O australiano Luke Brett Moore percebeu de alguma maneira que suas contas em débito automático estavam sendo pagas, mesmo ele não possuindo saldo positivo para quita-las.

Após alguns meses de teste, Luke chegou a conclusão de que o banco – por algum motivo – havia lhe concedido algum tipo de “crédito ilimitado”. Na época, em 2010, ele tinha uma conta corrente comum em um banco chamado St. George, através da qual pagava a hipoteca da casa, o seguro de saúde e outras contas.

Isso acabou se repetindo durante os 12 meses seguintes e mesmo estando desempregado, suas contas continuavam a ser pagas e sua conta bancária ficava cada vez mais no vermelho sem que o banco mencionasse algum problema.

Com todas suas contas pagas, decidiu comprar um Hyundai Veloster e dirigiu por 195 km para comprar mais um carro: um Maseratti. Depois disso, se mudou e tentou abrir seu próprio negócio, mas como toda ilusão, Luke acabou gastando maior parte do seu novo dinheiro gastando em festas e compras extravagantes: comprou todos os tipos de lembranças de celebridades, como uma camisa autografada por Michael Jordan, um disco autografado por Michael Jackson e uma pele de bateria autografada por Amy Winehouse. No total, ele gastou quase US$5 milhões entre mais de 50 saques e transações que fez, o que aí sim, acabou chamando a atenção das autoridades.

Em 2012, foi acusado de obter vantagem financeira através da enganação e de usar conscientemente o valor procedente do crime. Ele foi sentenciado à pena máxima de quatro anos e meio na prisão.

Mas apesar da longa sentença, Luke foi solto após seis meses quando uma apelação determinou que ele não era legalmente obrigado a avisar o banco do que estava acontecendo.

Em matéria com a BBC, o australiano contou das suas dificuldades enquanto esteve preso:

“Eu tive que fazer minha própria defesa porque a defensoria pública não bancaria meu pedido de fiança”, justifica o australiano. Moore classifica como “horríveis” os seis meses que passou atrás das grades. “Você fica longe de sua família e trancado em uma cela por 17 horas por dia. A comida é bastante ruim, e você é obrigado a se relacionar com algumas pessoas difíceis”, relata.

Ele preparou por conta própria sua defesa e a entregou para um advogado, que se limitou a apresentar a papelada ao tribunal. “O juiz disse que eu era desonesto. Mas não vivemos em uma sociedade onde erros morais resultam em pessoas tendo a liberdade privada e sendo trancadas atrás das grades”, defende-se.

Moore atualmente estuda direito criminal e diz querer ajudar outras pessoas que foram presas. “Estou atualmente estudando direito na universidade e vou ser um advogado criminal em dois anos”, conta, dizendo que os seis meses que passou atrás das grades lhe deram uma perspectiva única do que é a prisão. “Muitas pessoas lá precisam de ajuda, não de encarceramento.”

E você, o que teria feito?

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