Ainda dá tempo! O Oscar, prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, acontece dia 22 de fevereiro e você, como muita gente, não assistiu a todos os indicados. Tudo bem, nós também não. Mas vamos tentar ajudar você a montar sua (meia) maratona do Oscar (e escolher para quem torcer).

Convidados que entendem do assunto fizeram suas apostas e montaram uma breve sinopse, incluindo comentários, críticas e percepções, dos filmes que julgam serem merecedores do seu tempo. Os colunistas do Testosterona também deixaram suas opiniões e palpites sobre os indicados que viram. Escolha os seus, prepare a pipoca, e acompanhe a entrega do troféu mais cobiçado do mundo.

BUDAPESTE

O Grande Hotel Budapeste – 9 indicações

Melhor filme
Melhor diretor
Melhor roteiro original
Melhor direção de fotografia
Melhor direção de arte
Melhor figurino
Melhor maquiagem e penteado
Melhor trilha sonora
Melhor montagem

Por Louise Carvalho, escreve sobre séries, cinema e quadrinhos no Proibido Ler

Esse filme é uma obra de arte cheia de cores, atores conhecidos e momentos extravagantes. Mesmo que seja longo e a história seja repleta de altos e baixos, é um roteiro cativante. Cada personagem do filme tem uma característica inusitada – sendo os vilões, os mais caricatos, claro – e os ambientes onde a história se desenvolve são coloridos, simétricos e musicais, chega a dar a impressão de que O Grande Hotel Budapeste é uma peça teatral. O humor negro é a marca registrada do roteiro, até porque no fim das contas, tudo o que acontece é uma tragédia atrás da outra, mas o humor é tão bem construído que no fim das contas o longa não entristece. Aliás, é um filme que diverte muito! O Grande Hotel Budapeste é daqueles filmes para assistir num domingo chuvoso, vestindo pijamas, com pipoca à vontade, travesseiros e liberdade para rir alto e o quanto quiser. Uma delícia de filme que todo mundo devia se dar ao luxo de apreciar.

birdman

Birdman – 9 indicações

Melhor filme
Melhor ator (Michael Keaton)
Melhor atriz coadjuvante (Emma Stone)
Melhor ator coadjuvante (Edward Norton)
Melhor diretor
Melhor roteiro original
Melhor direção de fotografia
Melhor edição de som
Melhor mixagem de som

Por Gustavo Gusmão, repórter da INFO

Em “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”, Michael Keaton é Riggan Thomson, um ex-super-herói de Hollywood que se cansa da vida de blockbusters e vai tentar a sorte na Broadway, dirigindo e atuando em sua própria peça. A vida para ele nos bastidores, porém, não é das mais fáceis. Além de precisar lidar com seu próprio superego (representado pelo Birdman do título), Thomson precisa aguentar, na semana de estreia e de ensaios finais, um assistente surtado (Zach Galifianakis) e sua filha recém-saída da habilitação (a ótima Emma Stone). No elenco, por sua vez, ainda tem pela frente duas atrizes preocupadas – uma estreante (Naomi Watts) e outra sua namorada (Andrea Riseborough) – e um ator famoso de ego gigante, papel do excelente Edward Norton. O filme metalinguístico assume um quê de autobiográfico quando comparamos as trajetórias de Keaton e de Thomson. As semelhanças, porém, se limitam às carreiras, mas isso não impediu o ator real de interpretar magistralmente a estrela surtada e perdida que é seu personagem. Emma e Norton como coadjuvantes estão tão bem quanto, e ainda merece elogios a forma como a história é mostrada – em um plano-sequência de duas horas, sem cortes visíveis, fruto de edição e filmagem primorosas. A trilha sonora sutil, com uma batida de bateria que aumenta conforme a tensão se desenvolve, é outro ponto que justifica todas as indicações ao Oscar recebidas pelo longa-metragem – que deve levar uma boa parte delas.

imitation

O Jogo da Imitação – 8 indicações

Melhor Filme
Melhor ator (Benedict Cumberbatch)
Melhor diretor
Melhor roteiro adaptado
Melhor trilha sonora
Melhor atriz coadjuvante (Keira Knightley)
Melhor direção de arte
Melhor edição

