 mil reais e feliz, por ter visto que tudo o que aprendi nos bastidores foi colocado a prova com sucesso. Que venham os próximos torneios!