De repente, uma doença que parecia muito mítica e distante está causando muitos problemas aqui no Brasil. Os números apontam para uma epidemia de sífilis – os casos dispararam de 1,2 mil para mais de 65 mil nos últimos cinco anos. E o mais difícil de acreditar é que, em pleno ano de 2016, estejamos passando por isso com uma doença cuja forma de evitar é muito simples: usando camisinha.

Por ser uma doença sexualmente transmissível silenciosa, seus sintomas demoraram a ser percebidos e ainda tem um agravante. Quando o diagnóstico vem na gravidez, o risco é maior ainda porque o bebê pode pegar a doença. Só no ano passado, mais de 220 bebês morreram no Brasil porque o medicamento para tratamento está em falta no mundo inteiro.

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Para esclarecer algumas dúvidas e saber mais sobre o assunto, conversamos com o Dr. Silvio Pires, urologista da clínica Criogênesis. Ele respondeu algumas perguntas de forma bem direta e simples, pra não ter erro. E, por favor, proteja-se!

O que é a sífilis?

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível (DST) causada pela bactéria Treponema pallidum.

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Como se manifesta? É sempre visível?

“Na fase primária, manifesta-se pela formação de úlceras nos órgãos genitais, lesões com as bordas elevadas e indolores. Na secundária, ocorrem lesões avermelhadas em mãos, pés, mucosa oral, além de febre, mal-estar e dor de cabeça. Já na terciária, o último estágio, apresenta comprometimento do sistema nervoso central, sistema cardiovascular e ossos, por exemplo. Visível. Porém, nem sempre é observada pelo portador”, alerta o Dr. Pires.

Quanto tempo depois do contágio pode ser vista e/ou diagnosticada?

O urologista conta que a manifestação visível não é tão rápida: “Pode acontecer de 10 a 90 dias. Mas em média, após 21 dias do contato”.

Ela se manifesta em outras partes do corpo também?

“Sim. Como comentei anteriormente, na fase primária a doença se manifesta por meio de ulcerações no local do contato. Geralmente na região genital, mas poderia ser em qualquer parte do corto que tenha uma lesão prévia e apresente contato com o Treponema. Na secundária, já ocorrem lesões avermelhadas em qualquer parte do corpo”, esclarece.

O contato sexual é a única forma de contágio?

“Não. Além do contágio sexual, pode ser transmitida por transfusão de sangue contaminado ou da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou o parto.”

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Qual exame pode diagnosticar a sífilis?

“O exame para diagnosticar a sífilis é o VDRL (Venereal Disease Research Laboratory), que é realizado por meio da coleta de sangue. Após este ser positivo, solicita-se um exame mais específico e confirmatório (Fta-Abs ou teste treponêmico).”

Como é o tratamento?

“No geral, o tratamento é realizado com antibióticos e deve estender-se aos parceiros sexuais. A dosagem varia de acordo com o estágio da doença”, explica Dr. Pires.

Como pode ser feita a prevenção?

“A melhor forma de prevenção é o uso de preservativo nas relações sexuais e a realização de um bom pré-natal para as gestantes”.

Quem está mais propenso a contrair sífilis?

“Toda a população sexualmente ativa está mais suscetível. Porém, há situações de mais risco, como a transmissão para o filho durante a gravidez.”

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