Por Louise Carvalho, escreve sobre séries, cinema e quadrinhos no Proibido Ler

Tem sido muito comparado ao “A Teoria de Tudo”, porque ambos contam a história de vida de homens que usaram sua inteligência para marcar seu nome na história mundial, e ambos passaram por dificuldades severas durante a vida, mesmo que não fosse por escolha própria. No caso de O Jogo da Imitação, o homem em questão é Alan Turing, um professor de matemática britânico que foi fundamental para a derrota da Alemanha e do Regime Nazista na época da Segunda Guerra Mundial. O longa se divide em três momentos distintos: um passado não muito distante, onde mostra os esforços de Turing e sua equipe enquanto trabalhavam com o exército inglês para decodificar os códigos nazistas e, assim, conseguir evitar os ataques, prever a estratégia e consequentemente, vencer a guerra; um passado mais distante, onde o público conhece a infância de Turing e descobre que seu dom para os códigos, números e enigmas está profundamente ligado com seu coração e, por fim, o presente, onde o homem que fez tanto pelo seu país, é preso e julgado por ser homossexual – o que era crime na Inglaterra da época. Uma história delicada, inteligente, emocionante e dura, que merece e prende a atenção do início ao fim.

Boyhood

Boyhood – 6 indicações

Melhor filme
Melhor atriz coadjuvante (Patricia Arquette)
Melhor ator coadjuvante (Ethan Hawke)
Melhor diretor
Melhor roteiro original
Melhor edição

Por Tulio Dias, editor do Cinema de Buteco

É um experimento ousado do cineasta Richard Linklater, um cara famoso por escrever e dirigir filmes em que os personagens passam o tempo inteiro conversando sem que “nada” realmente aconteça. O que importa é acompanhar o desenvolvimento do papo, ver como isso afeta os personagens e por aí vai. Quando digo experimento, é que Linklater demorou 12 anos para concluir as filmagens. Não foi por falta de investimento, acreditem: era tudo parte do processo criativo do longa-metragem. Anualmente, o diretor se reunia com seu elenco e filmava novas cenas. Como resultado, acompanhamos toda fase adolescente de um jovem que convive com seus pais divorciados e vai aprendendo a descobrir a vida lentamente. Ah, a trilha sonora é um dos pontos fortes com músicas escolhidas a dedo: vai de “Yellow”, do Coldplay, até “Suburban War”, do Arcade Fire. Vale assistir pela curiosidade, no mínimo.

 sniper

Sniper Americano – 6 indicações

Melhor filme
Melhor ator (Bradley Cooper)
Melhor roteiro adaptado
Melhor edição
Melhor edição de som
Melhor mixagem de som

Por Diego Pucci, colunista do Testosterona

Uma mulher entrega uma granada russa a um garoto que sai correndo em direção ao comboio dos militares americanos, cabendo ao atirador de elite Chris Kyle decidir se deve ou não atirar no garoto. Assim começa o filme American Sniper do diretor Clint Eastwood. Adaptado do livro “American Sniper: The Autobiography of the Most Lethal Sniper in U.S. Militar History”, o filme conta a história do mais letal atirador de elite das forças especiais da marinha americana, Chris Kyle, que tem no seu currículo 255 mortes, sendo 160 confirmadas oficialmente pelo Pentágono. Se você ainda não conhece a história de Chris Kyle, como eu não sabia, não vá atrás para saber antes de assistir ao filme – para mim, o final foi surpreendente. Durante a sessão, contei todos os oito “head shots” dados pelo “Diabo de Ramadji” apelido dado pelos combatentes iraquianos. O filme conta com um bom enredo, oscilando entre excelentes cenas de guerra, tiro, sangue, explosão, com um conturbado psicológico de um combatente de guerra! Estrelado por Bradley Cooper, no papel de Chris Kyle, o ator apostou deste o começo no sucesso do livro que acabou comprando os direitos da obra e começou a produzi-la. Não pense duas vezes para assistir este filme, garanto que você não perderá tempo!

whiplash

Whiplash – 5 indicações

Melhor filme
Melhor ator coadjuvante (J.K. Simmons)
Melhor roteiro adaptado
Melhor edição
Melhor mixagem de som

