É curioso observar como a forma que as pessoas consomem pornografia mudou com os avanços tecnológicos. Lá atrás, tudo o que nossos avôs tinham a acesso a resvistas com fotos, e nada com muita qualidade ou definição. A coisa evoluiu pro VHS, depois pro DVD e então a internet chegou e tomou conta de vez deste mercado. Vivemos tempos em que as mulheres já produzem seu próprio conteúdo pornô amador pra internet.

Antigamente, fazer conteúdo erótico era exclusividade das produtoras, mas com a internet, os infinitos sites pornográficos, webcams, celulares que gravam e fotografam em alta definição, as pessoas descobriram que podem fazer o seu próprio conteúdo sozinhas, e muitas vezes, sem precisar sair de casa.

Dversos sites surgiram pra auxiliar as mulheres a disponibilizar conteúdo na internet, sites de camgirls, sites pra você mandar seus vídeos e cobrar de quem quiser comprá-los, sites pra você arrecadar dinheiro, aplicativos que compartilham suas fotos e vídeos. É muito simples procurar seu espaço neste mundão da internet hoje dia, mas não quer dizer que não seja trabalhoso criar o conteúdo e cativar seus fãs, elas trabalham tanto quanto qualquer pessoa com um emprego “convencional”.

Pra tentar entender um pouco melhor as diversas formas de se trabalhar com conteúdo adulto na rede mundial de computadores, conversamos com 3 mulheres que trabalham ou em sites de camgirls, vendendo vídeos online, e produzindo conteúdo amador de qualidade. Conheça a seguir Dreadhot, Zattorafa e Aurora.

 

DREADHOT

Asha, é conhecida na internet como DredHot. Ela tem 25 anos, mora no estado de São Paulo e é formada em publicidade e propaganda. A morena trabalha produzindo conteúdo erótico há 1 ano. Ela conta que gasta algo em torno de 2 dias inteiros durante a semana apenas para a produção de seus vídeos e fotos, e conta com a ajuda do namorado. “Meu namorado começou a carreira como fotografo, então é ele quem me ajuda. Não só nas fotos, como também nos vídeos, produção e vendas. Além disso, é ele quem participa comigo nos vídeos“.

Geralmente, gosto muito de fazer fotos e videos externos e públicos, isso agrada bastante meus clientes.

Asha usa o Instagram, Twitter, Snapchat e até o Youtube pra pra divulgar seu conteúdo, e diversos outro sites pra vender seus vídeos, como o Manyvids e Patreon por exemplo. Ela também trabalha como camgirl, “É uma delicia você ser seu proprio chefe e ainda conseguir sobreviver nesse mundão fazendo o que se gosta, utilizando o seu sexyappel natural pra poder morar, viver e realizar sonhos. Pra mim, é a melhor profissão do mundo, rs! Mas como em todas, também tem seus lados negativos, como: aguentar pessoas sem respeito“.

Você acha que o conteúdo amador hoje em dia faz tanto sucesso quanto vídeos pornôs produzidos?

DreadHot: Hoje em dia a galera está muito atenta e quer muito se tornar mais intimo do seu fã. Principalmente pela internet. Muitas pessoas já vieram pedir videos do celular, então por siso criei uma conta no SUPE, que é basicamente pra isso.

Aliás, você já fez pornô? Toparia fazer?

DreadHot: Sim, fiz um filme com a Xplastic e  meu segundo virá em breve. Mas, atriz pornô  não é uma carreira que pretendo seguir.

Você assiste pornô?

DreadHot: Pra falar a verdade, não assisto pro meu lazer, e sim, pra trabalho. Gosto mais da ação, risos.  Nunca fui de assistir pornô, sempre curti mais a ideia de colocar a imaginação pra funcionar. Mas hoje, como trabalho com isso, vejo sempre!

Você tem conta no ManyVids né? Se não me engano o público dele é mais do exterior do que brasileiro. Existe muita diferença entre os brasileiros e os gringos? 

DreadHot: Sim, existe. A galera de fora não liga muito para os valores, eles prezam mais a qualidade e o que é inusitado. Brasileiro já pende muito pro lado do mais barato, sabe? Preferem algo mais ou menos, mas que não seja muito caro. Claro, essa é a minha visão. Por exemplo, no Manyvids eu vendo videos personalizados, a pessoa manda o script do que tenho que fazer no vídeo e eu topo ou não. Mas, nunca reclamam do valor. NUNCA. Eles sempre estão dispostos a pagar por algo que valha realmente a pena. Aqui no Brasil, mesmo a pessoa querendo MUITO o conteúdo, ela sempre dá pra trás por causa do valor.

