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Não é muito no sentido de “cada um com seus problemas”, mas é quase isso. A autora de “Vem Transar Comigo” (Bicicleta Amarela, editora Rocco) trata, de maneira didática e fácil, uma enxurrada de informações e dúvidas que permeiam o assunto desde os primórdios, um deles é o polêmico orgasmo feminino.

Tatiana é psicóloga, mantém consultório no Rio de Janeiro, ministra palestras pelo Brasil e tem seu blog como referência de sexo no país. Recentemente ela se propôs a fazer um manual do sexo quase completo com dicas e instruções que vão desde masturbação até sexo anal, passando pela história da revolução sexual até os modernos sexy toys entre casais.

Mas o assunto que dá pano para a manga está sempre em torno do famoso “Ponto G”, sobre como é difícil levar uma mulher ao orgasmo e a canseira que os homens levam até, finalmente (com sorte), conseguirem satisfazer totalmente suas parceiras. Sobre isso, Tatiana é muito enfática: “Cada um é responsável pelo seu próprio orgasmo. Se a mulher não souber como ela goza e como ela gosta, ninguém vai fazer isso por ela”.

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Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal em Amor e Outras Drogas (2010)

A mulher precisa saber

“É uma questão complicada porque custa ao homem entender que cada um é responsável pelo seu próprio orgasmo. A mulher é muito complexa sexualmente, se ela não se conhecer e não conhecer o próprio corpo, isso reflete no sexo. Muitas vezes a mulher não sabe como ela mesma vai chegar ao orgasmo, então o homem tem essa dificuldade e automaticamente se acha um ‘mau amante’.

O homem não é responsável por fazer a mulher chegar ao orgasmo, de forma alguma. A mulher tem que entender seu corpo. Como ela faz isso acontecer? Muito através da masturbação, para então ela comunicar o homem. Seja através do exercício “mão sobre mão” (se ela tem vergonha de verbalizar), ou através da conversa. E aí, nesse momento, ele vai entender muito melhor”, explica Tatiana.

Orgasmo via penetração

“Os homens também não sabem que 80% das mulheres tem orgasmo via clitóris, menos de 20% tem orgasmo via pura penetração. Então, obviamente, se ele vai pular o sexo oral ou a masturbação, e vai direto para a penetração, sem nenhum estímulo clitoriano, vai ser realmente muito difícil da mulher chegar ao orgasmo. E aí ele fica frustrado, ela fica frustrada, e fica essa sensação de que ela é frígida ou ele é mau amante, e isso é absolutamente equivocado”, esclarece a sexpert.

“Sexo é uma experiência egoísta”

“Cada um vai sentir aquilo e não tem como os dois estarem sentindo a mesma coisa. Claro que, uma vez na vida, existe o momento em que os planetas, as estrelas, tá tudo alinhado e acontece aquela transa que parece que vocês estão gozando juntos e tal. Essa história de gozar junto é a maior furada que tem! Não tem isso, cada um goza pra si, cada um vai sentir um prazer, não tem como sentir o prazer do outro.

Existe prazer vendo o outro. Pelo que o homem mais sente prazer? É vendo a mulher sentir prazer. Disso não tenha dúvida! Ou seja, se você parar pra pensar, o homem é muito mais generoso sexualmente do que a mulher, nesse sentido. Porque a mulher é uma coisa mais de fundição. E as pessoas querem me matar quando digo que sexo é uma experiência egoísta, mas é verdade”.

Fingir orgasmo

“Cada um tem que estar sintonizado com o próprio corpo para poder expressar pro outro, através de palavras ou atos, o que sente. E se a mulher está fingindo que está gostando, o cara está lá fazendo a técnica que fez com as cinco namoradas anteriores, e todas fingiram. O que acontece? Ele vai continuar se achando o máximo se a mulher fingir de novo. Ele precisa saber que não está arrasando. Porque é pelo gemido que ele sabe se tá fazendo a coisa correta ou não, se tá agradando ou não. Alguém precisa avisar.”