Por Tulio Dias, editor do Cinema de Buteco

O filme conta a história de um aspirante a baterista que precisa aprender a lidar com um professor muito exigente e disposto a transformar a sua vida em um verdadeiro inferno. Você não precisa ser um músico para curtir Whiplash e esse é um detalhe muito importante, mas não vou negar e dizer que aqueles que possuem vivência no meio terão motivos a mais para se interessar pela obra. Com muito jazz na trilha sonora, a atuação do jovem Miles Teller (futuro Sr. Fantástico no reboot de O Quarteto Fantástico) é essencial para tornar o personagem de J.K. Simmons ainda melhor. Não tenha dúvida: Simmons é o melhor Ator Coadjuvante da temporada e será uma imensa injustiça se perder o prêmio para Edward Norton, por Birdman. Como apaixonado por música que sou, e também por às vezes ser chamado de tirano pelos colegas de trabalho, Whiplash é o meu favorito do Oscar 2015 e uma produção capaz de agradar a todos aqueles que buscam ser os melhores naquilo que se propõem a fazer.

interstellar-filme

Interestelar – 5 indicações

Melhor direção de arte
Melhor edição de som
Melhor mixagem de som
Melhores efeitos visuais
Melhor trilha sonora

Por Eduardo Mendes, editor do Testosterona

Cristopher Nolan é um dos diretores queridinhos de Hollywood, o que faz com que cada novo filme que o cara solte, chame a atenção da mídia e de seus milhares de fãs ao redor do mundo, se bem que depois dos ótimos “Cavaleiro das Trevas” e “A Origiem” fica até difícil não prestar atenção nos trabalhos dele. Confesso que não sou o maior fã de filmes de ficção científica e entendo o receio de quem se questiona antes de encarar um longa de 3 horas de duração que aborda temas como a teoria das cordas, teoria da relatividade, e mecânica quântica, mas o filme vale muito a pena, ao criar um mundo futurístico que, vitimado pelo colapso produzido pela superpopulação, vive sob um manto constante de poeira e medo da fome,e obriga os protagonistas a procurar vida fora da Terra, com ótimas atuações de Matthew McConaughey e Anne Hathaway. No geral, Interestrelar é um tanto quanto complexo e em alguns momentos você não sabe bem pra onde a história está te levando, mas é um entretenimento honesto.

 

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Lost Stars (Mesmo se nada der certo) – 1 indicação

Melhor canção original

Por Fran Vergari, colunista do Testosterona

Das canções indicadas na categoria, “Lost Stars” é a que está mais ligada diretamente à trama. Escrita por Gregg Alexander, Danielle Brisebois, do New Radicals, Nick Lashley e Nick Southwood, é essencial para o desenrolar da história. O filme, uma comédia romântica, tem quase todos os personagens como fracassados na vida. Os principais: Dan (Mark Ruffalo), um produtor musical falido, e Gretta (Keira Knightly), que acabou de levar um pé na bunda. Apesar de parecer clichê já pelo título, o filme é cheio de originalidades. Começando por mostrar que a ambição dos personagens não é a fama, mas fazerem o que gostam e se sentirem satisfeitos com isso. E mais: foge da linha romance-melodrama-mimimi. O vocalista do Maroon 5, Adam Levigne (que se apresentará na cerimônia do Oscar), participa do filme quase como uma caricatura de si mesmo, interpreta um homem ganancioso que troca o que tem, inclusive a namorada, pela fama e sucesso. O filme vale por suas formas todas de apresentar originalidade, contrariar o sistema, encaixar as músicas à trama sem ser enjoativo e ainda oferecer um final emocionante.

america

Capitão América II: O Soldado Invernal – 1 indicação

Melhores efeitos visuais

Por Louise Carvalho, escreve sobre super-heróis, cinema e quadrinhos no Proibido Ler

São poucos os filmes de super-heróis que conseguem a proeza de serem indicados pra uma premiação do nível do Oscar, e este ano, há mais de um! Embora eu seja suspeita para falar de quadrinhos e, consequentemente, de filmes baseados em quadrinhos, “Capitão América II: O Soldado Invernal” não é um longa que se restringe ao público desse nicho. A trama do filme envolve política, corrupção, traição, poder, nações e – por que não – heróis. Os efeitos especiais são incríveis (não é à toa que foi indicado ao Oscar), as atuações são impressionantes e o roteiro é realista e sério, colocando muitos filmes de ação clichês “no chinelo”. Esse é o tipo de filme que as pessoas que não gostam ou não costumam assistir filmes de super-heróis, gostam. Vários amigos e conhecidos meus reagiram assim, alguns até comentaram que este “não parece um filme de super-herói”. Talvez por apresentar um roteiro sem clichês, capas e salvamentos extraordinários, mas misturar um tema realista com espiões e um super soldado, vai saber? Este é um filme que agrada todos os públicos.