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Gustavo usa apenas um smartphone para fotografar suas modelos. Thayne fotografa mulheres reais que querem aumentar a autoestima. Em comum, eles têm a locação (que pode ser a casa deles ou a das moças), a produção (que é pouca, quase nenhuma) e a magia da simplicidade.

De repente, sentimos uma onda de “menos é mais” na fotografia. No Instagram, você já deve ter notado, as mulheres ainda na cama, acordando; hashtags como #nomakeupday; pouca ou nenhuma produção. Ao que parece, a internet vem dando licença poética para ensaios sensuais sem o peso de tabu e fazendo o público entender que eles são uma valorização do corpo feminino real, respeitando as modelos.

O estilo “sem firulas” tem revelado novos fotógrafos e encantado homens (e mulheres) pela internet. Gustavo Tissot e Thayne Soldatelli apareceram pelos portais e blogs na internet esse mês pelas ideias inovadoras de seus projetos.

As entrevistas, você confere a seguir.

Gustavo Tissot – @stayclassy_mag

Gustavo é diretor de comerciais e sócio de uma produtora de filmes com sede em Porto Alegre e no Rio de Janeiro. Começou a fotografar com celular por hobby e acabou fazendo disso uma atividade paralela. “A ideia veio da praticidade mesmo. Gosto da idéia de uma fotografia com viés documental, que transmita realidade. É muito mais real o que não tem uma produção elaborada, o que é mais instintivo, impulsivo e imediato. Passa uma energia diferente”, conta.
Fran – Você faz e edita todas as fotos com o smartphone?

Gustavo – Sim, todas. Faço apenas ajustes de sombras e cor. Não tem retoque, Photoshop ou qualquer outra manipulação mais detalhista.
Fran – Como escolhe as modelos?

Gustavo – Escolho a maioria no próprio Instagram. Mas depois que comecei a vender os ensaios o interesse aumentou bastante e o mais comum é que eu seja procurado por amigas de gurias que posam.
Fran – O que pede para as modelos antes do ensaio?

Gustavo – Peço o mínimo de maquiagem possível. Aprendi com o tempo que poucas mulheres se sentem a vontade sem maquiagem nenhuma (o que eu acho um erro). A produção não existe. O figurino é da própria modelo e a locação geralmente é minha casa (tenho apartamento em Porto Alegre e no Rio de Janeiro) ou na casa da modelo. Eventualmente, rolam outras locações, mas nunca produzo nada. A idéia é que seja um registro íntimo, natural.
Fran – Tem planos para agora?

Rodrigo – Estou em busca de parceiros para transformar o @stayclassy_mag em um projeto de conteúdo que mantenha a qualidade estética e artística que tenho no Instagram, mas com alcance maior. Para isso, procuro marcas que queiram projetos especiais, como empresas de lingerie, biquíni, ou mesmo marcas voltadas ao público masculino. Quero unir minhas duas expertises, a publicidade e a fotografia sensual, para criar projetos derivados do @stayclassy_mag nas redes sociais. Tenho já um piloto para o programa de TV.
Fran – Qual retorno tem das modelos?

Gustavo – Essa e a parte mais bacana do @stayclassy_mag. O retorno das mulheres que fotógrafo é sempre sensacional e percebo nitidamente que elas se sentem mais seguras e confiantes de si logo após os ensaios. Costumo falar que é praticamente um trabalho de “empoderamento” feminino. Toda mulher é linda e percebe através das fotos que ela e a modelo gostosona das revistas são iguais. O que muda é o olhar da sociedade, que vende apenas um padrão de beleza. No meu projeto, mesmo fora dos padrões ditados, a mulher se vê linda e maravilhosa. Isso não tem preço.
Fran – Acha que estamos em uma tendência de “menos é mais”?

Gustavo – Acho que isso é um reflexo da sociedade. Em tudo, estamos buscando “menos é mais”. Chegamos no limite da informação e da produção, tem tudo sobre tudo em todo lugar. Mas o que é bom sempre se sobressai.

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Thayne Soldatelli – Eu Linda Aqui 

Nessa pegada de ensaio desde os 17 anos, Thayne (agora com 26) conta que o projeto Eu Linda Aqui surgiu da “vontade de fotografar cada vez mais os diversos tipos de mulheres e suas histórias, o que cada uma tem de sensual e fazer com que elas acreditem que podem e são sexy assim como as mulheres das capas de revista”. Em mãos, uma Canon e alguns programas para edição, especialmente o LightRoom: “Gosto de brincar com cores e filtros, mas não sigo regras”.

Fran – Quando viu que o projeto ia dar certo?

Thayne – Quando na minha cidade outros fotógrafos também começaram a criar projetos de fotos sensuais, são vários artistas lutando pela mesma causa!

Fran – Quais suas referências e inspirações?
Thayne – Na área da fotografia, Helmut não pode ficar de fora e projetos brasileiros como Brwax, e internacionais como The Nu Project, para citar alguns.

Fran – Muitas mulheres procuram por você?
Thayne – Desde que comecei, já fotografei mais de 40 mulheres e agora tenho uma lista de outras 40 esperando. Quero completar dois anos do projeto, em maio de 2015, com mais de 100 mulheres fotografadas.

Fran – Como vocês escolhem a produção?
Thayne – Os ensaios são sempre feitos na própria casa da modelo, com as próprias roupas. Elas separam uns três looks, lingerie, a maquiagen é a mínima possivel! Mas deixo à vontade, é importante que estejamos sozinhas, poucas mulheres se soltam realmente com mais alguém junto, nem eu me solto.

Fran – O que pede para as modelos antes do ensaio?

Thayne – Peço que elas bebam água, bebam muita água sempre, isso deixa a pele mais bonita e também brinco que elas devem dizer “Eu Linda Aqui”, é um mantra, elas se mantêm afirmando! Ajuda na ansiedade também!

Fran – Sente que realmente melhora a autoestima delas?
Thayne – O retorno das modelos é sempre positivo, elas me enviam textos carinhosos, os namorados e maridos sempre adoram, elas se inspiram ate em escrever poesias.

Fran – O que você sonhava quando começou?
Thayne – Ainda sonho. Quero levar o ELA para todos os cantos do Brasil. Fazer todas as mulheres perceberem que o que deixa elas sexy é exatamente o fato de elas serem quem elas são, com uma pitada de fantasia e erotismo. Alguns críticos vão dizer que a mulher nao precisa mostrar a bunda para ser desejada, mas quer saber? A mulher se importa sim, mulher quer ser desejada também pela bunda que tem.

Fran – Quais os planos pra agora?
Thayne – Dar continuidade ao projeto, fotografar e fotografar. E, na marca de 100 mulheres, fazer uma exposição fotográfica, quem sabe um livro, e continuar.

Fran – Acha que as pessoas estão lidando melhor com ensaios senauais?
Thayne – Acredito que ensaios sensuais sempre foram uma fantasia das mulheres, elas sempre quiseram fazer fotos assim. Agora começamos a ter mais acesso, a cabeça do povo vai mudando. Estamos na época do “seja menos alguma coisa e seja mais você”.

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