A escritora Nalini Narayan lançou recentemente o livro “Fêmea Alfa: o diário real das minhas orgias” e, claro, chamou atenção pelo título e pela ousadia. Aos 35 anos, ela revela detalhes de suas relações sexuais com homens, mulheres, gays, artistas e jogadores de futebol – tudo sem citar nomes.

Nalini, carioca de descendência indiana, resolveu contar a história da sua vida em textos numa linguagem acessível, quase como um diário, para chegar a um público que ainda tem questionamentos que não vão ser resolvidos com “internet”. Em entrevista exclusiva ao Testosterona, ela contou sobre o motivo nobre do livro ser escrito: “Algumas coisas, de mulher pra mulher, eu me senti na missão de falar. Alguém tinha que falar. Por que não eu?”.

E tudo partiu de uma vontade de dividir suas experiências e dúvidas: “Quando eu era virgem, eu não fazia ideia de como era. O pau entra e fica parado? Ele tem que se mexer? E não tinha ninguém pra me falar! Eu tinha essas dúvidas quando era adolescente. Hoje começa-se muito mais cedo, mas a escola deles é o pornô. E não é o melhor exemplo”, revela.

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Foto: Nick Saiker

Missão complicada

Para nós, que estamos acostumados com o assunto por aqui e já nos livramos de muitos preconceitos, parece simples. Mas Nalini conta que foi muito julgada até por amigos: “Muita gente me estereotipou. Disseram que eu era idiota por praticar suruba. Ué, por que eu não posso ser genial por isso? Associam ao uso de drogas. E não, não estava sob efeito de nada. Mas é porque nenhuma mulher tem direito a ter vontade de nada, né?”, ironiza a escritora.

Casada em relacionamento aberto, Nalini é praticante assumida de sexo grupal e ficou conhecida como “musa da orgia” e “fêmea alfa”, por sua autenticidade: “É suruba, mas não é bagunça. Eu não gosto de ser escolhida, gosto de escolher”. O marido não participa de todas as relações, mas ela conta que ele adora ouvir sobre suas aventuras. Mas ela reconhece que não é todo homem que entende essas escolhas: “E vêem isso como ameaça, porque eu tô dando apoio pras mulheres. E tô mesmo! Mas tô apoiando os homens também, porque não quero saber de homem inseguro”.

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Foto: Nick Saiker

Mais Nalini

Diferente de seu livro anterior, “Fêmea Alfa” tem linguagem mais popular propositalmente, segundo autora. “O primeiro era muito mais subliminar. Entreguei às minhas amigas, manicure, perguntei o que elas acharam. Elas sabiam que tinha uma sacanagem ali, mas não conseguiam entender bem o que era. Daí fui atrás de outros autores mais populares para me inspirar. Deu certo, o livro está tento ótimo retorno”, comemora.

Antes desse, Nalini publicou “As Aventuras Sexuais de Nalili N.”, “Odisseia em São Paulo: aventuras sexuais” e também “Malandragem, Revolta e Anarquia: João Antônio, Antônio Fraga e Lima Barreto”. Ainda sem previsão para uma próxima obra, Nalini segue divulgando seu livro e dando entrevistas quentes em programas de tevê como The Noite, do Danilo Gentili, e SuperPop, da Luciana Gimenez.

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