“Só desta vez”, “A camisinha atrapalha” e “Não vou gozar dentro” são frases ditas e ouvidas com frequência e antecedem uma tomada de decisão perigosíssima, em que o casal está mais preocupado com a chance de engravidar do que com os riscos das doenças sexualmente transmissíveis. Se alguma coisa der errado ou bater o medo ou o peso na consciência, o próximo passo mais comum é correr para a farmácia atrás da famosa pílula do dia seguinte. Não quero estragar seu barato, mas já deixo avisado que ela não é um milagre para o medo da gravidez depois do sexo sem camisinha.

E não adianta a gente fingir que não sabe: muita gente ainda faz sexo sem camisinha mesmo sabendo de todos os riscos que corre por isso. Muita gente mesmo. Para você ter uma ideia, pesquisa do Ministério da Saúde com base em dados de 2013, divulgada no começo do ano passado, mostrou que 94% da população sexualmente ativa reconhece a eficiência da camisinha como prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids), mas que 45% admite que não usou preservativo nas relações casuais nos últimos 12 meses.

O problema é que não é tão simples assim. Os homens podem achar que “é só tomar” e pronto, mas vai muito além disso. As consequências para as mulheres, a curto e longo prazo, não compensam o risco e a pílula do dia seguinte não é garantia de que “vai dar tudo certo”.

As mulheres que já precisaram recorrer a esse método de emergência sabem mais ou menos como a coisa funciona. Mas é importante também que o cara, na posição de namorado, marido ou pegador, saiba algumas coisas sobre a pílula do dia seguinte a título de conhecimento, para uma eventual necessidade, para ajudar a moça e, principalmente, para pensar duas vezes antes de insistir no sexo sem preservativo.

Conversei com o Dr. Alberto Guimarães, ginecologista e obstetra, e ele respondeu algumas perguntas básicas e frequentes e disse algumas verdades sobre o assunto. Aqui vai o que você precisa saber sobre pílula do dia seguinte, da forma mais simples possível.

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1 – Não é a solução milagrosa dos seus problemas

Ela não é abortiva! Ou seja, não tem efeito após a implantação do embrião, não interrompe gestação e andamento. “O mecanismo de ação é pouco conhecido, mas está relacionado à inibição ou retardo da ovulação, alteração do corpo útero e interferência no transporte ovular”, explica Dr. Alberto.

 2 – Deve ser usada só em situações de extrema necessidade

Deve ser usada sempre que tiver uma relação desprotegida, sem uso de algum método preventivo. Porque, como vocês devem saber, é possível engravidar mesmo sem ter ejaculado dentro da vagina. Então, o “tirar antes” não é garantia de nada. O líquido lubrificante liberado pelo pênis antes da ejaculação, que também serve para higienizar o canal da uretra (por onde sai a urina), pode carregar espermatozoides. “O método pode ser usado sem restrições, as vantagens superam os riscos possíveis.  Entretanto, é importante lembrar que a pílula do dia seguinte só deve ser usada em caso de emergência”, reforça Dr. Alberto.

3 – A pílula tem que ser tomada muito rápido para fazer efeito

“Quanto mais breve o uso da pílula, melhor o resultado.  Pode ser usado até 72h após a relação sexual. Quanto mais tempo demorar, menor a eficácia”, alerta o ginecologista.

4 – Existem duas versões: dose única e versão com 2 pílulas (mas o efeito é o mesmo!)

“A diferença é principalmente comodidade, então pode ser tomada em dose única, que é mais fácil. É interessante, após o uso de qualquer destes esquemas, que a mulher não tenha relação sexual vaginal até menstruação seguinte”.

 5 – Qualquer pessoa pode comprar na farmácia

Teoricamente, deveria ser vendida com prescrição médica, mas pode ser comprada livremente. Ou seja, até você pode comprar, se a moça não quiser fazer isso (algumas mulheres têm vergonha de pedir na farmácia). Mesmo assim, Dr. Alberto recomenda que a mulher consulte seu ginecologista sobre o uso da pílula do dia seguinte.

6 – Não é bom tomar mais de uma vez por mês

“Não é recomendado o uso da pílula mais de uma vez por mês.  A pílula do dia seguinte é um método emergencial e não um método contraceptivo regular. Além disso, ela possui uma alta dose de hormônio, o que pode causar algumas reações e uma bagunça hormonal no corpo da mulher.”

7 – É uma dosagem hormonal alta, então pode ter efeitos colaterais

“Como a dosagem hormonal é alta, os principais efeitos podem ser náuseas, vômitos, dor de cabeça, diarreia e dor abdominal, como as cólicas.”

 8 – Se a menina toma anticoncepcional regularmente não precisa tomar a pílula do dia seguinte.

Existem vários métodos contraceptivos e cada mulher decide o seu com a ajuda do ginecologista. Tomando anticoncepcional direitinho e usando camisinha, a mulher anula as chances de engravidar e evita passar por situações como essas.

9 – Tem como saber se funcionou?

A certeza que funcionou é através da menstruação que ocorre.

10 – É possível a mulher ficar grávida mesmo tendo tomado a pílula

Pois é. A pílula diminui muito a chance da gravidez indesejada se tomada no tempo recomendado, no tempo certo. Mas, ainda assim, é melhor não arriscar. “A menstruação, que ocorre em aproximadamente 1 semana após o uso da pílula, é uma boa sugestão de que a mulher não está gravida. Mas a melhor estratégia para não engravidar tendo uma vida sexual ativa ainda é um bom planejamento familiar, um método de prevenção escolhido com calma com seu ginecologista e uso de preservativo sempre”, recomenda o ginecologista.