Muito homem não admite, ainda mais publicamente. Existe vergonha de ser achincalhado como “arame liso”, como um cara que “não consegue pegar ninguém”. Mas homem gosta, e muito, de pagar por sexo.

Minha vida sexual começou com uma prostituta. Sempre aparentei mais idade do que tinha, então com 14 anos, fui lá. Não foi tão travado como os meus amigos disseram que foi a primeira vez, mas também não foi as mil maravilhas.

Estava estranho, com alguém que nunca tinha visto – hoje seria mais comum, tenho ela no Facebook e é uma grande amiga – e eu sempre pensei que sexo era pra fazer com alguém que se ama. Só fui aprender que nem sempre é assim depois deste dia.

Depois, paguei pelo serviço outras três vezes. Duas delas em Salvador. A primeira fui numa viagem em 2014, num bate-volta que fiz entre Aracaju, onde moro, para lá, para duas entrevistas importantes que fui fazer. Precisava matar o tempo, estava com vontade, paguei. Hoje, essa moça também é minha amiga. Até a vi no Carnaval deste ano, onde trabalhei pelo SBT.

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Marine Vacth em cena no filme “Jovem e Bela” (2013)

A segunda foi em São Paulo. É uma grande amiga de Twitter que é “namorada de aluguel”, como ela mesmo se define. Uma pessoa agradável, inteligente, educada. Pelo menos no Twitter sempre se mostrou assim. Sempre tive curiosidade para conhece-la. Nesse caso, nem foi tanto pelo sexo, que foi ótimo, mas por outros fatores. E esses outros fatores fizeram a experiência ser fantástica.

A terceira foi em Salvador, no mês de maio. Foi um dia que tudo tinha dado errado, e eu decidi relaxar. Foi rápido, mas foi legal. Curiosamente, também fiquei amigo da moça e a tenho no meu Facebook.

“Mas espera, você ficou amigo de todas essas então?”. Sim, pois é. E aí é que vou ter que voltar no tempo um pouco. Em 2011, me mudei e fui morar num bairro turístico, o Atalaia, um dos mais conhecidos de Aracaju. Reduto de prostitutas, sempre que voltava do colégio, descia num ponto rodeado de mulheres da vida. E quando ia para ele, por estudar de tarde, também. E sempre batia papo, conversava.

Foi lá que aprendi a respeita-las e não a tratar como pedaço de carne. Toda garota de aluguel tem uma história, toda puta no fundo só quer sair dali e ter uma vida melhor. Toda prostituta chegou ali porque não tinha outra saída.

Acima de tudo, elas são mulheres. E elas todas já tiveram ou têm um amor. Sexo pago é apenas um emprego para elas, mas com muito risco.

Hoje, eu admito que o sexo pago é algo que consumo. E não tenho vergonha de dizer. Sexo é natural. E as mulheres, boa parte, são pessoas. Em menos de uma hora, se pode construir uma amizade, se o respeito ocorrer. E por que não gozar se os dois quiserem?

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