Links da Dread: Site pessoal / Instagram / Twitter/  Manyvids

 

ZATTORAFFA

Rafaela é conhecida como Zattoraffa, ela tem 24 anos e mora em Florianópolis. Ela conta que fez curso de cabeleireiro pra montar um salão, mas acabou mudando de planos graças ao trabalho online. “Trabalho há um ano no Testosterona CAM, mas já namorava o site a mais de um ano”.

“Ser camgirl é algo muito importante, é uma troca muito intensa entre você e quem está do outro lado. Há uma troca não só sexual, e isso é o que eu mais gosto”.

Para divulgação ela usa o Facebook. Twitter e Instagram. “O twitter é a que mais gosto de divulgar fotos, vídeos e os períodos que estou online“.

Quanto tempo do seu dia é dedicado a fazer fotos, vídeos?

Zattoraffa: Depende do dia, mas varia entre duas a oito horas. Eu mesma faço minhas fotos e videos usando o celular e a webcam que eu uso para transmissão. Posto fotos avisando que estarei online, já com a roupa que vou usar, acessórios que eu gosto, ou faço um vídeo dançando músicas estou ouvindo.

Você ganha bem? Paga melhor que salários convencionais?

Zattoraffa: Eu ganho muito mais do que em empregos convencionais, fora que eu tenho total liberdade de horários e a vantagem de não trabalhar quando não estou me sentindo bem, isso faz total diferença no meu desempenho.

Como você vê a evolução do mercado de conteúdo erótico online?

Zattoraffa: O mercado erótico tem tido um evolução gradativa nos últimos anos, o conteúdo ficou mais acessível e com mais qualidade, acredito que muitas mudanças boas acontecerão ainda.

Já passou por alguma situação inusitada?

Zattoraffa:Já recebi algumas propostas para sair pra jantar, homens exibicionista que queriam transmitir no site comigo, e até mesmo de pessoas que gostariam de me tirar do site. Antes de ser Camgirl eu trabalhei por 5 anos em sex shop, o que me ajudou bastante a evoluir. Com certeza se hoje tenho coragem para trabalhar como camgirl, mostrar meu rosto e encorajar outras meninas que tem vontade de começar. Eu devo isso a Fréya, então eu quero deixar aqui o meu muito obrigada a loja, aos meus chefes e colegas. Queria agradecer também ao blog pelo espaço, sempre li e acompanhei é uma honra fazer parte deste post beijinhos da Zatto.

Links da Rafa: Twitter / Instagram / Testosterona CAM

AURORA

Aurora também é do estado de São Paulo e tem 23 anos, e já trabalha no ramo há 4 anos. “Tento conciliar a profissão com os estudos, pois quero fazer medicina e ainda estou em fase pré-vestibular“. Ela também usa o Twitter e Instagram como sua principal fonte de divulgação, e tem suas redes pra vender o conteúdo pago.

O conteúdo é produzido na maior parte apenas por mim, porém faço esporadicamente alguns ensaios profissionais para diferenciar o portfólio”. Ela por exemplo, já foi Testosterona Girl.

“Eu escolhi ser webstripper pela liberdade de horários e comodidade. O trabalho que foge do óbvio e propõe uma quebra de rotina me agrada muito.”

O que você faz ou tenta fazer de diferente pra oferecer pros seus seguidores e fãs?

Aurora: “Ser camgirl é trabalhar com entretenimento. Mais do que erotismo, a profissão tem por objetivo oferecer um momento de distração e lazer, isto é, um ambiente em que o usuário possa se desprender da realidade em que vive, bem como de seus problemas pessoais, e relaxar. Nesse sentido, é comum que o chat não se restrinja a “tirar a roupa na webcam” – como é popularmente conhecido – e ofereça também boas conversas, confidências e distrações em uma dinâmica na qual o cliente possa ser ele mesmo e se sinta a vontade para fazer o que quiser.

Como você vê essa mudança na indústria pornô, com a produção caseira ganhando cada vez mais espaço?

Aurora: A indústria de pornô no Brasil aparentemente vem crescendo com a popularização da internet, e o conteúdo amador está nitidamente ganhando destaque, pois dá ao público a sensação de realidade e proximidade. Quando uma pessoa assiste um vídeo caseiro, ela tem a impressão de que ela poderia estar nele

Como é pra você a experiência de trabalhar com produção de conteúdo erótico?

Aurora: Ser webstripper é ter a oportunidade de conhecer genuinamente diversas pessoas por dia. É um relacionamento que, apesar de virtual, reflete os desejos e os pensamentos sinceros de usuários que, por não precisarem se identificar, podem ser exatamente quem eles querem. Eu, particularmente, sou apaixonada por essa relação.

Links da Aurora: Instagram / Twitter / Patreon

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