MULHERES
O tema causou polêmica entre a equipe Testosterona há uns dias e achei que o assunto merecia uma atenção. Então, fui até lá ver como era, conversei com a mulherada e entrevistei o próprio idealizador do Clube das Mulheres. E posso afirmar: não é nada disso que você está pensando.

Fui convidada para a festa de comemoração dos 25 anos do Clube das Mulheres, que aconteceu dia 17, em São Paulo. Já conhecia um pouco do show por ter visto apresentações de alguns personagens em eventos como a Erótika Fair, mas nunca tinha visitado a casa. Vocês sabem, o Clube das Mulheres é a mais famosa casa de shows para mulheres, com reconhecimento até internacional, onde tradicionalmente as mulheres gostam de fazer despedida de solteira, etc. O ponto é que, fiz uma pergunta e o caos foi instaurado:

 E se a sua namorada quisesse ir ao Clube das Mulheres com as amigas?

Existe essa imagem de que é um “antro de putaria” e alguns chegaram a comparar com puteiros mesmo. Alguns se opuseram por ciúmes, preconceito e, claro, machismo. Mas, ok. Fui para lá com a missão de conhecer o lugar e contar como as coisas funcionam, para você ficar mais tranquilo caso a sua namorada resolva ir. Até porque, você não tem que “deixar” ou “desdeixá-la” fazer nada, certo? Talvez, até o fim desta matéria, eu ainda consiga convencer você de que é uma ótima ideia mandá-la para lá.

1 – Ponto importante para começar: ninguém fica pelado lá dentro. Os caras começam fantasiados e acabam de sunga. E só.

2 – É uma casa de shows. E respeitadíssima. Não são quaisquer dançarinos e os escolhidos estão há bastante tempo na casa, além de receberem instruções sobre como agir e quais regras seguir. O próprio idealizador da casa, Focca Barreto, me disse em entrevista quais instruções são passadas aos rapazes: “Eles não podem agarrá-las, não podem passar a mão nas partes íntimas, não podem colocá-las no colo se estiverem de saia, não podem fazer nada que passe a impressão de abuso sobre elas. A ideia é para pegá-las, dançar, mas em movimentos sutis”.

3 – Reforçando: ninguém vai sair agarrando e se esfregando na sua mulher. Nem ela vai fazer isso. Mas, se a safadinha quiser quebrar as regras, o Focca Barreto conta qual é a recomendação dada aos rapazes: “É difícil acontecer algo constrangedor, mas os rapazes são treinados para sair dessas situações sem deixar a mulher constrangida. Por exemplo, se ela tiver a intenção de pegar aonde não é permitido os rapazes direcionam a mão dela para outra parte do corpo”, explicou.

4 – Homens não entram. Nem você, nem nenhum outro. Os únicos homens lá são os barmen, os dançarinos o garçom. Então, por que ter tanto ciúme de um lugar que só tem mulher e, o que tem de homem, elas não podem pegar? Pense bem.

5 – É perfeitamente possível passar a noite lá dentro sem encostar ou ser encostada por um dos dançarinos. Eles descem do palco brincando e convidando as moças mais tímidas para subirem ao palco, mas só vai quem quer.

6 – As mulheres são mais tímidas do que aparentam. A casa estava cheia, eram cerca de 250 mulheres, e poucas se convidavam para participar das danças. Algumas chegavam a subir ao palco mais de uma vez, tamanha era a timidez das outras.

7 – Sua namorada ou esposa não vai te trocar por um dos dançarinos, fique tranquilo. Porque, você pode achar que não, mas as mulheres também têm um pouco desse pensamento machista de “homem para casar”, e não sei se trocar você por um dos rapazes está nos planos dela.

8 – É um banho de autoestima para algumas! Quando uma moça magra subiu ao palco e o dançarino a levantou, eu pensei: “Fez isso porque é magra, quero ver fazer com todas”. Minutos depois subiu uma gordinha e o cara fez o mesmo com ela. Imaginem o bem que isso fez à essa mulher!

9 – É tudo muito engraçado. As roupas, as músicas, as encenações, os gestos, tudo. Riem deles, riem umas das outras, riem de si mesmas.

10 – Visivelmente, a mulherada sai de lá louca para transar e cheias de ideias. De vontade de dançar para você, de fazer uma massagem, de usar uma roupa diferente. Conversei com um grupo de amigas que estava ali por uma despedida de solteira e, vai por mim, é sério.

11 – Pouquíssimo provavelmente elas vão pedir para você fazer tudo aquilo em casa. Também não sei se é muito possível que comprem uma roupa de caubói ou Fantasma da Ópera para você usar (sim, teve isso).

12 – Vale repetir: é engraçadíssimo. São cenas que elas não veem sempre e nem verão de novo tão logo. Acho que nunca na vida eu tinha visto um cara vestido de motoqueiro dançar “sensualmente” ao som de “Born to Be Wild”.

13 – O foco são despedidas de solteira. E mais pela graça e tradição que já se tornou. Mulheres solteiras encontram caras bombados daqueles facilmente nas baladas e têm chances de sair com um deles. Ali é outro ambiente, outra proposta.

14 – Mulheres precisam de mais que isso para se excitarem de verdade. Deixem de ser inseguros.

15 – São 25 anos de Clube das Mulheres! Acha mesmo que se não fosse um lugar sério e respeitado estaria aberto até hoje? E, segundo o idealizador Focca Barreto, são pouquíssimos os maridos barraqueiros que aparecem por lá: “Por incrível que pareça, em SP nunca houve barracos. Sinceramente, em 25 anos de Clube das Mulheres eu tenho poucas histórias a relatar nesse sentido. Nós conseguimos criar uma situação ao nosso favor, que os maridos e namorados entendem que a nossa intenção é que elas (mulheres e namoradas) se divirtam na casa”, contou.

16 – O Clube das Mulheres funciona apenas às quartas e quintas-feiras, ou seja, você perde uma noite do fim de semana com ela e, se ela for na quarta, você ainda consegue juntar os amigos para ver o jogo da noite sem ela na sua casa.